Consulado Geral de Portugal “Again”
Sunday, August 19, 2018.

Incansável, pode bem ser a definição com que o Consulado Geral de Portugal em Londres, destila histórias do “arco da velha”.
Num trabalho de reportagem feito pelo PaLOP News no início deste ano, ficou demonstrado que um simples Cartão de Cidadão, pode demorar até seis meses com todas as taxas de urgência pagas. “Acontece um em mil” disse Macedo de Leão, Cônsul Geral de Portugal em Londres ao nosso jornal.
Independentemente do número de funcionários ser escasso e de esse ser um facto reconhecido por toda a comunidade e pelas autoridades, a população portuguesa a residir no Reino Unido não pára de trazer histórias no mínimo, suspeitas.
«António» (nome falso), deslocou-se ao Consulado com uma sobrinha para tratar assuntos referentes ao casamento desta última. Quando chegou, foi impedido de entrar nas instalações para acompanhar a sobrinha. Foi-lhe recomendado que pudesse esperar na única cadeira que existe no exíguo espaço de entrada onde os recepcionistas mal se podem mexer. Em contrapartida, o gabinete de vidro na entrada do lado esquerdo, está vazio.
“Telefonei para um Conselheiro a quem disse que eu estava ao frio na rua e ele telefonou para o Consulado e acabei por entrar. Quando cheguei à sala de espera, apenas 6 pessoas estavam sentadas e todas as cadeiras estavam vazias.” Calcula-se que a sala de espera do Consulado Geral de Portugal em Londres, possa ter cerca de uma centena de cadeiras na sala de espera.
“Veja na internet”, foi a resposta que um segurança deu a Carla Silva quando esta tentou obter informações no Consulado de Portugal sobre como se registar. Controverso, o facto de o próprio Cônsul Geral de Portugal insistir para que as pessoas se registem e quando o pretendem fazer sejam encaminhadas para o sítio web.
Nas duas histórias que trazemos nesta edição, um facto em comum. Ambos foram impedidos de entrar no Consulado e ambos encontraram na porta um segurança que não fala português.
“Muito mais de metade das pessoas que vêm ao Consulado não fala português” diz um funcionário do Consulado ao PaLOP News que prefere não ser identificado.
Sabemos porém que apesar de não haver disponibilidade para contratar pessoal para o Consulado, há verbas para contratar a empresa inglesa que fornece os seguranças na entrada. Por outras palavras, não há verba para pagar a massa salarial dos funcionários mas há verba para pagar a uma empresa que fornece pessoal que sabemos não ser temporário porque o Consulado trabalha todos os dias.
O PaLOP News apurou que a empresa que fornece os seguranças para o Consulado de Portugal em Londres, é a mesma empresa que fornece o mesmo serviço ao Consulado de Angola e por essa via admitiu pessoal de Língua Portuguesa. Insuficiente para as necessidades pelo que parece.
Na festa de Aniversário do Clube Desportivo Cultural, o Conselheiro Carlos Freitas fez o seu discurso práticamente sem falar na instituição aniversariante optando por um extenso rol de argumentos em favor do Consulado na presença do próprio Cônsul que no discurso seguinte reforçou o anterior.
O PaLOP News apurou que muitos dos associados presentes condenaram este comportamento. “Se o discurso continuava eu estava a ponto de explodir” referiu ao PaLOP News um associado do Cultural.
“Em causa, não estão as competências do Cônsul Macedo de Leão nem do quadro de pessoal que trabalha sob a sua orientação uma vez que é reconhecido que o quadro de pessoal é reduzido” – diz «António».
“Não se justifica que venham dizer que o Consulado Geral de Portugal funciona muito bem quando sabemos que isso é mentira” – diz Carla Silva.
Por outro lado, fica percebido que sem a “cunha” do Conselheiro, «António» teria que ficar ao frio. O que está em causa, é saber se podem impedir um português de entrar no seu próprio Consulado.
Com todas as histórias que produz, é pouco provavel que as reclamações no livro de reclamações estejam coincidentes com a realidade. O PaLOP News preencheu a reclamação AA16. Na prática, é pouco provavel que nestes anos tenha havido apenas 16 razões de reclamação no Consulado Geral de Portugal.
Outra das histórias, prende-se com a necessidade de tradução de documentos escolares. Num país em que para entrar nos quadros de Estado é necessário ter a escolaridade obrigatória, não se entende a necessidade de tradução. A quase totalidade dos trabalhadores do Estado fala e escreve inglês. As escolas então, até têm professores de inglês. A tradução dos documentos, é mais uma “via sacra” dos utilizadores do Consulado Geral de Portugal.
Maria Gomes, natural do Minho em Portugal, atravessou 5 nações como imigrante e por isso conhece cinco consulados de Portugal em diferentes locais.
“Para vir de França para o Reino Unido não precisei de traduzir documentos escolares…, agora para regressar a Portugal a escola pede-me documentos consulares que o Consulado não emite”. Confuso?
Chegada a Portugal, a escola exigiu a Maria Gomes as qualificações escolares dos seus dois filhos traduzidos para português e com autênticação Consular. Depois de pagas as traduções, o Consulado informa que não autentica o documento porque esse serviço não existe embora conste do Decreto Lei.
O Consulado recomenda porém onde o serviço pode ser feito e o resultado são dois meses de espera quando a estadia em Londres está prevista para apenas 15 dias. “Os meus filhos estão a assistir às aulas mas não estão matriculados” – refere Maria Gomes. “Agora regresso a Portugal sem os documentos que vim buscar” – termina.
Maria Gomes, não sabe ainda que desfecho vai ter.
“O numero de quadros no Consulado Geral de Portugal é de facto exíguo quando comparado com outros consulados de Portugal na Europa, principalmente em Paris mas isso não justifica que as pessoas tenham que esperar na rua se a sala de espera estiver vazia.” – disse-nos «António» à despedida.
Publique-se.

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