Um açoreano em Londres com “Bom tempo no canal”
Thursday, September 20, 2018.

Pedro Almeida Maia esteve em Londres a promover o seu recente trabalho “Bom tempo no canal” que foi galardoado num concurso literário.
Ilhéu do mesmo arquipélago que Vitorino Nemésio, Alameida Maia trouxe à actualidade o colosso literário açoreano enquanto traça as malhas da ficção.
O mesmo canal que fascinou Nemésio, serve de cenário natural a uma intriga que bem podia ser verdade.
O negócio do fornecimento de energia tornou-se tal forma atractivo que todo o tipo de sabotagens é permitido. O livro leva um enrredo onde “vale tudo menos tirar olhos” num clima em que a história é cortada no auge para o capítulo seguinte para depois ser apanhada de novo no seguinte como se com as palavras houvesse uma teia de labirintos.
“A energia geotérmica, é o filão de um arquipélago que nos ultimos vinte anos se converteu à modernização e alterou todas as regras da imigração” – diz o autor.
O fundamento político do escritor, rói as malhas da liberalização do Mercado da Energia a ensaiar  os meandros de um negócio de muitos milhões.
“Nos Açores é diferente” – diz Almeida Maia. “Somos ilhas vulcânicas conseguimos aproveitar a Energia Geotérmica”. É a partir daqui que o livro se desdobra em grupos secretos, explosões “acidentais” e raptos nas ilhas conhecidas pela sua paz de espírito.
Um ambiente de intriga que aquece com o calor que vem das entranhas de um cozido nas furnas.
“No tempo dos romanos a Energia Geotérmica já era aproveitada para os saunas” em água quente da terra que não precisava ser aquecida – diz o escritor.
A Ilha de S. Miguel, rainha da história, tem já 60% das suas necessidades asseguradas com a Energia Geotérmica. Uma multinacional, pretende rasgar mercado e escolhe métodos pouco recomendáveis são os argumentos que revestem a história.
“Há muitas verdades neste ficção” – é uma expressão do autor que não esconde os desejos de matar e de viver. O escritor, acredita que haja pessoas a viver nos Açores que se possam identificar com as suas personagens literárias.
“Há muitas consciências adormecidas nos Açores e a nossa realidade precisa de ser encarada de uma forma mais consciente e responsável e eu acredito que isso vai acontecer” – diz Almeida Maia que acredita que os gestores da Energia Geotérmica nos Açores são produto de um investimento de muitos anos. O escritor reafirma a vontade política dos Açores em investimentos nas energias alternativas prevendo que exportar, pode ser uma boa forma de olhar para o futuro. “Se fosse possível extrair essa energia e fazê-la circular, seria possível exportar energia” – diz o escritor açoreano verdadeiramente apaixonado pela sua terra.
Almeida Maia assume que o valor da Energia Geotérmica dos Açores em ficção, dá uma história para matar muita gente mas na realidade, no “momento certo, as decisões são tomadas de forma consciente”.
O escritor, está ainda ligado à actividade musical onde tem investimentos. Ao contrário do que se possa pensar, os Açores têm muita actividade musical. “A alma do ilhéu tem que extravasar por algum lado e as artes acabam por ser uma forma de expressão. A musica será talvez a mais comum” – diz o nosso entrevistado.
“Guitarra, piano, baixo e voz”, é a forma de este ilhéu extravasar pela musíca. Encontrou nas letras outro caminho para extravazar.
O livro peca por excesso de anotações de rodapé para o género literário embora se acredite que tenha sido devido ao impacto do concurso que a obra venceu. Pela positiva, o excecional trabalho que promove seguramente os Açores em diversas das suas vertentes que abre a janela para que a história continue.
O percurso do livro, é sobretudo imaginativo deixando que se adivinhe um processo de maturidade para o escritor.
Depois do êxito com a energia, o autor deixa no ar um segundo volume da mesma saga que desta feita, deixa a energia para ameaçar a arqueologia dos Açores.
O autor, fez ainda questão de deixar um livro autografado na biblioteca do Centro Comunitário em Kennington.

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