Portugal em Wrexham
Wednesday, October 16, 2019.

Pela segunda vez o jornal Palop News decidiu visitar a cidade de Wrexham onde existe uma extensa Comunidade de Língua Portuguesa.

Wrexham, é a maior cidade do Norte do País de Gales imediatamente a Sul das cidades de Liverpool e Manchester e a cerca de quatro horas e meia da estação de Vitoria em Londres. Para que todo o tempo pudesse ser aproveitado ao máximo, decidimos viajar pela noite e apearmo-nos na cidade de Chester, a cerca de quinze milhas de Wrexham.

A noite estava fria e a cidade absolutamente deserta e sem movimento de qualquer espécie. Teríamos que aguardar que alguém viesse de Wrexham para nos transportar numa viatura privada. Se na primeira viagem tínhamos estado a convite de Yolanda Banú Viegas da associação CLPW, agora conselheira da Comunidade Portuguesa integrando a equipa de António Cunha em Londres, desta vez, o nosso objectivo passava por conhecer a outra associação existente na cidade gerida por Jorge Szabo ACPGB – Associação da Cultura Portuguesa na Grã-Bretanha.

Na nossa primeira visita, marcamos a nossa presença num espectáculo de fado e tivemos o primeiro contacto com uma Comunidade estimada em cerca de três mil portugueses ou luso-falantes. Nesta última visita, decidimos ficar para pernoitar o que nos deu uma maior visão da Comunidade local.

O pequeno-almoço, haveria de ser num dos estabelecimentos portugueses chamado Vasco da Gama que na nossa chegada madrugadora estava ainda a abrir as suas portas ao público. Não tardou que fossemos atendidos e começou a nossa conversa com os portugueses ali residentes.

Ao longo da nossa permanência, falamos com diversos portugueses que nos foram passando tímida informação sobre os movimentos humanos portugueses na cidade interpretados pelas personalidades que mencionamos acima. Essa timidez revela uma fraca estrutura de confiança dos compatriotas ali residentes pelo exercício de incompatibilidades entre os líderes dos dois diferentes movimentos. Na origem da nossa visita, estava um conjunto de denúncias que não foi possível apurar já que as entrevistas que fizemos se revelaram pouco esclarecedoras. Na origem desta falta de esclarecimento, ficam as nossas suspeitas de retaliação sobre os serviços que as estruturas humanas deveriam oferecer sem fronteiras regionalistas no panorama político comunitário.

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O maior registo que nos fica, é a vontade dos compatriotas não se envolverem nas questões de política comunitária interpretadas pelas duas estruturas que nas redes sociais não se coíbem de mostrarem publicamente o ambiente amargo que se verifica entre ambas.

As denúncias entretanto referidas, além de não terem sido confirmadas apesar dos nossos esforços, deram um resultado contrário. As pesquisas que efectuamos, não detectaram as irregularidades denunciadas o que demonstra que nem tudo vai mal com estas estruturas. Na verdade, se uma das estruturas está perfeitamente registada na Compannies House e se apresenta com o estatuto, a outra não apresenta qualquer registo.

Em trabalho de reportagem, entrevistamos diversos portugueses residentes em Wrexham mas em todas as entrevistas feitas, nenhum dos nossos entrevistados esteve suficientemente aberto para denunciar situações que foram a razão da nossa deslocação. Em alguns casos, sentimos mesmo um ambiente de pressão e até algum receio de retaliação caso tivessem sido mais explícitos nas declarações dos entrevistados. Alguns empresários contactados por nós, recusaram apoiar o nosso trabalho acusando medo de retaliação o que mostra de alguma forma o clima de medo que se vive na Comunidade.

Uma das situações que foi denunciada e mesmo confirmada, prende-se com a cobrança de serviços aos cidadãos que recorrem aos serviços das estruturas associativas o que, na investigação realizada, não constitui ilícito Legal ou Fiscal. Foi com essa satisfação que demos a nossa reportagem por terminada na certeza de que a Comunidade de Língua Portuguesa em Wrexham tem os serviços necessários no movimento associativo mesmo que por vezes possa pensar ter razões de reclamação naquilo que se pensa ser a compensação de serviços prestados.

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Curiosamente e ao contrário do que acontece em outros pontos do Reino Unido onde existe Comunidade de Língua Portuguesa, não conseguimos detetar cidadãos brasileiros embora tenhamos recolhido a informação de que existe uma colónia avaliada em cerca de trinta pessoas embora não tenha sido possível confirmar este número.

Já a Comunidade de Língua Portuguesa com cidadãos de origem africana parece marcar presença de uma forma média em relação ao total dos membros quando comparado com outras regiões do Reino Unido mesmo que este resultado seja empírico e sem qualquer dado científico.

Já a malha empresarial portuguesa acabou por nos surpreender com um lote de empresas absolutamente integradas e com registos de taxas de nascimento e natalidade empresarial absolutamente enquadradas naquilo que é a média em todo o Reino Unido numa relação de permilagem também ela empírica.

Restaurantes, mercearia e cafés, fazem a primeira linha de referência havendo depois lugar a outras actividades empresariais embora mais reduzidas na área dos transportes ou dos serviços.

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Sobre o envolvimento das duas estruturas humanas que localizamos, temos a lamentar o seu fraco relacionamento em prejuízo das populações que poderiam sair mais beneficiadas se as respectivas lideranças pudessem colocar acima dos interesses ou prestígio pessoal o interesse das pessoas.

A exemplo do que acontece em Londres, também em Wrexham foi possível detetar aquilo que parece ser o estigma nacional de as cúpulas terem dificuldades ao nível do entendimento. Várias foram as pessoas que se recusaram em falar sobre este fenómeno enquanto que aquelas que aceitaram faze-lo só o fizeram perante o anonimato ou, alternativamente, com dificuldade em revelar o que sabem sobre esta questão.

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Os líderes da Comunidade de Língua Portuguesa precisam repensar o seu relacionamento e os luso-falantes deveriam por seu turno poder prestar mais apoio a essas estruturas ao mesmo tempo que deveriam entender que o manto de medo que foi possível gravar por voz e por escrito não será seguramente a melhor forma de participar na vida comum da Comunidade ali residente.

PN/UK

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