Um deserto chamado Londres
Saturday, March 28, 2020.

A cidade de Londres onde residem mais pessoas que em todo Portugal, mostra-se agora sem turistas e mesmo os residentes se escondem em casa. Vauxhall apresenta a sua ponte vazia de pessoas e tráfego quando em contrapartida as águas do Tamisa se apresentam mais limpas a exemplo do que parece estar a acontecer em Veneza (Itália).

Vídeo Agência Lusa

As escolas, habitual fonte de ruído estão silenciadas e nas ruas, as poucas pessoas que é possível cruzar olham para todos os outros com olhar desconfiado. Tocar outro ser humano passou a ser sinónimo de risco. Máscaras e luvas são agora os principais acessórios usados pela população.

Em vários supermercados as prateleiras apresentam um aspecto vazio e desolador por força da compra açambarcadora que aparentemente não resolvem qualquer problema dada a extensão prevista para a duração da presença do COVID-19 no sistema mundial.

Camden Town – Londres

Os passeios com rampas para as malas de turistas estão agora inúteis em Londres. Os aeroportos desertos, os voos suspensos. Os transportes públicos mais espaçados no tempo e mesmo assim quase vazios em horários de pico habitualmente apinhados de gente.

Saídas semanais para Portugal

Covent Garden, Trafalgar Square, Vitoria, Greenwich, Camden Town e muitos outros lugares da cidade, mostram agora uma dimensão geográfica vazia da dimensão humana.

O Governo de Boris Johnson insiste em manter as escolas em funcionamento embora seja visível uma drástica redução do número de alunos. Ruas antes congestionadas apresentam-se agora com reduzido número de viaturas enquanto na ulti ma hora Boris anuncia ter mudado de ideias em relação às escolas.

Numa única semana, Londres mudou toda a moldura Humana a que estávamos habituados.

Espanha, França, Itália, Portugal entre outros países preparam-se para o pior. Londres tem já a primeira remessa de sacos plásticos para cadáveres (body bags), máscaras e luvas de latex, papel higiénico e produtos desinfectantes. Tudo porém esgotado das prateleiras e que só por acidente encontramos nas principais grandes superfícies.

Os sem abrigo são aqueles que continuam a marcar os seus lugares habituais com a sua presença. Geralmente, acompanhados por um cachorro como é tradição.

Os artistas de rua, também eles se tornaram escassos. Reuniões canceladas, teatros e restaurantes sem movimento e mesmo encerrados.

Todas as perguntas que são feitas ficam sem resposta e nem mesmo as agências funerárias conseguem lidar com a demanda. Líderes de vários quadrantes temem que a situação descambe para a violência nas ruas numa cidade já de si fustigada pela violência.

A ciência tarda em encontrar as respostas e a classe política faz o possível. As populações começam a temer o que vem a seguir e tornam-se cada vez mais raros os discursos optimistas.

O optimismo, tem vindo sobretudo da população que agradece aos profissionais de saúde, às autoridades e o voluntariado que se afirma presente para ajudar quem mais precisa.

Apesar da desertificação que a cidade apresenta, paira no ar uma esperança de que esta batalha será vencida. A educação das populações tem dado mostras de pessoas responsáveis que se refugiam em casa e que evitam o contacto pessoal tão natural no ser Humano.

Para lá das dúvidas, os londrinos parecem acreditar que tudo vai passar rapidamente e que este pesadelo será vencido e Londres voltará a ter os seus turistas, os seus musicais e a agitação normal. Em Londres, seremos londrinos e juntos vamos impedir que a crise escorregue para o desespero.

Serviços de tradução

A boa notícia vem dos nossos contactos em Paris, Portugal e Itália além do nosso trabalho em Londres. Os canais de Veneza, o Thames River e o Sena em Paris mostram mais limpidez nas suas águas. Com tanto prejuízo, a natureza parece estar a ganhar.

Também a atmosfera parece mais limpa e o ar menos poluido.

Veja onde pode ajudar e se tiver oportunidade de o fazer, não hesite. Outros farão o mesmo por si.

PN/Londres

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