Uma viagem para lado nenhum
Wednesday, November 14, 2018.

Um novo escritor português surge na Suiça com um trabalho que tem quase tudo para bater certo.
O escritor Angelo de Carvalho agarra num dos temas mais perversos e controversos que a humanidade enfrente e rasga uma teia de acontecimentos que prende a atenção do leitor.
A industria farmaceutica, os projetos de investigação e a máfia paralela que este segmento da economia desenvolve, são o tema central de uma história que argumenta o que todos sabem mas poucos ousam dizer sobre uma das mais poderosas senão mesmo a mais poderosa industria do Mundo.
A história inclui um conjunto de peripécias provocadas por uma carta que atravessa o Atlântico sem que o seu portador saiba que a transporta. Depois do primeiro homicídio num aeroporto da América do Sul, a perseguição passa para o portador que desconhece em absoluto o que pretendem os seus captores.
Envolto na procura da carta que contém sérios segredos de um investigador de um laboratório, um português acaba por se ver com a vida virada do avesso em continuados episódios em que salvar a vida é o único objetivo.
Uma cena de sexo magistralmente escrita, arrasta o leitor para um final que merece mais.
Ao longo da obra, o autor manifesta uma preocupação nos detalhes geográficos onde a história se vai passando em vários países da Europa e da América do Sul com um estilo quase queirosiano que fará algumas delícias para os apreciadores do género.
Uma leitura fácil e corrediça que peca na finalização já que a industria dos medicamentos oferece mais “pano para mangas” que não foi explorado até aos limites. Personagens que entram no livro e desaparecem para não voltarem a aparecer ficando á imaginação de quem lê encontrar a possível continuidade do personagem.
A exploração comercial e a investigação aqui abordadas, ficam aquém da realidade já que esta é bem mais dura e cruel do que a descrição mostra apesar de estar presente uma história que explora as experiências científicas com matéria prima humana ao arrepio dos direitos humanos.
Investimentos internacionais e um mar de corrupção a envolver personagens do circo da Fórmula 1 e milionários árabes, oferece ao livro um ambiente que o autor descreve de uma forma interessante levando o leitor a estar presente em reuniões de altos dignatários onde se tomam decisões que favorecem o poder do dinheiro em prejuízo do conforto da sociedade e, sob este ponto de vista, o autor toca as consciências de quem lê num exercício de denúncia de realidades que estão presentes no quotidiano de todos nós.

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