Jamaica lisboeta
Monday, April 22, 2019.

As imagens que têm passado sobre os incidentes no Bairro da Jamaica em Portugal entre a população e as forças policiais, concentram a atenção do espectador no movimento que envolve as pessoas. Quem tiver a oportunidade de ver as imagens algumas vezes, cedo perde a atenção nas pessoas envolvidas para olhar para o ambiente em volta do acontecimento.

Redes, edifícios em tijolo bruto de construções inacabadas, janelas sem vidros, entradas sem portas e mostrar um Portugal que certamente não tem imagens nos aeroportos que recebem os turistas.

Caixa Geral Depósitos

As imagens, mostram um Portugal indigno onde as pessoas vivem em estado de miséria, muito acima da pobreza. Contentores desordenados de lixo, lençóis de água a céu aberto a desafiar doenças e restos de uma construção que nunca foi acabada. Ao contrário do Porto, Lisboa concentra racialmente a população ao longo da IC19 que liga Lisboa a Sintra. Já no Porto, todas as freguesias possuem um bairro camarário de habitação social. Neste detalhe, o Porto parece, por esta via, ser uma cidade muito mais inclusiva e mais respeitadora da condição humana.

Lisboa, criou um corredor para onde aloja as pessoas que considera indignas de partilhar a cidade e o mesmo começa também a acontecer com o resto da população por via do aumento da habitação em Lisboa, uma cidade que parece estar a fazer tudo para se desertificar.

Advogada Britânica

Somado a esta miséria habitacional, soma-se a miséria humana, a ausência de uma escola digna, de uma alimentação capaz, de um espaço de desporto que não existe, de um ambiente onde os jovens possam alargar horizontes e dar caminho para a energia que sem ter para onde ir, acaba desgastada na violência física e em viaturas e contentores de lixo ardidos.

Não admira que pessoas que sem esperança de vida por força de tantos anos ostracizadas em guetos, tenham revoltas acumuladas pelos sonhos oprimidos. Olhar para as imagens do Bairro da Jamaica, é o mesmo que ver imagens das favelas brasileiras que o

Recolha de todo o tipo de lixos

Mundo condena, incluindo Portugal que quando fala dos países do terceiro mundo se esquece que tem vários terceiros mundos escondidos dentro das suas fronteiras. Diz-se Portugal uma nação do primeiro Mundo esquecido dos muitos terceiros mundos que esconde não apenas nas construções inacabadas mas sobretudo nas educações descontinuadas.

Não será possível extinguir todas as construções inacabadas enquanto não se acabarem as construções da pessoa através da educação.

Por: Manuel Gomes

PN/Londres

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