Magistrados e pedreiros
Monday, December 10, 2018.

Durante as legislaturas de Cavaco Silva, o meu dossier profissional foi Política Económica. Os acordos do GATT, a entrada dos texteis chineses na Europa, a globalização do mercado na Organização Mundial de Comércio.
Os quadros comunitários de apoio “cogmelavam” projectos e a especialidade era a textil.
Entre teares e desfiles de moda, algodão e polyester, associações nacionais e europeias, por regiões ou por tudo e por nada. Tudo alianças que estão a segurar a Europa neste momento.
Estudios de rádio e investigação jornalística eram o prato forte do dia. Na redação, choviam convites para promover passagens de modelos e eu estava nos desfiles que podia. A maioria eram perdidos porque o tempo não é elástico.
Em Londres, as diversas comunidades fazem esforços para inventar as suas “Miss galática” que é a mais bonita, culta, inteligente, educada e boneca da comunidade. Sobretudo de for boa sob o ponto de vista meramente físico e a Barbie é o modelo de estilo. Tem que haver mais para se fabricar uma Miss.
Uma Miss, é mais que isso. É preciso saber desfilar e dar classe ao que veste e usa. Os concursos de Miss (em português) em todo o Reino Unido são louváveis pelo valor da iniciativa mas a questão fica em saber ao certo se damos ou não uma oportunidade a quem ganha. A Miss.
A opinião de um juri para um concurso de Miss, não pode estar a entregue a magistrados ou predreiros que nunca tenham assistido a uma passagem de modelos ao nível de Milão, Paris, Porto, Londres ou Barcelona.
Não podemos partir do princípio que o mesmo juri, por muito conceituado que sejam os seus elementos, possam servir para detetar jovens jogadores de futebol. “Don’t make sense.”
Para uma comunidade que faz tudo em “cima do joelho”, eu gostaria de propor 2013 para que as inciativas e eventos da comunidade possam estar melhor organizadas.
O concurso de Miss “seja o que for”, para ser credível, tem que ter um juri credível. Se por acidente uma das candidatas tiver promessas para mostrar, o membro credível do juri é a oportunidade dessa Miss “Seja o que for”. Nessa altura, ser Miss é uma oportunidade de ir mais além. Enquanto forem magistrados e pedreiros a escolher quem é Miss, o resultado só podem ser dois: frustração e vaidade. A carreira, que é aquilo que verdadeiramente interessa ás candidatas e ao público, passa ao lado sem nunca ter passado.
Louvo quem tem a coragem de ter tempo para organizar eventos e acredito que só as pessoas verdadeiramente ocupadas conseguem tempo para fazer algo mais. As outras, as que nada fazem, nunca têm tempo para fazer nada.
Sabe-se que estão a acontecer coisas na comunidade portuguesa no Reino Unido mas tudo não passa de uma surdina. É positivo que aconteçam mas a surdina é inconveniente.
Ser locutor de rádio, não habilita ninguém para medir o corpo de uma mulher em centímetros e quilos só porque o está a olhar. Depois de centenas de passagens de modelos numa carreira em que textil era o prato forte, ainda hoje não me sinto capaz de avaliar uma candidatura a Miss. Espanta-me que os magistrados e pedreiros se atrevam a faze-lo. Reconheço porém que maioria das vezes se eles não o fizerem, mais ninguém o faz.
Estando em Londres, os projectos têm que adquirir uma postura “londer”. O nosso concorrente, em alguma coisa é nosso colega.
Numa população com um milhão de pessoas em Londres, Camões merece uma Miss com o nome “que lhe queiram dar” na fita de cetim que atravessa o “maiôt” de qualquer Miss em saltos altos. Em Londres, o elan, o charme e a classe que a cidade empresta ao endereço do remetente, faz a opinião valer mais desde que tenha um carimbo de autênticidade. Sem isso, qualquer Miss será Miss por umas horas, nunca por uma carreira.
Não é saber mais do que ninguém; é apenas ter experiências que outros não têm como eu não terei as deles.
Miss em “tuguês” em UK? Acreditarei numa quando souber que no juri não existem nem magistrados nem pedreiros.

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