Quem não fia não é de fiar
Tuesday, September 25, 2018.

É um rosto habitualmente sorridente que desta vez aparece cabisbaixo. “Triste porque o que se está a passar envolve dois padres. O Padre Pedro sempre tentou que as coisas se resolvessem internamente mas o Padre Jacinto decidiu trazer os assuntos internos para a praça pública e o resultado está á vista” – revela ao PaLOP News uma fonte ligada á MCP (Missão Católica Portuguesa).

Fontes diversas , afirmam ao nosso reporter que “se o Padre Pedro tem vergonha de alguma coisa não é certamente pelo que fez ou deixou de fazer mas por ver o bom nome da MCP nesta confusão”.
“Depois de tudo o que o Padre Pedro fez pela comunidade é injusto o que está a acontecer” revela uma outra paroquiana abordada pela nossa reportagem.
São muitas as pessoas que se recusam a falar aos jornais mas são também muitas aquelas que aceitam fazê-lo; a maioria sob anonimato. “Fale com o Padre” foi a frase que mais se repetiu ao nosso reporter. Foi o que fizemos.Contactamos o Padre Pedro que aceitou receber-nos e falar connosco com a condição de não publicarmos as suas palavras. Avisamos que iría-mos contactar outras fontes e partimos à procura.
Lia Matos acedeu falar connosco sobre o Padre Jacinto que foi anunciado como pároco em Junho de 2010.
“Não foram dadas ao padre Jacinto condições dignas para viver e trabalhar com a comunidade de Clapham” refere Lia Matos lamentando-se que o Padre Jacinto tenha primeiro sido integrado na Igreja inglesa.
“Exactamente o mesmo que aconteceu com o padre Pedro quando chegou a Londres e nunca se lhe ouviu uma reclamação” refere um paroquiano que prefere não se identificar na esperança de que este assunto termine o mais rápido possível.
Segundo Lia Matos, o Padre Jacinto foi viver para um quarto alugado mas o PaLOP News descobriu que esse foi o mesmo que aconteceu quando Pedro Rodrigues, o agora chefe da MCP chegou a Londres no tempo do saudoso Padre Zé (Monsenhor Vaz Pinto) e aceitou sem reclamar.
Lia Matos, refere ainda que “não foi facultado ao Padre Jacinto o uso de carimbo e papel timbrado da MCP. O PaLOP News apurou contudo que como só existe um carimbo ele não poderia ser dividido. Sabemos ainda que foi oferecida uma chave da casa da MCP ao Padre Jacinto que este recusou, razão pela qual terá tido dificuldades acrescidas.
Ao PaLOP News, um paroquiano já citado refere que o Padre Jacinto não teria quem lhe tratasse da roupa, assunto que é desmentido já que a mesma pessoa que trata da roupa do Padre Pedro se terá oferecido ao Padre Jacinto para o mesmo trabalho o que veio a ser recusado porque o padre Jacinto “recusa que alguém lhe mexa na roupa”.
O Padre Jacinto tentou junto dos bispos portugueses que as autoridades religiosas inglesas pudessenm acudir nesta questão mas as autoridades inglesas fizeram “orelhas moucas” ao assunto que agora vem a vitimar o Capelão da MCP.
No ar, fica a acusação de 300 mil libras que se terão “evaporado” em confronto com a legislação inglesa. A comunidade portuguesa vive em Londres e sabe que não é possível mexer em 300 mil libras sem que haja registos escritos e bancáriamente justificados. “A casa do Padre Pedro já estava construída quando o visitei em Portugal” – revela uma fonte que prefere não dar mais comentários e que se recusa a identificar à nossa reportagem. “O importante é que não se fale mais nisto e que os «saltos altos» percebam que por muito que se esforcem não conseguem dividir a comunidade”.
Quem são os «saltos altos» perguntamos a uma paroquiana que parece saber o que se passa. “Luisa Vieira” sopra alguém que passa ao lado e não espera para ser entrevistada.
César Pina, elemento do Conselho Económico da MCP desde 1987 enviou um comunicado à imprensa a defender o Padre Pedro mas a maioria dos meios não fizeram uso da informação.
O PaLOP News sabe que o Padre Pedro tem apenas acesso a duas contas bancárias e que ambas podem ser consultadas por quem fiscaliza as contas da MCP.
O PaLOP News sabe que haveria outras contas a serem conferidas antes da chegada do Padre Pedro a Londres e que este desconhece mas dessas não se falam. Quem poderia responder já cá não está e quem está não responde porque a consciência não deixa. O PaLOP News sabe mas como não tem provas testemunhais ou documentais não pode publicar.
Quanto ao que se passa com a comunidade Católica da MCP, parece muita roupa suja onde o sujo existe e falta a roupa. A “feira das vaidades” marca a sua presença em todos os tabuleiros da comunidade e talvez seja por isso que uma das maiores e mais antigas comunidades de imigrantes em Londres seja das mais atrasadas na defesa dos seus direitos e do seu conforto. O que se passa com a MCP, mais não será do que aquilo que se passa em toda a comunidade de forma transversal a lembrar uma frase de alguém que um dia revelou ao PaLOP News: “Se for para fazer, será com as pessoas que estão cá há pouco tempo. As que estão há muito tempo, se fossem pessoas de fazer, já o teriam feito”.
O Padre Jacinto teve as suas oportunidades e não teve a humildade ou o rasgo do esforço, é a conclusão possível. Se alguma coisa estava a correr mal deveria ter tratado o assunto de forma interna. A lembrar, a frase de Pedro Santana Lopes quando numa entrevista como Primeiro Ministro disse que “os assuntos de segurança nacional não são para falar porque se fossem falados deixariam de ser seguros”. Assim é com o que se passa com a MCP onde os assuntos dos padres devem ser tratados dentro de portas. Na verdade, a “batata quente” fica agora com Pedro Rodrigues já que Jacinto Bento está agora a salvo da confusão que deixou para trás. Se a comunidade existe como tal, deve pender a acusação para as autoridades inglesas que deram ao Padre Jacinto apenas as mesmas condições que deram ao Padre Pedro quando chegou a Londres. O que para um foi suficiente, para outro foi pouco mas disso não reza o pecado.
“Depois de tudo o que o Padre Pedro fez pela comunidade é injusto o que está a acontecer”. Foi assim que começamos este trabalho, é assim que o terminamos.

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