Consulado Geral de Portugal – Mais rápido que a própria sombra
Wednesday, July 18, 2018.

Este é o remate final de uma história recambolesca que teve o seu início em 24 de Fevereiro e termina em Julho de 2011 para conseguir o Cartão de Cidadão no Consulado Geral de Portugal em Londres. “Acontece um em cada mil” – diz-nos Macedo de Leão, Cônsul Geral de Portugal em Londres. Acreditamos que sim mas a história é a história e aqui fica contada tal como aconteceu.
O início deste relato, começa no trabalho publicado na nossa edição numero 17 e termina com o desejado Cartão de Cidadão na mão do reporter. (Ver primeira parte aqui)
Um Bilhete de Identidade caducado em Dezembro de 2010, dá início ao processo de  renovação de identificação. “Já não é possível requerer um novo Bilhete de Identidade” – informa o Consulado de Portugal por e:mail – “uma vez que este foi substituido pelo Cartão de Cidadão.” Cumprimos todas as formalidades e pagamos todas as taxas de urgência para uma viagem que estava agendada para 1 de Maio. Como ficou referido, estavamos a 24 de Fevereiro. Até à data da viagem, tínhamos 67 dias para obter o Cartão de Cidadão e viajar para Portugal.
A calma do Consulado Geral de Portugal perante a urgência, impressiona. A deferência que oferece ás taxas de urgência, arrepia.
Estando a viagem agendada para o dia 1 de Maio, tinhamos até 28 de Abril para resolver a questão da identificação. A 27 de Abril, escrevemos ao Consulado Geral de Portugal a alertar para a urgência. Dia 28 seria feriado devido ao casamento de William e Kate, depois seria sábado e de seguida domingo dia 1 de Maio e dia da partida. Se não ficasse resolvido até dia 28, a viagem seria perdida. Para o Consulado Geral de Portugal, o detalhe tinha passado ao lado mas na redação do PaLOP News estavamos atentos e escrevemos.
Em resposta, recebemos a informação de que poderiamos obter um Título de Viagem Única. Foi a opção escolhida. No mesmo dia, o reporter do PaLOP News vai ao Consulado Geral de Portugal em Oxford Circus e questiona a portaria sobre a obtenção do Título de Viagem Unica.
– Passe cá amanhã de manhã e resolve o problema – disseram na portaria.
Habituado ás histórias do Consulado Geral de Portugal, instalou-se o medo de não se conseguir obter o Título para viajar.
– Garantido – diz-nos o segurança.
No dia seguinte, o reporter comparece no Consulado para obter o Título de Viagem Unica. A reserva porém, para já, era outra. O referido Título serve para viajar até Portugal mas não serve para regressar a Londres.
Efectivamente, a carta PIN não tinha chegado ás mãos do reporter e pela informação do Consulado, a carta PIN tinha-se extraviado. O que não se extraviou foi a carta do Ministério das Finanças que chegou passados dois dias do início do processo (ver artigo – link á parte). Por muito que o Consulado Geral de Portugal em Londres pretenda referir o endereço errado como desculpa para o extravio, a verdade é que a carta das Finanças tinha chegado. Não havia dúvidas que o endereço estava certo.
– Talvez um vizinho que lhe queira mal – dizia-nos fonte do Consulado – tivesse “usurpado” o seu correio e retirado a carta.
– Impossível – dizia o reporter que tinha a certeza de isso ser impossível num edifício sem outros portugueses e com segurança privada onde nenhuma história existe deste ou de outro género nas relações com a vizinhança que tem moradores exclusivamente da classe A.
– A Carta PIN parece uma dessa cartas de promoções dos supermercados – disse mais tarde uma funcionária do Consulado de Portugal. – “Por vezes atiram-nas ao lixo porque a identificam com correspondência publicitária”. – adianta.
Com o Título de Viagem Unica na mão, o reporter aterra em Pedras Rubras (Porto), domingo, no dia 1 de Maio. No dia seguinte pelas 9 da manhã, o reporter está na Loja do Cidadão na Avenida Fernão Magalhaes e retira a sua senha de atendimento. Espera pacientemente pela sua vez de atendimento e quando finalmente consegue explicar à funcionária o que pretende, recebe a informação que tem que ir a outro guichet de atendimento. Assim fizemos e retiramos nova senha.
Finalmente a chamada para o novo guichet depois de mais uma espera.
– Lamento mas o que pretende não pode ser tratado aqui – revela. Neste momento estamos prestes a explodir e a espalhar os restos da nossa paciência pelas paredes.
– “Aqui a única coisa que podemos fazer é pedir uma segunda via da Carta PIN – diz a funcionária.
Pedimos a segunda via e cumprimos as instruções. Fomos aos Serviços Centrais de Identificação na Rua Alferes Malheiro do outro lado da cidade. Dito o que pretendemos, o reporter foi atendido e para sua surpresa, não teve que esperar mais que cinco minutos por um novo Bilhete de Identidade com a validade de 90 dias. Agora, já seria possível voltar a Londres e aguardar que o pedido de 2ª via fosse cumprido.
Puro engano.
Vencidos todos os prazos, contactamos o Consulado de Portugal por e:mail na expectativa de poder haver notícias. O call centre do Consulado de Portugal mostrou-se exímio no envio de respostas descartáveis e repetidas, vulgarmente conhecidas por “chapa 5”. Em cada e:mail, uma explicação ilegível e a informação de que podemos sempre recorrer ao pagamento de taxas de urgência para obter o Cartão de Cidadão. O reporter perde as “estribeiras” e na resposta pergunta o que falta pagar? A resposta, foi muda. Sempre pronto a facturar este Ministério que anda nas “lonas” com a questão da Troika que ainda não tinha chegado mas já se tinha anunciado nos corredores esclusivos da Administração Pública.
Perante a insistência do reporter, o Consulado Geral de Portugal em Londres requer a visita ás instalações. Estavamos na nossa sétima deslocação e o reporter dava graças por viver em Londres e não estar a faltar ao emprego enquanto pensava nos milhares de pessoas a quem, no Reino Unido, esta história podia ter acontecido. Cumprimos e fomos de novo ao Consulado Geral de Portugal. A solução, seria pedir uma terceira via.
Na entrada, demos pela falta da funcionária na recepção que na visita anterior nos tinha recusado o Livro de Reclamações. Perguntamos pela funcionária e fomos informados de pronto.
– Já cá não trabalha – diz-nos o funcionário da caixa.
– Onde posso então pedir o Livro de Reclamações – insistimos.
– Eu mesmo lho dou – diz o funcionário da caixa enquanto estende o livro pela saída de vidro do guichet.
O reporter retira-se com o livro, preenche a reclamação e devolve o livro recebendo a cópia da reclamação nº A16. A nós, que conhecemos as histórias do Consulado Geral de Portugal, fica-nos a suspeita de haver apenas reclamações até ao numero A (primeira letra) nº 16. É curto para tantas histórias mas o objectivo não era esse.
Na reclamação, o facto da demora para obter o Cartão de Cidadão e a escassez de funcionários. Mais tarde, recebemos uma carta assinada pelo própio Cônsul Geral a congratular-se pelo facto de a Carta PIN já estar na mão do reporter e que a questão da escassez de funcionários foi enviada para a Tutela. Neste caso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Voltamos à questão da terceira via.
– Não pode – diz um dos funcionários – Tem que iniciar o processo de novo. O sistema não permite uma terceira via.
Estavamos conformados mas não estavamos informados. Insistimos numa outra funcionária do Consulado.
– De facto não pode pedir uma terceira via mas pode pedir uma segunda via da…, 2ª via. Para quem procura esclarecimento, estava instalada a confusão. Pedimos então a terceira (segunda) via da segunda via. Perceberam?
Pedida a segunda via da 2ª via (terceira via), descemos ao rés-do-chão para sair. Restava aguardar que a Carta PIN desse à “costa” e foi o que aconteceu em julho.
A odisseia estava cumprida vinte semanas e dezenas de email’s depois.

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