Vidas passadas respondem a problemas atuais pela regressão
Friday, September 21, 2018.

Os problemas que cada pessoa enfrenta actualmente, podem ter a sua resposta na regressão a vidas passadas – diz a psicóloga clínica Marta Pires.
A psicóloga portuguesa a exercer em Londres, especializou parte do seu trabalho numa versão da psicólogia que se situa muito próximo da fronteira da ciência e da capacidade de acreditar, ou não nas técnicas utilizadas.
Encontramos Marta Pires na central zona de Londres junto ao Hyde Park onde tem o seu consultório e foram muitas as respostas que aqui deixamos, numa entrevista que acima de tudo, se afirma como provocatória. A ciência versus a crença ou ambos os caminhos de braço dado?
Licenciada há 14 anos pela Universidade Lusófona, Marta Pires vive em Londres há 14 anos.
O seu estágio, após a licenciatura, foi na pediatria do hospital de Stª Maria em Lisboa onde trabalhou com crianças internadas em ortopedia. Após este período, veio para Londres para a Tavistock Clinic continuar os seus estudos. Mais tarde, passou ainda pelo sistema de saúde privado para mais tarde abrir o seu próprio consultório.
É depois de um intenso período de trabalho que começa a trabalhar regressão a vidas passadas e foi neste contexto que registamos esta entrevista.
– A regressão de vidas passadas é uma ciência?
– A psicologia é uma ciência embora a técnica de regressão a vidas passadas não seja uma ciência mas uma forma de terapia.
Marta Pires, começa por referir “casos de crianças com memórias espontâneas em que se conseguiu verificar a validade de memória”. Vários livros sustentam a validade deste exercício que Marta Pires abraçou e que é hoje uma das suas principais actividades.
“Eu trabalho vidas passadas quer sejam consideradas como verdadeiras, ou como um trabalho imaginário, como forma de ter acesso ao inconsciente tendo acesso a uma parte de nós que nos ajuda a mudar a nossa vida no presente e a ter mais qualidade de vida. É uma técnica que nos ajuda a conhecermo-nos melhor e de outra forma” – diz ao nosso jornal.
Em teoria, as técnicas utilizadas pela psicóloga nossa entrevistada, deixa-nos próximo das teorias da espiritualidade e das questões kármicas. Será assim?
“Há pessoas que falam no karma, ou seja, tudo o que fazemos para nós, quer seja positivo, quer seja negativo. Tudo o que fazemos connosco é uma consequência para nós e por isso, o karma, pode ser positivo ou negativo.
No meu trabalho, não falo do karma mas tento identificar a origem do trauma ou faço regressão em vidas passadas de pessoas que não tendo um problema clínico querem descobrir quem foram e o que foram numa vida passada. Nestas situações, fazemos apenas uma única sessão e acontece haver mulheres que numa regressão a uma vida passada se encontram no corpo de um homem ou o inverso e estas pessoas, durante a sessão, sentem coisas de forma diferente.”
O confronto, passa pela ciência contrariar a própria ciência e até algumas religiões que defendem que quando o corpo morre, a memória desaparece.
Na opinião de Marta Pires, a ciência não é contrariada explicando que “nós, enquanto seres humanos, já trazemos connosco uma carga genética de várias gerações” comprovando que a ciência defende que “na questão genética, nós trazemos connosco sete gerações. Geneticamente, cada vez mais, temos coisas que estão a ser identificadas na biologia que trazemos das nossas famílias. Portanto, trazemos uma parte biológica e eu acredito que trazemos também uma parte espiritual que se chama o consciente colectivo universal”.
Numa matéria que é no mínimo, confusa, fica a sensação de que a psicofisiologia quer afastar a psicologia do terreno uma vez que a psicologia, através desta técnica, está a entrar em «terrenos» que a ciência não tolera pacificamente.
Torna-se aqui necessário, sem entrar no campo espírita, justificar a técnica usada de forma científica
 
“Mesmo para pessoas que não acreditam em vidas passadas, podemos sempre recorrer às memórias colectivas. Com os pacientes que não acreditam, recorremos à vida imaginária e quando não são interpretadas como vidas passadas, são projecções da própria pessoa”.
Marta Pires, defende que todos nós temos as nossas próprias memórias mas também carregamos as nossas memórias colectivas e a técnica da regressão, garante acesso às memórias colectivas.
“Há pessoas que quando fazem regressão, que quando se encontram na vida passada, passam para a vida futura ou quando se encontram numa vida passada recorrem a uma vida paralela”.
Neste âmbito, mais do que regressão, Marta Pires defende também a progressão visitando assim a vida futura. “Sei que o meu paciente me traz essa história e que ela é significativa e isso é uma ajuda para o paciente. No fundo, é o cérebro, consciente e inconsciente que selecciona aquilo a que temos acesso. 
Acredito que muitas vezes, as pessoas podem ter acesso a vidas que não lhes pertencem. É como se fossemos um computador com acesso à base de dados tendo acesso a determinada vida”.
Num contexto em que as vidas se multiplicam e desmultiplicam numa malha de nascimentos e mortes, de uma só pessoa que alimenta a personalidade e a memória como um corpo se alimenta de refeições, numa cadeia alimentar em que a memória aparece de prato cheio.
Marta Pires explica que “existem muitas teorias e quando o acesso não se dá a vidas passadas pessoais, dá-se o acesso a vidas colectivas em que cada pessoa, é parte de uma memória que pertence a toda a humanidade.
Eu não defendo nem uma nem outra das teorias como verdadeira mas sei que a experiência que tenho é também aquela que eu vivenciei”.
– São essas as ferramentas, que tem para o paciente que vem ao consultório? – perguntamos.
– “Sim, quer se trate de um doente ou uma pessoa que esteja interessada em se explorar a si mesma. Por vezes as pessoas têm sonhos ou memórias espontâneas que lhes transmitem determinadas sensações e que recorrem à consulta mesmo sem terem qualquer tipo de patologia mas querem explorar a experiência de regressar a uma vida anterior. Outras pessoas, recorrem à consulta porque têm traumas ou estão em situação pós traumática que têm medos que não fazem sentido na vida presente, porque nunca lhes aconteceu nada associado a determinada fobia e na regressão a vidas passadas, conseguimos ir à origem do problema. Quando vamos à origem do problema, tanto nos podemos confrontar com a vida actual, como com uma vida anterior”.
– Como se faz a regressão?
“A primeira coisa é a vontade de a pessoa querer ser regredida e o clima de confiança para que essa pessoa, queira trabalhar com o psicólogo que faz a regressão. É preciso que a pessoa permita esse trabalho. Pode ser um trabalho só de experimentação em que a pessoa pretende conhecer a sua vida passada, ou, a pessoa ter um problema concreto e nós trabalhamos com esse sentimento ou problema específico.
O paciente pode estar deitado ou sentado e através da indução hipnótica vamos até onde a pessoa nos permitir”.
– Existe uma relação estreita entre a regressão e o hipnotismo
“Sim. Quando vamos para uma vida passada, entramos em estado de consciência. Há vários tipos de induções hipnóticas. Por exemplo, imagine uma pessoa que está a fazer uma regressão, tem uma dor muito forte e torna-se necessário levar a pessoa à origem da dor que muitas vezes aparece associada a episódios de uma vida passada e vemos assim uma dor actual associada a um episódio de uma vida passada na procura de momentos chave. Por exemplo, o momento da morte é muito importante e até os budistas tibetanos, têm várias teorias em relação a isso. A morte é sempre um momento traumático e por vezes, acontece que as pessoas não têm noção que morreram e permanecem inconscientes em relação à morte e ficam presos e inactivos naquele momento”.
Mais uma vez, a ciência através da psicologia se aproxima do espiritismo, a fazer lembrar os médiuns esteio de encaminhamento a colaborar com os médiuns de incorporação. Nunca a ciência esteve tão próximo do religioso e Marta Pires responde à dúvida: “Se por exemplo morremos na guerra ou alguém nos atacou, se alguém nos cortou o pescoço ou se levamos um tiro que nos provocou a morte, o que acontece é que esse momento é arrastado para a vida que vivemos agora. O que acontece é que normalmente, nessa zona do corpo que foram atingidas, aparecem marcas como consequência do que aconteceu numa vida passada”.
Um tiro dado no coração numa vida anterior pode assim, na luz desta teoria, provocar um sinal físico no peito ou mesmo degenerar em doença cardíaca ou em simples dores no mesmo local que foi afectado pela causa da morte anterior. A psicóloga clínica explica através de exemplos. “Tive uma paciente obesa que tinha perdido 20 kilos através de uma dieta extrema e que acabou a fazer experiências de regressão a vidas passadas tendo descoberto que em vidas anteriores, tinha morrido de fome em teatro de guerra tendo sido soldado.
A mesma paciente que luta com o problema de ter um pescoço duplo, descobriu que numa vida anterior era casada e vivia numa família humilde e que foi casada com um homem muito rico e que se suicidou na época do crash da bolsa de nova York em 1929.
Ele matou-se e a minha paciente ficou mãe de três filhos e começou um novo relacionamento com um homem casado que a assassinou com uma faca por degolamento na idade de 35 anos. 
Descobrimos que foi na mesma idade desta vida actual, que começou a desenvolver esta dupla dimensão no pescoço. São pequenas coisas que podem estar relacionadas e que explicam algumas das dúvidas que temos na nossa vida actual.
Muitos dos meus paciente não acreditam em nada do que se refere às questões da regressão a vidas passadas mas que trabalham através da imaginação pessoal, porque o valor terapêutico destas histórias, tem a ver que estamos a ter acesso ao inconsciente e é aqui, que se encontra a imaginação das pessoas. Em todo o caso, estas são histórias que estão dentro das pessoas e que são coerentes e que as pessoas sentem dentro do corpo. Chega a haver pessoas que sentem o paladar da comida de experiências de vidas passadas.
Acontece haver pessoas que nesta vida não gostam particularmente de comida e que ao visitar uma vida 200 ou 300 anos antes descobrem que gostavam de cozinhar num período em que a alimentação tinha um odor desagradável e que essa pessoa, recorde o cheiro não apenas da comida, mas da própria cozinha. Isto aconteceu-me com uma paciente que nessa regressão descobriu que tinha sido empregada de uma casa e que adorava comida e cozinhar e o cheiro dos alimentos cozinhados. Trata-se de uma pessoa que não acreditava nesta técnica e que depois descobriu as razões pelas quais nesta vida não valoriza algumas coisas”.
– No estado de indução hipnótica a pessoa pode acordar porque quer ou isso depende do critério do clínico?
“O doente está consciente de que está no consultório e pode acordar a qualquer momento do estado hipnótico por vontade própria. Ao longo do processo, as pessoas relatam o que estão a sentir e muitas vezes peço-lhes um retorno à história. Quando acordam, lembram-se de tudo o que aconteceu nessa sessão e geralmente, nos dias seguintes, existe uma tendência a recuperar novas memórias que estiveram ausentes ao longo da sessão. Na semana a seguir à sessão, é possível que as pessoas tenham acesso a mais memórias”.
Na experiência de Marta Pires, após a sessão de regressão, “é provável que a mente levante novas memórias como se fosse uma recordação de infância. Na medida em que nos deslocamos à história, levantamos mais memórias.
A senhora de que lhe falei antes e que tinha sido assassinada com uma faca no pescoço numa vida anterior, voltou uma semana depois da sessão de regressão, por ter descoberto que nesta vida actual, está casada com alguém que já tinha sido seu marido numa vida anterior e autor do seu homicídio
Cada vez que vamos a uma história, surgem sempre novos pormenores.
Ambos, decidiram voltar juntos nesta vida e tentar ter um relacionamento de forma diferente e hoje têm uma vida em comum com dois filhos a estudar na universidade”.
A proximidade entre as teorias da regressão pela ciência da psicologia e o espiritismo, fica aqui de tal forma curta, que não resistimos a perguntar se Marta Pires já tinha lido algum compêndio de Alan Kardeck?
– “Já ouvi falar mas nunca li” – respondeu ao nosso repórter.
A nossa entrevistada, reconhece porém que existe uma aproximação entre os factos das duas teorias. “Acredito em vidas passadas da mesma forma que acredito na existência da alma, que nada se perde e tudo se transforma e tudo está demonstrado na física”.
Quanto ao Divino, Marta Pires acredita que “cada um acredita no seu Divino e que o importante é que as pessoas acreditem em algo de positivo mesmo sem a necessidade de conotações religiosas, até porque por vezes, é no contexto da religiosidade que se constroem as maiores atrocidades humanas em nome de Deus” – refere.
“Todas as religiões têm um fundo muito bom mas também todas elas têm diferentes interpretações conforme as vivências de cada pessoa” – afirma.
Na base desta teoria, consideramos assim que cada pessoa é mais velha do que imagina, teoria que colhe também o acordo da nossa entrevistada.
– Num exercício de regressão, quantas vidas podemos andar para trás?
“Não contabilizo esse pormenor. Quando faço uma regressão com um paciente, o que importa é tratar o assunto em causa e esse exercício contabilístico não faz parte do roteiro da sessão. No curso da sessão, o que importa é ir à origem do problema que leva a pessoa ao consultório.
É como se fossemos um arquivo de vidas e o inconsciente vai seleccionar o detalhe que importa para tratar aquele assunto em particular permitindo ao paciente olhar para a vida actual de uma forma diferente e a fazer escolhas de outra forma”.
Entre a regressão e a progressão, existe uma técnica comum contudo, não se exerce a adivinhação porque a escolha é sempre uma componente presente. “A progressão, é um exercício a usar quando as pessoas têm que fazer uma escolha de ordem pessoal. É sempre possível levar as pessoas ao futuro com duas saídas claras. Uma delas será sim, outra será não. Quando falamos por exemplo em termos de relacionamento pessoal ou em termos de carreira profissional e através da progressão podemos avaliar os vários futuros possíveis, tal como no passado em que há vários passados possíveis.
Em progressão, avaliamos as consequências de diversas escolhas e por aqui os futuros possíveis analisando dois pólos. O positivo e o negativo e a progressão não se repete estando limitada a uma única sessão” – diz para continuar – Com uma paciente que pretendia redesenhar o seu aspecto físico, fizemos uma progressão e ela viu-se como uma mulher que tinha uma relação saudável com o corpo e que estava num hospital a prestar ajuda a mulheres e crianças a serem confrontadas com o seu próprio corpo. Não sabemos se esse é o futuro mas é uma história que traz esperança e ajudou o percurso terapêutico desta paciente”.
Perante a discurso de Marta Pires, importaria saber mais alguns detalhes e não hesitamos na pergunta:
– Posso nascer meu neto? – atalhamos.
– “Pode. Conheço uma pessoa que perdeu a mãe depois de ter a primeira filha e quando lhe nasceu o segundo filho após a morte da mãe, estava a ler uma história ao segundo filho então com 4 anos e que referiu à mãe a lembrança de que depois de ter morrido, «eu estava no céu e não te conseguia abraçar. Tive que esperar mas estava sempre contigo e a tomar conta de ti e tive que esperar até agora para poder estar contigo e te poder abraçar», momento em que abraçou a mãe.
Nesta revelação, descobriu-se entretanto que o agora filho, tinha antes sido a sua própria mãe. 
As crianças têm memórias espontâneas com mais facilidade principalmente nos primeiros sete anos. Depois disto, dá-se uma transformação no nosso cérebro pelas alterações emocionais e há muitas crianças que fazem comentários sem que os pais tenham noção e pensam que as crianças estão a brincar”.
Marta Pires, afirma ter pais que a contactam porque os filhos têm expressões de memórias que se relacionam com memórias activas dos próprios pais.
No mesmo caso atrás referido, a mesma criança refere memórias de «antes quando eu usava saias» e outras em que se identifica com a cidadania francesa numa memória longínqua mas absolutamente actual.
A lembrar que «não há maus rapazes», Marta Pires refere o trauma como a causa. “Quando alguém tem uma acção que não é muito positiva para com outro, cria um ciclo que abrange a vítima e o ofensor. Este ofensor, geralmente, antes foi vítima e através deste género de terapia, procura-se um ponto em que feche este ciclo.
Como exemplo, Marta Pires refere o caso de “uma criança que em casa tenha um pai difícil e que por consequência disso, chegue à escola com baixa estima pessoal e com práticas de bullying. Nesta dinâmica, o ofensor só se sente bem quando tem o poder porque retira o poder do outro. Gera-se assim na sociedade, um tipo de personalidades em que as pessoas para terem algum poder, têm que retirar o poder a outras pessoas. É uma estrutura em que algumas pessoas, para se sentirem melhor, têm que fazer com que outros se sintam mal. Uma pessoa que está bem com ela mesma, não precisa de fazer com que outro se sinta mal” – remata para acrescentar – “É uma dinâmica em que há partilha de poder e quando isto não acontece, temos apenas quem tem todo o poder ou quem não tem nenhum poder e este é um ciclo que se propaga e que se reflecte em todas as áreas da vida”.
Num pensamento quase alinhado nas questões karmicas, Marta Pires desmistifica as consequências. “Eu não vejo a questão como forma de remissão mas sim de crescimento.
Há teorias que dizem que escolhemos os pais antes de nascer e por vezes, os pais que causam abuso e sofrimento aos próprios filhos, são pessoas próximas no mesmo grupo de almas que fazem o sacrifício de causar esse sofrimento que pode gerar crescimento pessoal”.
Confrontada com os seus próprios argumentos, Marta Pires defende que para que o bem exista, é obrigatório existir o mal como duas faces de uma mesma moeda. “Todos nós já tivemos vidas em que cometemos atrocidades e nas vidas seguintes voltamos para aprender.
Um dos meus pacientes teve uma vida em que tinha cometido várias atrocidades com vários homicídios somados e que na vida seguinte, trouxe essa consequência no corpo tendo passado toda a vida num hospital, isolado e atrofiado num ritmo de aprendizagem que lhe mostrasse a valorização da vida”.
Cada vez mais, Marta Pires deixa as técnicas desta nova ciência incluída na psicologia, nas teorias das malhas espíritas. A nossa entrevistada, refere mesmo que “ambas as teorias coincidem entre si sem que isso constitua um atropelo à ciência. A tolerância pode bem ser a lição a aprender uma vida inteira” – diz.
Ao longo das sessões de regressão, acontece mesmo haver pessoas que perdem momentaneamente a sensação física e mais uma vez, a noção espírita, encurta as distâncias entre ambas as teorias.
“Quando temos um trauma, temos um esquema de dissociação e isto significa que há uma parte de nós que se dissocia de outra parte de nós. Na dissociação, nós saímos do nosso corpo para dentro numa espécie de slogan do «vá para fora, cá dentro» e em vez de viajarem para outros locais, viajam para outras vidas, como se fossemos uma bola energética, ou como se nós fossemos como um queijo suíço com muitos buracos. Por outras palavras, nós não estamos lá e não podemos funcionar a 100% e essas partes estão escondidas dentro de nós.
Perante um trauma de violação ou de violência seja nesta ou noutra vida, há pessoas que estão fora do corpo a assistir a tudo e quando uma pessoa está fora do corpo a sua sensibilidade física é eliminada como mecanismo de defesa. Isto nada tem de espiritismo. É a teoria da sobreposição do trauma.
Cada vez mais, temos psiquiatras a trabalhar a regressão em consultório a fazer lembrar os académicos que alguns anos atrás recusavam a teoria das vidas passadas e que hoje exercem a técnica de forma terapêutica. Mesmo os mais resistentes, estão agora mais abertos às novas teorias e a aderir a estas técnicas de regressão a vidas passadas. Ao mesmo tempo, cada vez mais cresce a esperança fundamentada em grupos de experiências a diversos níveis patológicos.
Marta Pires, refere aqui dados científicos sobre “grupos de estudo distintos, em que um grupo de pacientes tem um grupo de apoio que literalmente reza por eles e outro grupo, que não tem ninguém que o faça e a conclusão científica é, que o grupo de pessoas que tem alguém que reze por eles tem recuperações mais rápidas o que conduz a novas investigações sobre as capacidades de as pessoas acreditarem nas funções da energia e voltamos ao «nada se perde, tudo se transforma»”.
– Tudo tem a ver com as energias?
– “Sim”.
– Será que esta terapia funciona para todo o tipo de patologias?
– “Não. Uma regressão a vidas passadas é muitas vezes feita com pessoas saudáveis que têm a curiosidade de saberem mais sobre si e sem qualquer tipo de patologia clínica.
Normalmente, pessoas psicóticas e esquizofrénicas ou que ingerem medicamentos anti-psicóticos, não devem fazer este tipo de terapia e não devem fazer regressões porque não sendo útil não é recomendável. É no entanto recomendável para todos os outros tipos de patologias físicas. Normalmente, o que acontece é que o corpo físico começa por acusar o trauma emocional quando ele acontece e é aqui que incidimos a terapia porque os traumas emocionais não são expressos e assim passam para o corpo. Nós, trabalhamos com o corpo” – diz.
Quanto ao numero de sessões (regressões) necessárias, Marta Pires afirma que “uma sessão basta para fazer uma regressão a vidas passadas. Para uma experiência é o suficiente. Geralmente, as pessoas que fazem uma experiência, tendem a solicitar mais uma sessão e isso é recomendável para fazer uma integração de material ou para fazer mais uma exploração”.
Uma sessão tem a duração de 2 horas e 30 minutos e começa por um questionário que predispõe o paciente para a fase seguinte que passa por uma conversa e depois a regressão propriamente dita e a integração da história de vidas passadas da pessoa.
Cada sessão tem um custo de £300.00 por uma sessão de 150 minutos que é executada por uma especialista que neste caso, é também discípula dos maiores nomes mundiais desta actividade. “É como uma prenda que a pessoa dá a si mesma caso não haja patologias ou um tratamento quando acontece haver razões de natureza clínica”. Em qualquer dos casos, diz a nossa entrevistada, “é um investimento que as pessoas fazem nelas mesmas”.
Para todos os efeitos, a regressão acaba como um produto para pessoas que querem saber mais sobre si próprias ou que procuram causas para uma patologia ou soluções de tratamento. Em qualquer dos momentos da regressão, o paciente ou cliente, pode simplesmente recusar responder ou, em casos mais complicados, acordar da indução e interromper o processo de forma consciente.
“Tendencialmente, a resistência pode acontecer não pela pessoa que está na consulta mas pelo personagem que está a ser recordado numa vida anterior e nós trabalhamos com esse sentimento que é sempre contextualizado. Parar a regressão, pode também acontecer por levar a situações de trauma intenso e respeitamos a vontade do cliente ou paciente de acordo com as suas instruções”.
Trata-se de uma técnica que incide especialmente no tratamento de fobias e traumas e que aborda não apenas as vidas passadas mas também a vida actual utilizando as mesmas técnicas regressivas.
Marta Pires, reconhece uma aproximação entre esta técnica e a parapsicologia, tratando-se de psicologia transpessoal. “Está cada vez mais próximo mas não precisa de estar muito próximo porque são teorias aparentemente aproximadas mas na prática mantêm muitas distâncias”.
No remate, não são apenas as regressões que contam já que o essencial do trabalho de Marta Pires é a integração na vida actual. A razão para a regressão, justifica todas as outras o que faz desta técnica uma área em franco crescimento.
Marta Pires passa a fazer parte do lote de cronistas do Palop News para 2015.
 
Se tem algum assunto que pretende ver abordado nas minhas crónicas ou se tem alguma questão que gostaria de colocar , envie o seu e-mail para  marta_pires@yahoo.com .

Crónica por: Marta M Pires
Psicóloga Clínica
PN
www.martapires.com

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