Um engano nunca está só
Sunday, November 18, 2018.

As mais recentes notícias a passar nos telejornais, mostram de que forma as circunstâncias de vida podem mudar sem que nada mude.
Isaltino Morais, foi detido e, pelo que parece, por engano. O sobrinho que tem na Suiça, a quem foram detectados muitos milhares de euros deixou de ser argumento e os jornalistas esqueceram rápido as razões que fizeram o processo. Quanto ao sobrinho de Isaltino Morais, até podia ter os tais milhares de euros, não fosse o caso de ser taxista e não conseguir justificar os valores depositados. Afinal, tanto quanto parece, o dinheiro era do tio. A memória curta do povo, concede porém o perdão que os jornalistas não deveriam esquecer mas que parecem estar também a fazê-lo. Isaltino, terá sido preso, ou solto por engano. Nunca saberemos.
Detido o Presidente da Câmara de Oeiras, à que o libertar de imediato. 1 dia de cadeia é quanto basta para pregar um susto a Isaltino Morais que teve que adiar a inauguração prevista para o fim do dia.
– Preso por engano – disse o advogado do autarca para logo a seguir ser o próprio a dizer que não tinha importância. Afinal, errar é humano.
Os espertos da nação, conseguem de facto enganar um povo inteiro que aceita que Isaltino tenha sido preso por engano e que depois este não aproveite a deixa para tirar partido político da situação. Somos afinal um povo que não sabe ler a notícia que não acontece.
Em jornalismo, muitas vezes, o jogo passa não por publicar mas precisamente pelo contrário e se podemos aqui dar uma informação é precisamente esta.
Quando lemos uma matéria, estarmos atentos não tão só áquilo que ficou dito ou escrito mas antes, questionar os assuntos que não foram sequer abordados.
Porque razão Isaltino Morais não faz como todos os políticos quando provam que foram presos por engano, mesmo quando na realidade o enganado somos nós?
O mais natural, seria Isaltino Morais processar o Estado pela sua detenção ilegal que afectou o seu prestígio e bom nome.
Ao não o fazer, Isaltino morais não se sente como filho de boa gente ou, em alternativa não lhe é conveniente avançar com essa estratégia. Se pensarmos que Isaltino Morais é advogado de profissão, temos então a certeza que a estratégia é puramente técnica. A tal técnica de que o povo nada entende.
Afinal, a unica coisa que nós povo entendemos é sobre pagamentos e por isso pagamos sem protestar ou como se diz em bom português, pagamos e não bufamos.
Estranha-me que Oeiras não saia à rua em peso como no S. João do Porto a gritar alto e bom som a demissão do político.
Espanta-me que Isaltino Morais não cubra a cara de vergonha e se demita que é o que faria qualquer outro político de leite materno honesto. Mas não. Isaltino Morais mantém-se de pedra e cal porque sabe que no dia em que deixar o poder, deixará de o ter e a justiça terá campo aberto que é aquilo que não tem agora.
Alguém acredita que com tantos autarcas ao serviço da política portuguesa, todos sejam honestos? Matemáticamente impossível contudo, nenhum condenado a pena de prisão efectiva. Não somos capazes de ver um político bater com as costas na cadeia mesmo que a estatística e a matemática digam que tal deveria acontecer.
Matemáticamente falando, fica demonstrado que os braços da justiça chagam apenas a quem não tem uma filiação política no poder instalado. Com uma justiça assim, não admira que a democracia não funcione porque a justiça é o pilar essencial dessa mesma democracia. Sem ela, temos a tirania a que estamos a assistir que se espalha por Portugal inteiro até ás ilhas que na Madeira então, assume contornos verdadeiramente assustadores.
Quantos empregos dependem da máquina de Alaberto joão Jardim? Quantos? Parece ninguém saber.
Quantas casas dependem da mesma máquina no “housing benefit” madeirense? Quantas? E aqui temos mais uma pergunta a que ninguém responde.
Espanta-me a lata de Alberto João Jardim a reclamar uma independência para a Madeira para no dia seguinte desdizer puxando à baila da conversa o contorcionismo político de que o que hoje é verdade, amanhã, poderá ser ou não.
Recordo-me de uma crónica que passei nos microfones desta mesma estação muitos meses atrás em que José Sócrates dizia.
“Não senhor deputado; o desemprego não aumentou. O que aumentou foi o numero de pessoas que andam à procura de emprego” – disse referindo-se aos estudantes que abandonavam as universidades e não encontravam emprego.
Habilidosos, os políticos portugueses descobriram que não estando inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional, os desempregados não contam como tal. E eu pergunto:
Se não são desempregados, se não estão empregados, o que são então estas pessoas?
Desisto de procurar porque o que não tem explicação está explicado. Descubro apenas que a política, a exemplo da religião tem os seus dogmas.
O dogma de libertação de Isaltino Morais que se diz inocente com as provas da culpa a babarem da sua barba penteada, o dogma de Alberto João Jardim que diz haver apenas um buraquinho que afundou Portugal inteiro e o dogma de um povo burro que somos nós que continuamos a engolir os bicos dos seus biberões.
A nossa salvação, são os acidentes. Por acidente e só por acidente, acredito que seremos capazes de passar esta classe política à categoria seguinte.
De bestial a besta.

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