Histórias de Migrantes são contadas através de música e realidade virtual
Sunday, December 8, 2019.

Experiências do Brasil, Colômbia, Reino Unido e Estados Unidos  são exibidas em festival 

Tudo aquilo que um migrante carrega de um lado para o outro nas suas andanças virou elemento da obra Transeuntis Mundi que recentemente foi vista numa exposição na 13ª Fiesta del Libro y la Cultura – Transeuntis Mundi, em Medelín, na Colômbia,e simultaneamente em Londres na Conferência Digital Research.

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As experiências de gente de diversos países como Brasil, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido foram reunidas em um espaço que os artistas denominaram uma instalação imersiva e inovadora, utilizando música, som, projeções, performance e realidade virtual para transmitir as vivências daqueles que carregam a cultura.

A riqueza da bagagem cultural de transeuntes e as paisagens por onde passaram puderam ser conferida por quem visitou  a exposição “Passagem: os pés na terra”, da artista brasileira Cândida Borges e do Colombiano Gabriel Mario Vélez. A performance final da instalação contou com um concerto que trouxe compositores de diversas nações, que ofereceram um olhar multicultural ao tema das migrações.

“Convidamos 8 compositores de diversos países para interagir com o material que captamos para forma a obra. São gravações em 10 cidades, em vídeo e música, que formaram composições de abordagem culturais completamente diferentes. É exatamente dessa riqueza e diversidade cultural que fala esse projeto.” revela Cândida, que atualmente se divide entre os estudos do PhD em Composição na Universidade de Plymouth,na Inglaterra e a vida musical novaiorquina.

Para os artistas envolvidos no projeto, usar a realidade virtual para engajar as pessoas é uma forma de compartilhar a cultura de forma moderna, mas reconhecem que é algo desafiador.

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Direto de Londres conversou com Cândida Borges sobre esta experiência cultural. Acompanhe:

DL – Como foi a coleta de informação entre os transeuntes, que  dados e recursos foram usados para produzir a realidade virtual apresentada no festival?

Cândida – O projeto vem sendo gravado e desenvolvido desde setembro do ano passado, e já envolveu mais de 10 viagens da equipe composta por pesquisadores de várias áreas. Buscamos montar um conjunto de cidades que mostrem a diversidade humana e cultural. Utilizamos gravadores e câmera de tecnologia 360 e gravamos nas ruas, buscando registrar o fluxo das pessoas.

2) O que levou vocês optarem por utilizar a tecnologia para transmitir as histórias e experiências dos transeuntes?

Cândida – Tínhamos a ideia de criar uma instalação imersiva para fazer a experiência multicultural o mais próximo da realidade do visitante. A tecnologia impactou nossa capacidade de migrar, que hoje faz trajetos imensos serem percorridos em horas. O que se levava um ano caminhando, hoje leva algumas horas de vôo. Assim também com as tecnologias de registro. A realidade virtual criou uma outra dimensão para a composição artística.

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O projeto retrata uma humanidade transcultural, fruto das caminhadas humanas desde o primeiro homem. É um convite a contemplação do ser humano e sua diversidade, formada a partir dessas histórias, diásporas e movimentos pelo mundo. E nesta época em que a tecnologia está à disposição de todos e faz parte das transformações, não poderia ficar de fora neste experimento.

DL – Como surgiu a oportunidade de estar neste festival na Colombia e apresentar um pouquinho do olhar brasileiro?

Cândida – Foi um convite da secretaria de cultura de Medellín, já que a obra se alinhava completamente com o tema do festival, chamado “Expedições”. Para a conferência em Londres, fomos selecionados via um Edital de projetos de artes.

DL – Como foi a resposta do público colombiano?

Cândida – Tivemos 2540 visitantes em 9 dias. Foi uma loucura! Gente de todas as idades e lugares passaram por lá. Além dos colombianos de muitas cidades vizinhas, muito venezuelanos e alguns outros estrangeiros também. Cada um era convidado a deixar seu registro  na mandala de pedras que tinha no centro da instalação. As pessoas ficavam muito emociodads e impressionadas com a experiencia. Muitos entravam na fila varias vezes e voltavam com amigos e familiares. Não esperávamos tanta receptividade, especialmente das crianças!

DL – Qual os próximos do projeto?

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Cândida – A obra vai ser ampliada para incluir gravações do maior número possível de cidades pelo mundo. Queremos ter pelo menos dois países de cada continente na próxima edição. Estamos aguardando confirmação de interesses e buscando financiamento dessas novas etapas.

DL – Depois da Colombia, a exposição deve seguir por outros países?

Cândida – Sim! A exposição começará a circular pelo mundo, assim como as novas gravações. Depois da experiência em Medellin, estamos em conversas com as próximas cidades, que confirmaremos em breve nas nossas redes sociais.

Para conhecer mais, visite www.transeuntismundi.com

PN/Londres

Por Cristiane Lebelem

Via www.diretodelondres.com

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