Portugal fora do circuito comercial do turismo Europeu
Saturday, July 4, 2020.

Conforme as flutuações de contágio e as curvas anunciadas em diversos países, assim são abertas as fronteiras para a abertura da época de férias no momento em que globalmente nos aproximamos dos 10 milhões de casos detectados e cerca de meio milhão de óbitos.

A Grécia decidiu abrir as suas fronteiras e alguns turistas da Alemanha rumaram às ilhas no Sul de Espanha. Timidamente, alguns aviões levantam e aterram sem que isso traga aos aeroportos a dimensão Humana a que antes estavamos habituados.

Residentes no Estrangeiro

Em Londres, Boris Johnson anuncia que os turistas portugueses têm a porta barrada até novas ordens.

A culpa, será o surto na Zona Metrpopolitana de Lisboa que levou o Primeiro-ministro António Costa a decretar medidas especiais na reabertura do comércio na região.

O surto em Lisboa e Vale to Tejo surge em contraponto do início da pandemia que se situou com maior intensidade a Norte de Portugal com especial incidência entre Gaia e o Minho.

Importa pois ver as causas que Westminster acusa para deixar Portugal na lista inerte quando comparamos os valores de Portugal e do Reino Unido.

Finanças empresariais

A 24 de Junho, a informação do “Coronas Meters” informa que no total de casos os valores são os seguintes:

Número de casos registados:

UK 306 mil, 5º lugar do ranking Mundial atrás da Índia, Brasil, Russia e USA. Compare-se agora a densidade populacional de cada um destes países.

Portugal 40 mil casos, 34º lugar do ranking Mundial mas com uma população inferior ao Reino Unido em quase sete vezes.

Mas vejamos quando fazemos a contagem pelos detalhes mais importantes.

Numero de casos por milhão de habitantes:

O Reino Unido, 28º lugar com 4511 casos e Portugal na 33ª posição com 3.900 casos por milhão de habitantes.

Passemos aos óbitos por milhão de habitantes:

O Reino Unido ocupa o 4º lugar no Mundo batido apenas por Andorra, Bélgica e San Marino com 632 óbitos e Portugal destaca-se desta realidade no 24º lugar com 151 óbitos por milhão de habitantes.

Uma das razões apontadas para um maior volume de casos, é o volume de testes feitos. Também aqui, a contagem deve ser feita por milhão de habitantes e não em valores absolutos.

O Reino Unido destaca-se com o 17º lugar no ranking com cerca de 122 mil testes e Portugal na 22ª posição com 108 mil testes por milhão de habitantes.

Considerando a densidade populacional dos dois países (Reino Unido 68 milhões e Portugal com 10 milhões), tentamos perceber a dinâmica de pensamento aplicada para as restrições anunciadas.

Transportes internacionais

Ao abrigo da reciprocidade, quando o Reino Unido decreta a exclusão dos viajantes portugueses, deveria acontecer o mesmo no sentido contrário e Portugal impedir também a entrada de cidadãos britânicos. Isso porém, seria arriscado para a economia.

Um dos detalhes que identifica a cultura britânica é o gosto por viajar e sendo Portugal um dos destinos prefridos, torna-se difícil que Portugal possa fechar aeroportos e hoteis a um dos seus melhores clientes.

Já o impedimento dos portugueses viajarem para quase duas dezenas de países europeus, pode ser uma boa notícia para Portugal que levará a um maior número de turistas nacionais a permanecer em Portugal para férias.

O que custa a entender é que a razão para impedir as viagens sejam descriminatórias. Portugal tem menos casos absolutos, tem menos casos por milhão de habitantes, tem menos óbitos por milhão de habitantes e apenas na questão dos testes pelo mesmo milhão de habitante Portugal fica atrás do Reino Unido com uma margem mínima de 14 mil testes por milhão.

Olhando para estes valores, diria o bom senso que Portugal deveria fechar as portas aos britânicos enquanto estes deveriam abrir as portas aos portugueses. Note-se que a esta data o volume de novos óbitos deixa o Reino Unido no 42º lugar enquanto Portugal no 46º embora sem valores para estas rúbricas. Até neste detalhe ambos os países estão numa situação muito próxima o que não explica o critério de abertura de fronteiras.

Outra das questões que se levanta é a necessidade de cumprir um período de isolamento que pela voz de imprensa diversa pode ir de 7 a 14 dias dependendo se é pessoa dignosticada ou um contacto desta.

Embrulhados nesta realidade, cinco milhões de portugueses a viver fora de Portugal procuram informação sobre como viajar e as contas complicam-se.

Algumas perguntas são frequentes para os portugueses que querem visitar Portugal nas férias.

  • Terei que fazer quarentena quando chegar a Portugal? – Pergunta-nos um leitor por mensagem.

A resposta não é fácil de dar ou por outras palavras, impossível de garantir. Mesmo que haja a oportunidade de se viajar sem ter que recorrer à quarentena, basta que durante o período de férias tenha uma curva acentuada de novos casos e o regresso fica assegurado pela quarentena ou mesmo pela impossibilidade de viajar. Um risco para a chegada que ninguém pode prever na partida.

Portugal ao receber turistas britânicos está a abrir as portas a turistas oriundos de um país que mostra maior capacidade de risco e que não aceita receber turistas portugueses oriundos localmente por um factor de risco inferior. Faz sentido? Pode não fazer mas a economia fala mais alto e as libras que os ingleses gastam em turismo não podem ser desperdiçadas por Portugal.

Redacção

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