Carta aberta a Berta Nunes
Tuesday, August 11, 2020.

Exmª Senhora Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas Berta Nunes.

Quando tivemos conhecimento que o Governo de Portugal teria um orçamento para ajudar a imprensa em Portugal, reclamamos através das nossas páginas sociais que a imprensa na Diáspora, fosse também ela contemplada. Recordo-me da resposta de um deputado.

“Se não for para todos haverá descriminação”.

Mais tarde, soube que a imprensa na Diáspora também estava incluída no orçamento e senti que o meu apelo foi ouvido. Dois deputados eleitos pelo Círculo da Emigração da Europa disto tiveram conhecimento a saber Paulo Pisco (PS) e Carlos Gonçalves (PSD). Decidi seguir algumas instruções e enviei um e:mail a dizer que também estamos aqui. A pandemia também nos pertence. Infelizmente. Só para lembrar, nós promovemos a Língua por vocação.

Um e:mail sem nome de autor mas do endeço oficial da Secretaria de Estado, dá conta que a decisão depende do critério da Embaixada. Outro elimina a candidatura por falta de tiragem. Acusação grave.

Quando decidimos deixar de publicar em papel, sabiamos que não poderia ser um adeus definitivo ao cheiro do papel. Decidimos assinalar duas datas em papel por pura diversão. Para deixar as pessoas ler em papel em Português. Em linguagem política, o Mercado da Saudade. Era o bónus que davamos aos portugueses no Reino Unido. Falhamos um bónus e o bónus é o ónus. Brilhante! Não me perguntam por visitas ao website e eu questiono se quem trabalha online está automáticamente excluído?

Parece que na leitura do Governo de Portugal e dessa Secretaria de Estado, as rádios online não são rádios num momento em que a BBC vende ao desbarato as frequências FM.

Na minha resposta, só me ocorre o exemplo do Observador. Com todos os estabelecimentos fechados, onde poderiamos distribuir o jornal “across UK”?

Quero agradecer a quem me ajudou a entender a palavra “estrutural“.

Eu acredito que qualquer cliente publicitário do Palop News ao saber desta história, continuará a ser cliente.

Onde estava a Secretaria de Estado quando durante anos fizemos parte do Dia de Portugal, no nascimento do Centro Comunitário, na investigação criminal, a fazer coisas indecentes e sempre em Português no Reino Unido?

12 anos de actividade a distribuir papel gratuito mensalmente e para que isso fosse possível, eu tenho que agradecer às frotas da Atlantico, Viserra, Supermercado Portugal, Portugalia Wines, Sintra Market, e a nossa pérola a panificadora O Alentejano.

As razões porém que nos acossam, são outras. Sabendo que a vossa decisão tem duas razões distintas, permito-me a desconsiderar ambas.

Que outras podem ser? Corrupção no Consulado? Polícia Portuguesa falha (página 8)?

A mesma polícia anos mais tarde escreve ao Palop News a agradecer por todos terem feito o seu trabalho no subterrâneo da emigração. Sem dúvida muito mais interessante para encaixilhar e pendurar na parede do que o dinheiro que possam oferecer à nossa “pandemia”.

Estando com a “mão na massa”, expressão que certamente bem conhece, gostaria de a questionar sobre a perda de 100 mil euros por ano para a Comunidade Portuguesa de Londres ao abrigo do Programa Escolhas sem que as responsabilidades estejam apuradas.

A Plataforma, é outro investimento dessa Secretaria de Estado a que nunca tivemos acesso apesar dos nossos protestos agradecidos com deselegância.

Aceitamos ficar fora da vossa generosa oferta para apoiar a pandemia do PaLOP News mas queremos saber quem ficou dentro e porquê. Ou no mínimo uma resposta cabal sustentando porque ficamos de fora já que foram oferecidas duas diferentes respostas?

Para que ambas as vossas respostas batam certo, é necessário que a Embaixada de Portugal em Londres tenha informado a Secretaria de Estado que houve a falha de uma edição de papel em 2019. A falha do bónus. A ser verdade, gostaria de saber qual a fonte que informou a minha Embaixada sobre o critério ou obrigatoriedade da versão de papel e que aparentemente não terá dado qualquer informação sobre a versão online e o extenso trabalho de apoio gratuito à Comunidade?

O mínimo que se pode exigir (por favor note que não é pedir), é que seja facultado a todos os meios em Português (Portugal) ao redor do Mundo o formulário de candidatura ao negócio de publicidade institucional promovido pela crise do Corona-19 e a lista dos meios que foram contemplados e com que valor.

Para terminar, desejo que o Governo de Portugal entenda que um terço dos portugueses vive fora de Portugal e que estes, para lá da responsabilidade que têm na importação de produtos portugueses (com destaque para o segmento alimentar facilmente provavel através dos códigos pautais), são também eles um pilar das economias de Portugal através das remessas enviadas.

Entende-se que com o volume de recenseados na Diáspora, o Governo de Portugal olhe para 33.3% dos portugueses espalhados pelo Mundo com outros olhos. Quanto aos meios em Português na Diáspora, sem eles, praticamente não haveria a Língua Portuguesa na Comunidade migrante. Se o Estado tem a obrigação de promover a Língua, tem também a obrigação de apoiar quem mais contribui para que a Língua permaneça activa fora das fronteiras de Portugal.

Em nome do PaLOP News, temos a dizer o seguinte: nada recebemos pelo facto de termos sido recusados a ser eleitos desse benefício embora na nossa opinião tivessemos o mesmo Direito que qualquer outro meio. Embora saibamos que nada vai adiantar que não seja o nosso prejuízo financeiro, deixamos a reclamação e a nossa indignação pela deselegante resposta que recebemos e pela desconsideração que V. Exª oferece ao nosso trabalho ao longo dos anos. Outrossim, não sentimos obrigação de agradecer a descriminação de que fomos alvo considerando 5 milhões de portugueses a viver fora de Portugal para os 15 milhões de euros que o Governo aprovou para apoiar os meios.

Cumpre-nos ainda dizer que o facto de não termos sido contemplados, é para nós motivo de orgulho porque ao mesmo tempo estamos isentos da legenda de estarmos “vendidos” pese embora a dívida que este Governo e o seu partido tem para connosco que nunca será paga porque nunca será cobrada.

Como afirmado antes, o mínimo que se pode exigir, é saber quem recebeu esse apoio, qual o valor e quais as razões desse apoio. Quanto ao PaLOP News, não recebemos porque não entregamos o que damos de borla.

Temos dito.

Com os melhores cumprimentos.

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