Tuga Marraquexe
Friday, October 19, 2018.

O desafio aparece quando menos se espera. Um jornal português em Londres aceita o desafio de encontrar e mapear a Comunidade Portuguesa numa cidade pouco provável. Marraquexe, ou como é conhecida, a cidade vermelha devido à cor da própria terra avermelhada que se traduz na cor dos seus edifícios.

A tarefa, consiste em encontrar quem seja residente e fala português naquela cidade, saber o que fazem, quantos são e como se organizam. Um deserto de oportunidades para acontecer.

Na mala, metemos tudo o temos com as cores verde-rubro. Lenços, chapéus, braçadeiras, t’shirts e bonés que identificam as cores de Portugal. Queremos ter a certeza que nenhum português vai cruzar o nosso caminho sem nos ver.

Na primeira abordagem, reunimos os sponsors que nos permitiriam visitar a cidade e encontrar portugueses. Foi o que fizemos.

Restaurante Português em Londres

Contactamos a nossa referência em Marraquexe e foi-nos pedido para levar bacon. Parecia ser um disparate carregar a mala de bacon para visitar um país muçulmano. “O máximo que pode acontecer é o bacon ficar confiscado no aeroporto” – diz-nos o nosso contacto em Marraquexe. Decidimos arriscar com quatro embalagens.

Curiosamente, foi na partida de Luton (Londres) que abriram a nossa mala.

– Você tem comida na mala?
– Sim – respondemos.
– Posso ver?
– Claro que sim.
Quando finalmente o agente da autoridade vê o bacon, dissemos:
– É para o pequeno-almoço.
– Bom apetite (Enjoy your breakfast) – foi a resposta. E seguimos caminho com o bacon na bagagem.
Aeroporto de Menara – Marraquexe

Na chegada a Menara (aeroporto de Marraquexe que sofreu obras de ampliação e se mostra funcional), a mala passou os testes de segurança sem qualquer questão. Antes porém, uma curiosidade digna de registo.

Antes de passar o serviço de fronteiras, tivemos que preencher um formulário com algumas questões de ordem pessoal. Nome, origem, endereço de hospedagem, datas de entrada e saída e…, profissão.

– Jornalista – escrevemos no formulário.

Ao passar o controlo, o agente pede o nome do Meio.

– Palop News.

Infantário – Lambeth

Perante a dificuldade em entender o nome, o agente da autoridade virou o formulário do lado contrário e copiando de um cartão-de-visita escreveu o nome Palop News. O formulário ficou em poder do agente. Ficamos desconfiados de uma polícia de Estado. Ou, no mínimo, um controlo apertado. Nada de preocupante. Não é a política que nos leva a esta terra.

Dirigimo-nos para a saída do aeroporto. Começava a aventura de encontrar portugueses numa cidade pouco provável. Antes da partida, fizemos a pesquisa pela internet. António, português a viver em Marraquexee foi o primeiro português residente naquela cidade que encontramos ainda antes de sairmos de Londres. Pretendíamos arrepiar caminho antes mesmo de chegar. “Sim, fui professor na Escola Americana em Marraquexe, o lugar mais fantástico que conheci na minha vida mas já não resido lá” – estava encontrado o primeiro fracasso.

– Conhece outros portugueses a residir na cidade? – Perguntamos.

– Conheci dois casais mas já regressaram a Portugal – foi a resposta.

Portuguese Restaurant Stockwell

Continuamos a pesquisa antes da partida. Sem resultados satisfatórios. A solução seria partir e fazer o nosso trabalho que começou no exacto momento em que entramos no táxi previamente contratado.

– Conhece algum português aqui em Marraquexe? – Esta seria a pergunta que teríamos que fazer a cada pessoa que pudéssemos contactar.

– Não – foi a resposta repetida até à exaustão.

Em minutos, estaríamos a cruzar a famosa mesquita  Cutubia

Mesquita Kutubiya

(ou Kutubiya cujo nome significa bibliotecário), o mais alto edifício da cidade cuja construção iniciou em 1147 e cuja história haveríamos de saber mais tarde. Em verdade, em Marraquexe, é proibido construir edifícios mais altos que esta Mesquita que ostenta simples 69 metros de altura. Esta Mesquita está para Marraquexe, como o Big-Ben está para Londres ou a Torre de Belém está para Lisboa, o Cristo Rei para o Rio de Janeiro. Na vista da cidade, este momento dedicado aos manuscritos da antiguidade, mostra-se o mais imponente edifício.

Portuguese Restaurant Stockwell
Portuguese Restaurant

Chegados ao hotel Riad Emberiza Sahari, era a hora de descansar da viagem, comer alguma coisa e preparar o dia seguinte. Decidimos sair para uma volta na Medina, local de excelência em Marraquexe. As ruas estreitas, os vendedores em todas as esquinas e o nosso desejo de não sermos tão turistas. Afinal estávamos a trabalhar mas a forma como nos vestimos e andamos por Medina, não engana os vendedores. Mergulhamos no mercado a que haveríamos de voltar mais tarde para fotografar o primeiro português que encontramos.

Rua de Medina

Nas estreitas ruas do extenso mercado, os vendedores desafiam-nos em várias línguas. Começam a aprender línguas desde pequenos. “É a única forma de fazerem negócios com os turistas” – diz-nos um habitante local.

Duas cidades

Durante o percurso para o hotel, o motorista foi explicando as diferenças do que vimos. A cidade com um milhão de habitantes, divide-se em duas diferentes versões. A cidade nova por onde acedemos no percurso e a velha cidade onde o calendário parece ter parado muito tempo atrás. Haveríamos de ter uma experiência ainda mais intensa sobre este detalhe mais à frente.

Serviços de tradução. Contabilidade e financiamentos

Na cidade nova, os edifícios recentes misturam-se com lojas de conhecidas marcas internacionais. Numa destas lojas, descobrimos uma loja propriedade de um português com produtos exclusivamente portugueses. Disso falaremos adiante. parte da cidade, dizem-nos, estamos a assistir ao efeito de Maomé Vl, Rei de Marrocos desde 1999 e que sucedeu ao seu pai.

Na cidade velha, uma mescla de cheiros e cores invade-nos os sentidos. No coração da bíblica Medina, encontramos um ambiente descrito na história e sentimos que o lugar onde estávamos, era o berço da história que vimos em filmes, que sabemos pelos livros ou por memórias das artes.

O trânsito

Já tínhamos experimentado o trânsito da cidade no caminho do aeroporto para o hotel mas sentir a anarquia andando pelas ruas revelou-se uma aventura. Não podemos esperar pela oportunidade de atravessar a rua. Temos mesmo que rasgar a oportunidade mexendo os pés numa direcção e os olhos em todas as direcções. Quase inacreditável como não vemos acidentes acontecer entre peões, carros, bicicletas, triciclos motorizados, motos, burros e carroças empurradas manualmente ou de qualquer outra forma seja nas pequenas vielas da cidade tradicional ou na auto-estrada. Seguimos caminho trucidados de emoções. Este não é definitivamente o mundo que conhecemos na Europa. É outro muito diferente.

Oficina automóvel. Mecânica, chapeiro e pintura

Neste primeiro dia, tentamos encontrar vestígios da Língua Portuguesa. Um símbolo? Uma loja? Um restaurante? Nada.

Foi quando atravessamos uma pequena praça em Medina que ouvimos falar português. Voltamos atrás e descobrimos um grupo de quatro jovens portugueses que estavam de visita em turismo. Não era o que procurávamos. Cumprimentamo-nos e despedimo-nos.

Mais à frente, uma camisola da selecção portuguesa de futebol. Outro tiro no escuro. Era um cidadão local. Não falava português sequer. Seguimos em frente até o dia acabar.

No dia seguinte, voltamos para a aventura. Abrimos a internet na esperança de que o IP do hotel nos fosse favorável. Nem uma pista. Havia a esperança de conseguirmos encontrar o que procurávamos mas o dia acabou da mesma forma. Nenhum português, nem um vestígio, nem uma amostra. Ainda escrevemos à Câmara de Comércio em Casablanca no sentido de colher alguma informação mas não obtivemos resposta.

Restaurante Bar Dancing Londres

Regressamos ao hotel. Mais um dia estava para vir. Desta vez, com resultados.

Subimos ao terraço de um bar para uma água que pudesse esfriar o calor acima de 40º. De um tecto improvisado feito de tecidos coloridos, podemos ver o mercado  na rua enquanto somos borrifados por jactos de água que saem do tecto de pano do bar. Ao entrar nessa esplanada, num segundo andar, a primeira coisa que ouvimos foi em português. Dois homens sentados conversavam. Um deles ao telefone falava em francês e interrompia para falar com o companheiro em português. Seriam residentes?

Vista do mercado a partir da esplanada

Um sim. O outro é jornalista e estava em trabalho. Entabulamos conversa e agendamos encontro para o dia seguinte. Por acidente, acabamos por visitar a loja deste português no mesmo dia. Dessa loja, falamos no artigo Joykech Bazar Génio criativo português na Medina do João Ribeiro.

Estava lançada a esperança de encontrarmos outros portugueses depois de termos encontrado o primeiro. Pura mentira.

“Os portugueses não têm um «gueto» em Marraquexe como os espanhóis ou mesmo os franceses e italianos que se comunicam entre eles de forma comunitária” – disse João Ribeiro. Foi o maior choque.

– Quantos portugueses pensa que vivem em Marraquexe?

– Na melhor das hipóteses, talvez uma centena mas não convivemos uns com os outros. Nem sequer nos conhecemos diz-nos João Ribeiro o criativo que escolheu Marraquexe para viver e trabalhar em 2010.

Portuguese Restaurant Stockwell
Portuguese Restaurant

Numa cidade com um milhão de habitantes, descobrir uma centena de portugueses seria tarefa para muito tempo. Fizemos o que pudemos.

Partimos à procura e ouvimos falar de uma Rita que gere um riad (pequeno hotel  tradicional) Riad Due Rita que é propriedade de um português que reside em Portugal.

Telefonamos e fomos atendidos. Puxamos do melhor francês que temos em termos linguísticos mas sem êxito. Tentamos no nosso melhor inglês com o mesmo resultado. Quem nos atendeu não sabia dizer mais que a palavra “hello”. Depois da terceira tentativa, desistimos. Ficará para uma próxima.

Restaurante Mercearia

Partimos para a seguinte. Beatriz Máximo relacionada com um hotel nas montanhas a fugir de vista. Fomos visitar o hotel num lugar absolutamente impossível. De Jeep, subimos uma colina com cerca de um quilómetro em terra batida. Tudo era improvável. No cimo da montanha, um edifício mostra um hotel Kash Bab Ourika  onde acampamos para almoçar. Pelo caminho, decidimos conhecer as instalações. Restaurante, hotel, SPA, piscina, um fantástico jardim e uma vista sobre as montanhas de arrepiar os sentidos. Um quintal de onde o hotel colhe o seu consumo agrícula. O calor estava no limite do suportável para quem está habituado ao clima de Londres. Nem à sombra se estava confortável. Era o preço do trabalho.

Beatriz Máximo estava ausente em Portugal. Mais um frete «morto». Não desistimos. Fomos procura-la onde estava. Em Portugal.

Vista da esplanada do hotel Kasbah Bab Ourika

Beatriz Máximo, natural de Unhais da Serra no Concelho da Covilhã está em Marrocos desde 1999. Por Formação é enfermeira de psiquiatria, curso que tirou na Universidade de Castelo Branco mas não foi essa a vocação que seguiu.

Visitou Marrocos sem procurar nada e encontrou o futuro que hoje é o seu presente.

Antes de Marrocos e em trabalho para organizações internacionais, passou por Espanha, Suíça, Singapura Sudão e Índia. Antes, pensou mesmo em cursar fotografia mas é nas viagens que encontra o seu destino. “Sempre tive o sonho de viajar” – confessa ao Palop News. A exemplo de João Ribeiro, também ele a viver em Marraquexe, a Índia parece ter sido a inspiração do exótico. “Apaixonei-me pelo país, pela cultura e sobretudo pelas pessoas” – diz a enfermeira que deixou de o ser.

“Marrocos tem uma vibração muito especial” – diz Beatriz Máximo para adiantar – “Em Marrocos senti-me em casa. Os marroquinos têm má fama mas bons e maus existem em todo o mundo. Eu nunca conheci pessoas tão genuinamente boas como em Marrocos” – confessa a empresária em cujo hotel trabalham hoje 66 pessoas. “Vivemos como em família” – refere.

Sobre a vida de uma mulher num país de cultura religiosa muçulmana, a empresária afirma que “Quando vamos para um país temos que assumir e aceitar as diferenças. As mulheres são tratadas de uma forma diferente, por vezes tenho que me impor – atira. “Quando eu falo com alguém e a resposta vai para o homem que me acompanha eu faço questão de referir que a resposta é minha e não do homem que me acompanha” – diz Beatriz Máximo para adiantar “Eles são machistas mas com as estrangeiras é diferente. Não há abusos. Os homens metiam-se mais comigo em Espanha do que em Marrocos” – refere.

Hotel Medina – Marraquexe

Sobre essa vontade de viajar e assentar arraiais a empresária refere a sua infância. “Lembro-me dos comediantes que passavam na minha aldeia e a minha mãe fechou-me uma vez em casa porque eu lhe disse que «Os comediantes amanhã vão embora e eu vou com eles». A vontade de viajar vem de criança” – diz Beatriz Máximo para adiantar “Sempre disse que se um dia for a África fico lá. E fiquei. Embora no Norte de África” – revela e adianta “Lembro-me de sair para o quintal quando era criança e pensar que havia um mundo para lá dos óvnis” – brinca.

De resto, foi a partir de Espanha que Marrocos surgiu como oportunidade. “Quando estava em Madrid fui a Marrocos com uns amigos pela primeira vez e foi quando descobri os encantos da terra em Secura na parte Sul do País. Fui com o meu namorado da altura para o Sul de Marrocos (Secura) e decidimos restaurar uma casa no Sul de Marrocos com mais de cem anos e fizemos um hotel. Comecei a receber as pessoas como se as estivesse a receber em minha casa. Fui aprendendo e hoje estou neste negócio há mais de vinte anos” – recorda a empresária que escolheu Marrocos porque a Índia está muito longe. Foi neste episódio de vida que nasceu a paixão pela hotelaria depois de uma passagem breve por Portugal que não foi conseguida por falta de readaptação.

West Norwood – Londres

Em Marraquexe, começou por gerir um hotel, depois outro e por aí até ao Kasbah Bab Ourika que nasceu em 2008. “Se eu soubesse o que me esperava e as dificuldades todas que esperava acho que não tinha entrado no projeto deste hotel” – diz ao Palop News a enfermeira de psiquiatria que abraçou a hotelaria. “Sempre gostei de hotelaria e da hospitalidade. Cheguei a pensar em fazer o curso de hotelaria a pensar na vontade que tenho de cuidar de pessoas que não estejam doentes” – diz a empresária rendida aos encantos de Marraquexe.

“Eu tenho uma paixão por Marrocos. Divulgo Marrocos em Portugal. Hoje tenho um projecto de loja com uma selecção de produtos marroquinos e aproveito para promover jovens criadores. É a minha contribuição para divulgar Marrocos” – diz ao Palop News. E adianta: “A não ser que me ponham de lá para fora eu não serei capaz de deixar Marrocos, um local onde numa noite é possível dormir no Bab Ourika e na noite seguinte no deserto. É um país maravilhoso” – atira.

Na ausência de Beatriz Máximo no hotel, resta-nos agradecer a dereferência que nos foi oferecida pelo gestor do espaço, um francês de nome Daniel que nos ofereceu as honras da casa.

No dia seguinte, soubemos por artes mágicas que a maioria dos hotéis e riades em Marraquexe possuem loiça portuguesa. Fomos confirmar a informação no riad onde estávamos hospedados. Confere. A loiça é toda portuguesa com a marca EMA e Vista Alegre. Era hora de descobrir a loja.

Na parte nova da cidade, algures entre uma loja da Zara e um MacDonald’s, descobrimos a loja do português de apelido Peres.

Loja de loiça portuguesa em Marraquexe. Cidade nova

Entre um francês enferrujado e um inglês possível, falamos com os empregados que nos olharam desconfiados. A palavra «jornalista» parece ter efeitos pouco simpáticos nas pessoas que ali trabalham. Demos uma volta pela loja e lá fomos descobrindo Alcobaça, Leiria e até Barcelos pelas cores da loiça.

Confirmamos que a loja “Direct-Usine” existia também em Casablanca onde o proprietário estava quando da nossa visita.

Mais uma vez, descobrimos um português e sem hipótese de o conhecer pessoalmente.

Antes, passamos pela aventura dos consulados. Em Casablanca, o Consulado respondeu à nossa primeira questão enviando informação sobre a Câmara de Comércio. Contactamos a instituição mas ficamos com uma resposta muda. Ninguém respondeu. Agradecemos aqui. Estava fora do nosso raio de acção que estava limitado a Marraquexe. Na segunda tentativa de podermos ter mais informação, ficamos sem resposta. Um hábito que bem conhecemos do trato que temos com algumas instituições. Desistimos. “Só faz falta quem está cá”.

Tentamos o Consulado Honorário de Marraquexe e telefonamos antes de partir. Recebemos dois telefonemas de apenas um toque e desligado imediatamente. Teríamos oportunidade de telefonar quando estivéssemos na cidade. Foi que fizemos. Fomos atendidos mas ninguém fala português no número de telefone que nos foi fornecido. Nem francês. Nem inglês. Nem Português. Desistimos. Estávamos por nossa conta e risco.

No segundo dia, a caminho do Hotel Kasbah Bab Ourika onde esperávamos encontrar a portuguesa Beatriz Máximo, tivemos uma das mais intensas experiências em jornalismo.

Com um pequeno desvio, fomos visitar um lugar de fim do mundo. A aldeia de Tafza Ourika, um dos berços da comunidade Berbere, etnia que disputa metade da população de Marrocos.

Café Bar Restaurante – Camden Town – Londres

Quando paramos o carro, fomos imediatamente invadidos por um grupo de crianças que nos acompanhou todo o percurso insistindo em que lhes pudéssemos dar dinheiro. Demasiadas crianças para tão pouco dinheiro mesmo que uma nota de 20 dinares sejam apenas duas libras.

Desta experiência que não procurava portugueses, contamos em detalhe o jogo de emoções sentidas num artigo publicado áparte.

Regressados a Marraquexe, partimos à descoberta de outro português com a suspeita de que pudesse viver na cidade. Resultado ingrato. Trata-se de um português que possui um riad na cidade mas que reside em Portugal. Descobrimos um outro riad que teve uma portuguesa na gerência durante três meses. Regressou a Portugal. Parece de resto, que os portugueses que se instalam em Marraquexe têm pouca resistência em permanecer.

Ultimo dia. Já não adiantava mais agendar entrevistas para o dia seguinte. O voo seria ás 11 da manhã e ás 8am era hora de abandonar o Riad Emberiza Sahari. Tínhamos então esse dia de folga e partimos para um pequeno descanso em visita à cidade de Essaouira, a cidade azul junto do mar. Pelo caminho, ainda tempo para atravessar um acampamento que cremos possa ser de nómadas. Não conseguimos falar com nenhum elemento dado não falarmos Árabe e nenhum dos presentes falava outra Língua.

Acampamento

Uma vez chegados, duas agradáveis surpresas. A rodear o hotel, uma imensa muralha de um monumento histórico num local conhecido como “porto português” mostrava os traços dos monumentos portugueses e em todos os canhões as armas de Portugal. Um dos monumentos, parecia uma cópia da Castelo do Queijo na Foz do Porto. A cerca de 200 quilómetros, chegou a hora do jantar. No hotel, tinham-nos recomendado um restaurante que concluímos estava fechado. Imediatamente, alguém do restaurante em frente nos convidou a entrar. Depois de consultar a reputação do restaurante na internet, decidimos ocupar uma mesa no canto de um restaurante que não tem mais de 20 lugares.

Monumento

Ainda não estávamos sentados e a mesa do lado já falava português. Dois casais em turismo iriam regressar no dia seguinte a Alcobaça.

Já com alguma experiência nos restaurantes, decidimos levar uma garrafa de vinho. Pedimos autorização ao gerente que aceitou que pudéssemos beber vinho mas não na esplanada. Foi assim que encontramos a Maria, o Eduardo, a Anabela e o Pedro. Um jantar de cavaqueira.

Na generalidade dos restaurantes onde se pode consumir álcool, a curiosidade é que todos os clientes são turistas. Dificilmente se encontra um nativo num destes restaurantes até porque para a população, estes espaços têm valores de consumo que a maioria da população não suporta. O salário médio é de cerca de 350 euros.

No dia seguinte, quatro portugueses descobertos em Marraquexe como residentes e oito como turistas. Duas empresas com assinatura portuguesa e todas as histórias que agora é preciso escrever.

Seria já na viagem de regresso a Marraquexe que seríamos surpreendidos por uma imagem bizarra. Uma mea dúzia de cabras permaneciam em cime de uma árvore como se fosse o fruto da própria. Paramos e logo vieram pessoas que se aproximaram para recolher as moedas. Ficamos a saber que as cabras não sobem as árvores sózinhas. Alguém as põe lá. E também não descem sózinhas. Alguém as tira de lá. No intervalo, são a fonte de rendimento de uma família. Talvez mais que uma.

O Palop News agradece aos sponsors desta aventura que são mencionados neste trabalho.

PN/Londres em reportagem em Marraquexe.

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