Brexitnó
Monday, December 10, 2018.

Faz mais de dois anos que o Brexit acordou toda a União Europeia para uma realidade que ninguém esperava. Escócia, Irlanda do Norte e a “Great London”, votaram pela permanência enquanto que o resto do país votou pela saída. Votaram pela saída, 17.410.742, enquanto que 16.141.241 votaram pela permanência. A escassa diferença de 1.269.501 votos, ditaria a diferença que acionou uma das mais críticas fases da vida política britânica e europeia. No referendo, foram impedidos de votar cerca de dois milhões e meio de britânicos a viver nos restantes países da União Europeia que teriam provavelmente feito a diferença.

A partir desse dia, uma autêntica convulsão começou no espírito de mais de três milhões de europeus a viver expatriados no Reino Unido e para os britânicos expatriados a viver nos países da União Europeia. De ambos os lados da barricada, nasceu uma nuvem de dúvidas sobre o futuro. No Reino Unido, uma sensação nervosa apoderou-se da comunidade migrante que rapidamente correu a saber como obter permissão para permanecer no país de acolhimento.

Advogada Britânica

Escritórios de advogados, “solicitors”, contabilistas e outros serviços, viram-se inundados de um dia para o outro de processos referentes a pessoas que pretendem permanecer no Reino Unido. Milhares de libras foram gastas por cidadãos em busca do direito de permanência. Pouco tempo depois, o “Home Officce” (correspondente ao SEF em Portugal), emitiu um extenso documento com cerca de uma centena de páginas que em lugar de esclarecer a população, veio ainda criar mais confusão e tornar mais caro o preenchimento do documento.

A partir desta data, um rosário de palavras pouco simpáticas começaram a ser trocadas entre Westminster e Bruxelas com sessões parlamentares na União Europeia capazes de fazer corar de vergonha as varinas de qualquer mercado de peixe. Estalado o verniz, começaram os insultos em que a linguagem politicamente correta foi esquecida para dar lugar a uma verdadeira briga de rua traduzida nas palavras usadas no Parlamento Europeu.

Recolha de todo o tipo de lixos

Em Londres, as vozes dos diversos partidos políticos dividiram-se e dentro do Governo apareceram as convulsões. David Cammeron demite-se para ser sucedido por Theresa May que anteriormente se tinha manifestado pela permanência e que tinha agora a tarefa de gerir o processo de “divórcio” entre o Reino Unido e a União Europeia num desempenho identificado com a do Advogado do Diabo no Direito Canónico.

Pouco tempo depois, Nigel Farage, eurodeputado britânico em Bruxelas e um dos maiores impulsionadores do Brexit quase desaparece do dia a dia da política britânica e torna-se raro na imprensa britânica. Pouco mais tarde, é Boris Johnson, outro dos grandes impulsionadores do Brexit que bate com porta a Theresa May e demite-se como Ministro das Relações Exteriores (Ministro dos Negócios Estrangeiros). Outras demissões haveriam de acontecer no Governo de Theresa May de ministros e secretários de Estado em colisão com as orientações da Primeiro-Ministro britânica.

Mudanças e Transportes

Dá-se início a uma divisão de opiniões entre o Parlamento Britânico e a Câmera dos Comuns pondo em risco tudo e o seu contrário. Theresa May passa a enfrentar resistência dentro do Governo e do seu partido e por várias vezes se adensa a suspeita da sua demissão. Esta demissão que ainda não aconteceu, tem de resto, sido uma constante na imprensa britânica.

A fronteira entre a República da Irlanda e Irlanda do Norte, acorda fantasmas que o Reino Unido tinha já esquecido e os irlandeses de ambos os lados criam uma das maiores preocupações nos acordos a conseguir entre Londres e Bruxelas. A existência de uma fronteira física entre os dois estados, assusta a política europeia.

Agência de viagens em Londres

Os migrantes de ambos os lados, tremem perante a ideia de terem que abandonar os lugares onde criaram raízes. A União Europeia, prepara-se para uma saída em massa para 27 países mas nunhum Primeiro Ministro britânico está estará em condições de ver regressar dois milhões e quinhentos mil britânicos ao Reino Unido que foram impedidos de votar no referendo. Estes ingleses, caso tenham que regressar vão chegar à sua terra natal muito zangados e nenhum político quer enfrentar o regresso de uma massa humana superior à diferença dos votos que ditaram o Brexit, principalmente por que são britânicos e impedidos de votar. O Presidente da França, Emmanuel Macron, foi taxativo quando afirmou que num cenário sem acordo, os ingleses a viver em França passariam imediatamente à situação de ilegais.

Cabeleireiro NW10

Westminster, viu fracassar o apoio de Donald Trump e Theresa May, viu-se assim encurralada numa luta inglória contra 27 países da União Europeia concentrados em Bruxelas, o seu próprio partido e mais recentemente pelos membros do seu Governo com uma onda de demissões em catadupa sem exemplo anterior. Fragilizada, não espantaria se fosse Theressa May a pensar num cenário de eleições antecipadas ou mesmo num novo referendo com diferentes contornos. Impedida de fugir ao Brexit pela força da democracia inglesa, May enfrenta dificuldades em encontrar uma solução que satisfaça as necessidades do Reino Unido, o Brexit e as exigências de Bruxelas num xadrez internacional para o qual o Governo de S. Majestade não estava preparado.

As empresas, têm ainda dificuldade em  perceber como vão ter que se adaptar ás novas regras do mesmo mercado e os cidadãos europeus migrados no Reino Unido estão em dois tipos de situações diferentes. Por um lado, aguardam poder saber o que precisam fazer para permanecer sem o embuste das anteriores soluções do Home Officce e por outro em tentarem perceber se pretendem ou não continuar no Reino Unido que ameça entrar em crise económica dependendo do desfexo que o Brexit venha a ter. Ou não.

Mercearia online
Restaurante

A migração para o Reino Unido por parte de cidadãos dos países europeus mostra já quebras acentuadas e Londres vive já uma das maiores crises de falta de trabalhadores da sua história recente, havendo mesmo profissionais de qualificação intermédia a ultrapassar o valor salarial de quadros superiores. Alguns bancos, anunciam mudar os seus activos para outras paragens dentro da União Europeia e os exportadores britânicos, obrigados a negociar em prazos superiores ao período de transição, desconhecem a pauta aduaneira que irão encontrar quando concluirem os negócios que estão agora a ser combinados.

Produtos de saúde

Bruxelas não dá tréguas para evitar o efeito dominó na União Europeia com a Itália a mostrar as garras de uma tendência pouco clara sobre a sua permanência na União e o Reino Unido terá que ser o exemplo do custo de desistir. No mais recente acordo esboçado por Westminster, o Reino Unido estará impedido de votar mas obrigado a continuar a participar do orçamento da União sendo penalizado por não poder defender os seus interesses, algo que dificilmente os ingleses poderão perdoar a qualquer Governo do Reino Unido.

Numa autêntica fibromialgia política, Londres sente-se impotente para recuar ou avançar e a solução do meio termo pode mesmo estar numa extensão do tempo de adaptação pós-Brexit. 29 de Março arrisca assim a ser uma cerimónia sem sentido em que o Reino Unido pretende recuperar o controlo da política agrícola e cambial(?) e das fronteiras mas que ao mesmo tempo define apenas uma estreira obdiência ao que Bruxelas venha a decidir. Ninguém sabe ainda como Theresa May vai «descalçar» esta «bota» do Brexit e não há certezas sobre a nova legislação a ser produzida havendo, quando muito, algumas fracas suspeitas sobre qual a legislação europeia que possa ser abatida.

Compre online

As promessas sobre a injeção de dinheiro no NHS (Serviço Nacional de Saúde) por parte dos defensores do Brexit mostraram-se um logro ao mesmo tempo que os mercados financeiros assobiam para o lado enquanto vão fazendo previsões de retirada.

Do outro lado da barricada, fica no segredo dos corredores os acordos em matéria de Defesa e Terrorismo e neste caso bem, já que os assuntos de Segurança quando são falados deixam de ser seguros. A fragilidade alemã em termos militares pode constituir um argumento forte para o Reino Unido que ao mesmo tempo quer assegurar manter um mercado de 300 milhões de consumidores na soleira da porta, evitando assim os custos de transporte nas exportações para destinos mais distantes. Enquanto isso, Vladimir Putin, Presidente da Rússia afirma ter capacidade para invadir o Reino Unido e por força do Brexit, é a própria estabilidade da paz mundial que fica ameaçada.

Bruxelas, tenta que o efeito dominó não se espalhe a outros países da União Europeia, enquanto Theresa May, tenta que o mesmo efeito não se alastre num elenco governativo com baixas mais que suficientes para justificar uma possível demissão do Governo que vem sendo pedida por Jeremy Corbyn (líder do Partido Trabalhista),  e Sadiq Kan, Mayor de Londres, cidade que começa já a sentir os efeitos da insegurança nos investimentos que se irão refletir nas próximas décadas. Sem uma decisão clara sobre o futuro, os investidores aguardam por certezas que Londres tarda em emitir.

Por outro lado, a insegurança da população migrante não deixa de questionar a ausência de informação enquanto o Governo Britânico vai fazendo testes ao sistema que irá emitir os certificados de residência pemanente em instituições governamentais onde os migrantes são classificados como trabalhadores indispenáveis como é o caso do NHS. Quanto aos cidadãos que dispensaram centenas ou mesmo milhares de libras para a obtenção do documento de residência, fica a informação (ainda não confirmada em absoluto), de que não terão que emitir novo documento que passa agora a custar apenas algumas dezenas (poucas) de libras, razões mais que suficientes para que estas pessoas se sintam lubridiadas pelo sistema que antes emitiu informação contrária. O Governo de Theresa May, parece assim um “queijo suiço” onde os buracos legislativos se multiplicam em favor da insegurança das pessoas e empresas que não estão, por esta via, em condições de apontar projectos futuros.

Importador e distribuidor de produtos portugueses

Enquanto o Brexit avança e recua e não há mais definições, acredita-se que o melhor mesmo seja jogar dominó. Ajuda a entender quanto tempo vai levar até que Londres e Bruxelas possam encaixar as pedras que vão levar o Brexit a acontecer ou não, ou mesmo acontecendo, deixar tudo na mesma.

Alcino Francisco.

PN/ Londres

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