Esta Europa que nos chama
Saturday, April 20, 2019.

Quando nasceu a União Europeia do Aço no pós Segunda Guerra Mundial, os líderes europeus procuravam um solução de cooperação entre as nações europeias que com o tempo evoluiu para quilo que hoje conhecemos. Durante o seu percurso, a informação aos cidadão não foi uma palavra chave a partir de Bruxelas para o resto dos países membros.

Hoje, com a revolução das tecnologias, a informação já não pede licença para circular. O advento da internet veio derrubar fronteiras e nos dias actuais, já não é preciso falar outra língua para podermos ler uma notícia de outro país. Os tradutores automáticos ganharam uma fidelidade que permite ler informação de qualquer parte do Mundo.

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Um português que não fale Francês, pode perfeitamente ler o Le Monde e mesmo que não fale Inglês pode ler o Evening Standard. Com a mesma ferramenta, qualquer cidadão do Mundo pode ler o Expresso ou o Correio da Manhã. Este fenómeno, levou a que a informação tivesse um caminho aberto e hoje mais pessoas descobrem que há mais pessoas na mesma linha de pensamento. A União Europeia, não é uma excepção.

Muitos europeus, reclamam do facto de ninguém ter elegido os líderes europeus e que estes líderes, estão ao serviço de soluções que esquecem as pessoas para sobretudo privilegiarem os negócios. É uma União Europeia com mais preocupações no dinheiro do que nas pessoas como se fosse possível haver economia sem pessoas.

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Os ingleses, habituados a uma educação onde a democracia é uma constante, entenderam que serem governados (recorde-se que 60% da legislação produzida nos países membros depende de orientações de Bruxelas) a partir de pessoas nas quais não votaram, não obedece ao figurino do pensamento britânico. Num ponto, eu concordo com o pensamento britânico. Na verdade, sermos governados por pessoas que não escolhemos para governar não faz sentido. Sentido faria que os líderes europeus fossem eleitos pela população mas essa solução, implica outro tipo acordos políticos que a população também não concorda na sua maioria. E na sua maioria também por falta de informação.

O populismo e o avanço dos partidos de extrema política nomeadamente à direita, ganham terreno e mais uma vez, a população “engole” um discurso vazio de informação capaz de esclarecer as pessoas. Para que os principais líderes da União Europeia fossem eleitos a partir de eleições universais livres, seria necessário que a União Europeia se federasse numa numa única estrutura com prejuízo para a independência de cada país membro; outra solução que não colhe a vontade da maioria.

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Neste impasse em que os britânicos entenderam não poder aceitar uma solução e/ou optar pela outra, nasceu o sentimento popular que deu origem ao Brexit. Claro que para as razões do Brexit, muito terá contribuído o caudal de mentiras que foi levantado na campanha do referendo mas ao mesmo tempo, não podemos ignorar essa sensação que os britânicos sentiram, como de resto sentem a maioria dos cidadãos da Europa que estavam a ser governados por quem não escolheram. No fundo, estes europeus não querem perder a sua independência enquanto nação e ao mesmo tempo querem votar para quem dirige os destinos da União Europeia.

A Europa deixou de lado a democracia e os ingleses não gostaram. O ideal seria que o Reino Unido pudesse continuar na União Europeia e participar na luta pela mudança que muitos europeus desejam. Infelizmente para a União Europeia e para o Reino Unido, os líderes políticos dos países membros fecham os olhos às soluções possíveis consultando as populações.

A moeda única, a abertura das fronteiras e a aliança de Segurança e Defesa são pontos que deveriam permanecer mas antes de se discutir uma União Europeia dos negócios, a Europa deveria pensar que a união da cultura também pode ser um negócio. Sem a união cultural dos povos, nenhuma outra união será sólida.

Manuel Gomes

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