Lara Martins grava mais um nome português no Fantasma da Ópera em Londres
Friday, October 19, 2018.

Veio de Coimbra, a cidade do conhecimento, a mulher que encanta Londres com a sua voz e presença no musical mais conhecido no Mundo e que durante trinta e um anos em cena figura oito vezes por semana e sempre com sala cheia.

Marcamos encontro com a artista no mesmo palco onde Lilly Langtry cantava para Eduardo Vll de Inglaterra e a atmosfera da entrevista fez a magia que aqui fica escrita. No Grande Royal Hotel, paredes meias com o Hyde Park junto à Queen’s Way em Westminster.

Mini Mercado português em Harllesden

Quando entrou no Theatre Bar, Lara Martins libertou a sua admiração pelo local com uma pequena frase. “Um teatro dentro de casa”. Estava criado o clima para a entrevista.

Portugal pode ter perdido uma brilhante advogada para ganhar uma rainha dos palcos mundiais dissemos para a resposta de Lara Martins. “Eu estava a fazer o curso de Direito e o Conservatório ao mesmo tempo e a dado momento entendi que não poderia fazer bem as duas coisas” – diz a performer que nesse tempo decidiu seguir os seus instintos e talentos numa oportunidade que a vida lhe ofereceu de vir para Londres estudar a sua paixão e vocação.

Restaurante Português em Tooting

Dessa oportunidade, fez-se a arte que todos os dias Londres aplaude. “Tenho saudades dos meus ambientes de Coimbra e ainda hoje seria um prazer estar na Queima das Fitas com os meus antigos colegas ou um grupo de amigos embora não fizesse a viagem apenas pela Queima” – diz Lara Martins com o brilho da saudade no olhar.

Lara Martins em palco em Londres

Enquanto estudante e pela força de dois cursos em simultâneo, chegou a viver num quarto alugado para não fazer todos os dias a viagem Condeixa/Coimbra/Condeixa.

A paixão pela música, foi-lhe transmitida em primeira mão pelo pai. “Estávamos sempre rodeados de música por força do meu pai e eu acho que foi aí que me nasceu este «bicho» pelo canto e pela música” – confessa a cantora e actriz de que falaremos mais à frente. “Eu sempre cantei muito e lembro-me de os meus pais me dizerem que eu estava permanentemente a cantar. Muitas crianças são assim mas nem sempre fazem disso a sua profissão” que foi precisamente o que aconteceu com esta diva do palco nascida em Portugal.

Café e mercearia em Stockwell

Com a sua paixão pela música e o vozeirão que interpreta, Lara Martins poderia hoje cantar Fado, Jazz ou qualquer outro estilo musical mas quis o destino, o gosto pessoal do pai e o efeito do Conservatório que Lara Martins pudesse encontrar o caminho certo para «Carlotta». Um dos maiores símbolos culturais do Mundo. “Nós lá em casa ouvíamos sobretudo música clássica, muita ópera por força do gosto do meu pai” – recorda a artista para continuar – “Na verdade o que aconteceu é que eu entrei para o conservatório para educar a voz. Queria aprender a cantar de uma forma correcta e esse foi o meu principal objectivo. Nessa época não estava a pensar seguir uma carreira no canto lírico” – confessa para adiantar – “A técnica vocal que se ensina no conservatório, é uma técnica clássica baseada no canto lírico, foi por força dessa aprendizagem que eu percebi que o meu tipo de voz, era adequado a esse tipo de canto e segui por aí o meu caminho” – remata.

Prodtos portugueses em Norbury

Para sabermos exactamente como esta vocação nasceu, insistimos com Lara Martins no percurso que teve. “O Conservatório descobriu o meu talento no canto lírico. Sempre ouvi muita ópera mas nunca ousava cantar Ópera. É um canto muito específico e é preciso sabermos exactamente o que estamos a fazer e eu na altura não sabia” – adianta. Sobre os sons que experimentou antes de descobrir o seu talento no canto lírico, Lara Martins refugia-se nas suas memórias. “Lembro-me de cantar Madredeus mas depois entrei para o Conservatório e as coisas começaram a ser a sério. Não foi de repente que encontrei o meu caminho, foi uma descoberta que se foi fazendo aos poucos. A minha paixão pela música foi sendo cada vez maior e a evolução no canto também e eu comecei a perceber que talvez fosse por aí o meu caminho e que eu talvez tivesse uma hipótese de fazer algo interessante nessa área e foi isso que aconteceu com uma série de oportunidades que foram surgindo e que eu fiz questão de aproveitar” – Diz Lara Martins a sentir-se desafiada pelo destino.

Importador e distribuidor de produtos portugueses

A jovem artista portuguesa que ajoelha Londres, tem vindo a coleccionar prémios que lhe auguram uma carreira de brilhos. “Os prémios que ganhei vejo-os como incentivo ao meu trabalho e reconheço que há imensos portugueses de grande talento espalhados pelo mundo inteiro.

Será Lara Martins o «Cristiano Ronaldo» do canto lírico?

– Quem me dera ser o «Cristiano Ronaldo» da música mas ainda me sinto longe disso – diz a artista que está ainda muito longe de «pendurar as chuteiras» do canto e da arte musical.

Barbeiro e cabeleireiro em Harllesden. cabelo, barba e estática. Unha.

Lara Martins não se recorda de quantos países já ouviram a sua voz cantar. Toda a Europa conhece a cantora que deixa «Carlotta» em Londres sempre que viaja em trabalho. “O musical tem interpretações em várias partes do mundo mas o elenco de Londres é imóvel. É onde está o original” – revela Lara Martins que é a primeira figura de um dos mais famosos (senão o mais famoso) espectáculo do mundo.

Antes de «Carlotta» se chamar Lara Martins, houve outra artista portuguesa no mesmo desempenho chamada Sofia Escobar. “Trabalhamos juntas um ano” revela Lara Martins para acrescentar – “Ainda hoje temos contacto e falamos sempre que possível. A minha vida está ocupada e a da Sofia também mas falamos sempre que podemos” – revela a cantora.

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E quando Lara Martins vai Londres afora e vê a publicidade do mítico musical espalhada um pouco por toda a cidade. Quando vê o logótipo do «Fantasma da Ópera», como se sente? “Um orgulho e uma honra por fazer parte deste espectáculo. Fazer parte desse espectáculo é sobretudo uma grande honra” confessa a voz que leva já alguns anos a desempenhar a personagem e que ficará na história como um dos corpos que conheceu «Carlotta» na primeira pessoa. “Serei talvez das pessoas que mais tempo interpretou este papel” – refere.

Quando fez a ultima audição para o papel, Lara Martins sentiu que nem tudo estava a correr bem. “Eu estava destroçada por estar convencida de não ter conseguido o papel. Eu estava triste e resignada” – confessa para continuar – “Lembro-me perfeitamente. Estava em casa. Era hora do almoço quando o telefone tocou e me disseram que eu tinha sido escolhida para ser «Carlotta». A minha mãe estava de visita em minha casa e eu corri a gritar «Mãe, eu consegui o papel». Choramos juntas de alegria” – diz ao Palop News.

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Em família, Lara Martins viveu momentos de loucura que demoraram a passar mas que se tornaram inesquecíveis na intimidade das memórias que lhe libertam sorrisos. “Todos gritamos de felicidade. Durante uns dias eu fiquei nas nuvens (Cloud nine na versão inglesa)”.

Depois, Lara Martins teve que «vestir» o papel. Vieram os ensaios, as provas de roupa, as partituras, a adaptação a uma vida que nunca mais seria a mesma. “Saí da nuvem e fui trabalhar” – afirma.

Portugal, só agora começa a acordar para uma realidade que Lara Martins deixou acontecer três anos atrás. Portugal faz jus a tardar em reconhecer os seus talentos que ganham o mundo e só depois de Trás-os-Montes até Timor. “Tenho aparecido algumas vezes na imprensa portuguesa e agora o meu trabalho começa a ter expressão mas continuo a ser recebida da mesma forma. Com o mesmo carinho de sempre embora as visitas a Portugal sejam sempr

Contabilistas em português

e fugazes. Eu não sou muito mediática. Os que me conhecem sabem que estou fora de Portugal mas não tenho a certeza que saibam o que estou a fazer. As minhas idas a Portugal são tão rápidas e tão absorvidas pela família que acaba por não dar para estar muito em público” – diz Lara Martins.

No seu trabalho, a artista desempenha várias formas de arte. Canta, dança e representa e por isso se chama «Musical» a este fenómeno. Como vivem estas diferentes formas de arte dentro de um só talento? “Ao longo destes anos da minha carreira e a forma como gosto de me classificar é como performer. Foi uma evolução. No início da minha carreira eu era essencialmente uma cantora e agora vejo-me mais como uma cantora-actriz. Eu gostaria de fazer outras coisas como cantora e também como actriz e hoje prefiro que me classifiquem como performer mais do que uma cantora lírica até porque neste momento o meu repertório não se limita ao canto lírico. São diferentes formas de arte mas quando cantamos também estamos a interpretar. Uma cantora de ópera tem que necessariamente ser uma actriz. Estamos a representar através da música embora seja uma forma de representação muito diferente” diz.

Por nós, continuamos a tentar perceber como a paz acontece numa performer que desenvolve vários

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estilos de arte numa comunhão de talentos de que resulta a interpretação musical e ao mesmo tempo teatral. “Nós como cantores, actores, bailarinos temos em nós várias formas de nos expressarmos” – finaliza.

Para o desempenho do papel, o guarda-roupa do musical tem que ser absolutamente fantástico. Neste caso, é-o várias vezes. Quisemos saber como Lara Martins aceitou o uniforme de «Carlotta». “Os meus figurinos são dos mais bonitos da peça mas todo o elenco tem figurinos absolutamente fantásticos. O tempo de elaboração destes figurinos é muito longo, são figurinos de época, realizados por costureiras especialistas neste tipo de trabalho. Levam muito tempo a serem construídos e têm muitas provas. Quando vesti o meu pela primeira vez no ensaio geral, senti-me uma verdadeira princesa” – revela a artista ao Palop News.

– E agora Lara? Quando isto acabar, onde ambiciona chegar a seguir? – perguntamos.

– Já vão sendo alguns anos no Fantasma da Ópera e começa a chegar a um momento em que penso no meu caminho para outras coisas. Há muitas coisas que eu gostaria de fazer – diz a artista que todos os dias tem um orquestra no seu trabalho. “Não é por se chegar ao topo que vamos lá ficar. Este mundo é muito competitivo. Temos que ter os pés bem pousados na terra. Tão depressa podemos estar em cima como descer rapidamente. Terei que inventar novos topos” – afirma.

Como na vida de todas as pessoas, os dias nunca são iguais. Nem quando se repete o mesmo trabalho oito vezes por semana. “Nem todos os espectáculos funcionam da mesma forma e a diversão não é sempre a mesma. Quando se fazem oito espectáculos por semana e quando se faz o mesmo espectáculo durante tantos anos não acontece estar a cem por cento todas as vezes. A energia do público contribui para contagiar o ambiente em palco. Isso tem uma influência muito grande na nossa performance mas sim; há espectáculos mais divertidos que outros. O meu trabalho em palco é muito influenciado pela energia que o público me transmite. Por vezes o público transmite um tipo de retorno que ajuda e outras vezes há u

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m público mais tímido mas o elenco sabe manter o nível sempre acima do limite mínimo” – revela Lara Martins para continuar – “O público influencia sempre o nosso trabalho. É para o público que trabalhamos. Quando fazemos uma piada e o público ri, isso é motivador. Quando o público é menos emotivo nós sentimos isso no palco e o elenco une-se para uma motivação partilhada” – finaliza.

No topo de uma carreira que Portugal não pode oferecer, perguntamos a Lara Martins sobre a possibilidade do seu regresso ao pedaço de terra á beira mar plantado. “Para já não” – foi a resposta. Com uma família criada e duas filhas no percurso de vários anos em Londres, Lara Martins tem já tantos de vida na capital britânica como os que teve em Portugal. “A minha vida está toda organizada aqui. Voltar a Portugal? Talvez quando me reformar como fazem os ingleses para desfrutar do Sol, do bom tempo e da qualidade de vida” – diz a sorrir.

A comunhão de Lara Martins com «Carlotta», seria outros dos aspectos a considerar. Até onde estas duas mulheres conseguem ir juntas? “A «Carlotta», enquanto personagem, tem muito mais que uma diva que o público vê. A «Carlotta» é o estereótipo da diva da ópera. Caprichosa mas ao mesmo tempo muito sensível. Magoa-se com facilidade por estar a ser trocada por uma bailarina. No Século XlX, uma bailarina do corpo de ballet, tinha um estatuto muito baixo na hierarquia do teatro. De repente, aparece um fantasma que ninguém sabe quem é que quer esta bailarina no lugar da prima donna” – descreve Lara Martins para continuar a descrever os aspectos que mais identificam ambas as mulheres – “Temos que lembrar que nessa época, as cantoras de ópera eram como hoje as estrelas mundiais da música pop. Naquele tempo, as divas da ópera eram umas verdadeiras estrelas e a «Carlotta» era uma dessas estrelas que viu o seu lugar ameaçado. A «Carlotta» é provavelmente, uma pessoa que teve que lutar muito para chegar onde chegou. É portanto uma personagem com força e um carácter muito forte e com uma grande dose de humor a acompanhar uma grande perseverança. Nestes detalhes, identifico-me com a «Carlotta» – revela Lara Martins a criar entre ambas uma cumplicidade nos detalhes pessoais entre a artista e a inspiração do seu papel no musical.

Sofia Escobar que desempenhou o papel de «Christine» na mesma peça.

Com uma vida familiar e profissional absolutamente instaladas no grande palco que é Londres, Lara Martins, é para lá de artista, mãe de duas crianças e esposa. “A minha filha mais velha começa agora a aperceber-se do que faço. Para as minhas filhas terem uma mãe cantora é o normal. Sempre foram habituadas a teatros e a viajar comigo, a estarem em camarins, a verem figurinos e roupas bonitas. Até agora era absolutamente normal. Hoje em dia, a minha filha mais velha já começa a perceber o que isso realmente significa. A mais nova, com apenas dois anos, ainda é cedo para perceber o que eu faço na minha profissão e os níveis da minha carreira” – diz Lara Martins.

Considerando que a maioria das vezes, a carreira dos pais tem influência no futuro dos filhos, quisemos saber se alguma das filhas de Lara Martins terá as mesmas tendências artísticas. “Ambas são muito musicais. A mais velha está a aprender violoncelo mas não sei se poderá seguir esse caminho. A mais nova faz-me lembrar muito o tempo de quando eu era pequenina. Constantemente a cantar, gosta de dançar e a minha mãe reforça a ideia desta semelhança entre a minha filha e eu com a mesma idade. Talvez possa seguir o meu caminho. Veremos” – afirma.

Acabada a entrevista, vimos Lara Martins partir com a sua moto, o veículo que usa para se movimentar em Londres.

PN

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