Parlamento de Portugal “coronizável”
Tuesday, August 11, 2020.

A comemoração do 25 de Abril vai ao Parlamento de Portugal em meio de muita discórdia.

Num momento em que todas as autoridades se esforçam para manter o mundo em confinamento, eis que Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República vem informar que nada vai deter a celebração embora com algumas restrições reduzindo o número de pessoas presentes no recinto.

Saídas semanais para Portugal

Por esta ordem de ideias, a questão é saber se o Governo tem moral para impedir a população para ir à praia ou se deveria apenas restringir o número de pessoas que estendem a toalha na areia. Já que estamos com a mão na massa, vamos também abrir os cinemas de forma a que a distância social seja mantida e os restaurantes desde que todas as mesas em volta da minha estejam desertas.

Anunciados como serviço exclusivo para trabalhadores essenciais, os transportes públicos poderiam também admitir mais pessoas desde que a taxa de ocupação fosse convenientemente controlado tal como a Assembleia da República.

A questão não se põe tanto pela potencialidade de aproximação entre deputados e o risco de contágio mas pela capacidade de fornecer o exemplo. A pergunta que fica, é sobre a moral de uma classe política que confina uma população e que depois festeja um evento político histórico.

” Não haverá parada militar” – dizem como laia de desculpas como se o problema estivesse na parada militar ou nos discursos públicos. Ferro Rodrigues, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, parecem não entender que para muitos portugueses até se poderiam abraçar os três e até seguir o exemplo de Boris Johnson. Não entendem seguramente que a questão, é uma questão de exemplo e se a população está confinada de forma exemplar como dizem, recebem com este evento um exemplo contrário.

Consultoria

Em relação às mascaras que deveriam ser distribuídas gratuitamente pela população, serão apenas objecto de uma redução no IVA. Quando em época de eleições, os partidos gastam em papel e selos de correio bem mais que o valor de uma máscara que nos mercados podem ser compradas a cerca de €0.50 na produção. O Governo em Portugal, poderia comprar 12 mil milhões (biliões) de máscaras com o dinheiro que injectou na salvação da banca mas salvar o seu próprio povo, promete apenas reduzir o imposto. Nem sequer eliminar esse imposto para as máscaras.

A mesma classe política que festeja o Dia da Liberdade de 1974, recusa-se a não fazer dinheiro com um imposto sobre um produto que deveria ser gratuito. Da mesma forma que cobra o imposto máximo nas chamadas de valor acrescentado para efeitos de solidariedade.

Afinal, também o amor em Portugal paga imposto. Só os políticos estão isentos enquanto para o consumo inventam o imposto sobre imposto como acontece no comércio automóvel.

Ninguém parece ver o exemplo da Rainha de Inglaterra que cancelou os festejos do seu aniversário pela primeira vez na vida. É a diferença entre um estadista e um politiqueiro.

Manuel Gomes

PN/Londres

NOTICIAS RELACIONADAS

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *