Alerta sem medos. covid19 é grande mas não é gigante
Tuesday, August 11, 2020.

O mais importante é termos a capacidade de mantermos o que é mais importante. Vamos esquecer a família e amigos, clientes e parceiros, vizinhos e compadres. Vamos ser egoístas até não poder mais. Vamos pensar que cada um de nós…, é a pessoa mais importante para cada um de nós e assim tentar garantir a sobrevivência e ficar para contar a história.

Ao longo do tempo, muitas foram as pandemias que atravessaram o Mundo e a Humanidade e muitas pessoas morreram mas muitas mais ficaram para contar a história. Também neste caso ainda no seu início é de prever que serão muitos mais os sobreviventes do que as vítimas e isso deve acalentar a esperança. Precisamos de nos revestir de positivismo e de um senso de humor brincando com uma situação que sabemos de antemão que é séria e arriscada. Como fazer isso?

Fazendo-o a toda a hora desde que acordamos até que nos deitamos. Não existe uma fórmula mágica para resolver esta questão que em poucos dias deixou o Mundo inteiro em suspenso. Vamos tentar o único caminho que oferece alguma esperança porque sem essa, nada mais é razão para permanecer vivo.

Está demonstrado por muitos canais que o sorriso estimula as nossas defesas pessoais e se assim for, se eu tiver que morrer, quero morrer a sorrir. Quero morrer sabendo que a sorrir fiz tudo o que podia para estimular o meu sistema imunológico e que se não fiz mais foi porque o sorriso não foi suficiente.

Afinal, o que é um problema?

Sempre defendi que um problema é algo que tem uma solução. Senão houver solução, então, não será um problema. Como não encontro (nem eu nem ninguém) uma solução para este caso, decidi deixar de pensar nele como um problema. Olho para os números e anima-me saber que o volume de sobreviventes é infinitamente superior ao número de falecidos. Morre mais gente de câncer de pulmão (eu que sou um fumador inveterado e continuo a fumar) e o tabaco não deixa de ser vendido. Morre mais gente a atravessar a rua e eu faço isso várias vezes ao dia. Morre mais gente no tráfego automóvel e eu continuo a circular. Morre mais gente da gripe normal e eu continuo a ser surpreendido pelo Sol e pela chuva quando saio à rua.

Acredito que muitas pessoas serão capazes de ficar em casa um dia, 12 dias, 30 dias até mas ninguém vai conseguir ficar em casa até ao Verão de 2021, data anunciada para o fim deste pesadelo. Quem tem crianças sabe que não vai conseguir ficar em casa com os infantis correndo o risco de os “enlouquecer“.

Quem tem trabalho (a esmagadora maioria) não vai conseguir ficar em casa porque ninguém tem “papel higiénico” suficiente para um ano e vai ser preciso sair para comprar alimentos e outros bens além de ganhar dinheiro para essas compras. Nenhum Governo vai ter condições de garantir todas as pessoas e aqui, pela primeira vez, vejo razão para a frase de que a política é “a arte do possível”. Por mim, vou continuar a travessar as ruas e a desfrutar de um cigarro enquanto assisto incrédulo às mentiras que a política vai debitando. Olho para os números e faço contas sobre quais as probabilidades de eu mesmo ser atingido e quais as probabilidades de sobreviver e aproveito este tempo de pensamento para lavas as mãos, abrir as portas com os cotovelos (sempre que possível) sem nunca recusar um abraço quando um doido descrente me oferece o seu. Se tiver que morrer por um abraço quero pensar que tive uma boa razão para morrer.

Decidi não entrar em loucuras e saio à rua guardando distância para as pessoas que se cruzam comigo a quem sorrio. Está difícil arrancar sorrisos a pessoas desconhecidas e isso faz-me pensar que sem sorrisos vai haver mais sistemas imunológicos enfraquecidos e por essa via mais gente a morrer.

Tento encher o prato do almoço e do jantar e regar as refeições com anedotas e piadas para inventar uma forma de me manter optimista. para não me deixar mergulhar na ansiedade e no medo e dar coragem aos segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses ou anos que me sobram. Mais do que tentar viver mais anos, quero dar qualidade ao tempo que me sobra. Segundos? Minutos? Horas? Dias? Semanas? Meses? Anos? Não sei. Talvez poeira mas que dessa poeira de tempo eu consiga arrancar um sorriso em forma de esperança para que a morte não me apanhe sem um sorriso.

Tenho medo? Claro que tenho mas sorrio para o medo como quem desafia a esperança. Tenho esperança? Claro que tenho e convido essa esperança para me ajudar a enfrentar o medo e dessa sopa de medo e esperança faço coragem para continuar vivo o tempo suficiente para sobreviver e ficar para contar a história.

Como? Sorrindo. Enfrentando cada segundo como um desafio que me leva a querer viver e se morrer, morrerei com o desejo de continuar vivo.

Como? Sorrindo.

Alcino Francisco – Londres

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