Vira o Brexit e toca o mesmo
Wednesday, October 23, 2019.

Foram ultrapassadas todas as datas mencionadas para a execução do Brexit. Foram esgotadas todas as votações, todas as reuniões, todos os argumentos, todos os bailados toscos ou clássicos.

Terão sido gastos milhões de Euros e Libras, milhares de horas em todo o género de cenários políticos, milhões de comentários em todo o género de redes sociais, horas e mais horas de discursos ocos e promessas que afinal, ninguém conseguiu cumprir em quase três anos de discussão.

Caixa Geral Depósitos

Os cidadãos europeus a viver no Reino Unido que nos primeiros dias a seguir ao Brexit gastaram centenas e mesmo milhares de libras, olham hoje para essa despesa como uma quase inutilidade perante a incompetência política de ambos os lados do Canal da Mancha.

Famílias inteiras no limbo de não sabem que garantias podem ter para os tempos mais próximos falando apenas de dois ou três anos de distância futura. Empresas que têm milhões de trabalhadores em toda a União Europeia, Reino Unido incluído, continuam sem saber como investir ou como gerir stocks sem a possibilidade de assumirem compromissos de curto prazo.

Enquanto isso, os titulares de cargos políticos parecem divertidos e aparecem nas televisões e páginas de jornal a mostrar sorrisos enquanto o povo amola a incerteza da oportunidade de uma revolta.

Saídas semanais para Portugal

O povo Britânico, mostrou o seu descontentamento em relação à União Europeia que é comum a praticamente todos os cidadãos europeus que ainda assim, parecem mais interessados numa união de Paz ao confronto financeiro e económica que pode bem descambar num cenário de agressão entre nações na Europa.

O Reino Unido, demitiu-se da sua responsabilidade de ajudar a mudar a União Europeia e regressou aos sonhos do Império que deixou de existir há muito tempo. No curso das negociações, assistiu-se a um cenário em que o Reino Unido, de forma sobranceira falou para a União Europeia em despedidas para mais tarde ser a União Europeia a falar na necessidade de dispensar o Reino Unido como se este fosse um elemento desestabilizador da coerência da Europa. Podemos calcular este cenário como uma história de um casal.

No desentendimento, um dos membros ameaça sair da relação enquanto o outro procura que isso não aconteça e caso venha a acontecer, que seja de forma civilizada e pacífica. O primeiro membro continua com as suas ameaças de sair do relacionamento sem no entanto encontrar as soluções para os seus desejos. Mesmo assim, insiste nas suas ameaças e numa decisão unilateral de sair da relação. Mas não sai.

Advogados internacionais

O primeiro membro aponta data definitiva para abandonar a relação e ao chegar o dia de sair do “casamento” ainda não tem outro lugar para ir viver. Ainda nem as malas fez no próprio dia que prometeu sair. O segundo membro da relação começa a ficar cansado das ameaças e das promessas não cumpridas e dá nota de que está a perder a paciência.

A União Europeia deu ao Reino Unido tudo o que este pediu para abandonar a relação mas isso não foi suficiente. O Reino Unido entra num clima do sai-que-não-sai e quer sair mas não sabe como faze-lo. Por seu lado, a União Europeia precisa de uma certeza para orientar a sua vida sem o Reino Unido a partilhar a mesa e a cama.

No meio desta discussão, os filhos deste casal (cidadãos europeus), ficam sem saber com qual dos membros do casal vai ficar. Nem tampouco saber em que escola se vão matricular quando o início da época escolar está a abrir.

Recolha de todo o tipo de lixos

O resto da família, China, Estados Unidos, África, Mercosul, Ásia, Rússia, Oceânia e outros, não sabem quem tem ou não razão nem querem saber. Não é com eles. Esperam que o “casal” assuma as suas decisões para saberem como se irão relacionar.

O Reino Unido continua a ameaçar a sua saída da relação mencionando datas e vontades mas sem cumprir um plano de execução ou datas anunciadas. É como se o Reino Unido olhasse para a União Europeia dizendo “segura-me senão vou embora”. Por seu lado, a União Europeia, pese embora a paixão que mantém pelo relacionamento (Defesa, Agricultura, Capital, Migrações, Serviços, Mercadorias), entende que ofereceu todas as condições para acabar com o relacionamento e que não tem mais paciência para aturar as indecisões e incompetência da classe política do Reino Unido.

Ao chegar a data anunciada de 29 de Março, a União Europeia começa já a mostrar um discurso diferente como quem diz “estou cansado das tuas ameaças e se não vais embora a bem, vais embora a mal”. Por outras palavras, a União Europeia vai dizendo ao Reino Unido que está pronta para ficar na relação ou sair dela mas não está pronta para impasses. O Reino Unido, vai adiando por quinzena o que não conseguiu fazer em três anos. A União Europeia (espécie de Mercosul ou Liga dos Países Africanos), pensa então em assumir uma posição de força e “mudar a fechadura da residência do casal” que está há três anos a discutir um “divórcio” que ameaça acontecer ou talvez não.

West Norwood – Londres

Até lá, quem quer comprar ou vender uma casa, não sabe se o deve fazer. Um comerciante de supermercado, não sabe se deve ou não comprar sacos de plástico para embalar as mercadorias do cliente, os empresários não sabem se devem ou não vender ou comprar empresas, as escolas não sabem como fazer o seu orçamento do ano seguinte, as empresas de importação/exportação não sabem que contratos podem assinar por desconhecerem a pauta aduaneira fiscal que se espera e a incerteza reina.

Os filhos deste “casal” (cidadãos europeus), esses, continuam a sofrer com o impasse de dois envolvidos que têm a responsabilidade de cuidar e estão apenas a fazer sofrer num cenário em tudo parecido com os cenários de violência doméstica que tanto condenam.

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Os cidadãos, perante a incerteza entram em desequilíbrio emocional com tudo o que isso implica na vida de cada um. Terei emprego? Terei que regressar? Inscrevo os meus filhos na escola? Aceito o novo cargo? Vendo a casa? Compro casa? Assino contrato? O que fazer da vida para amanhã? Tudo questões a que ninguém responde.

Só não se entende como é possível dar regalias sociais e pagamentos principescos a uma classe política que de ambos os lados estão a fazer tudo para não fazer nada.

Manuel Gomes

PN/Londres

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