José Carvalho deixa Caixa Geral de Depósitos em Londres rumo a Genéve na Suiça
Sunday, February 23, 2020.

Ao longo de sete anos menos uns dias, José Carvalho foi o rosto visível da CGD (Caixa Geral de Depósitos) no Reino Unido com uma especial incidência na cidade de Londres. De partida para a Suíça, fomos fazer a despedida de José Carvalho nas últimas horas no escritório de Representação.

 “Não conheci muito do território do Reino Unido que gostaria de ter conhecido. Conheci Manchester, Cambridge, Birmingham onde tenho família, Oxford, Brighton, Kent que é lindissímo e posso dizer que a Inglaterra é fantástica”. – afirma ao Palop News para acrescentar “A organização territorial deste país é fantástica. A limpeza das matas, das ruas e o verde dos campos são marcas que ficam”.

Caixa Geral Depósitos

De Londres, José Carvalho refere que a cidade “excedeu todas as minhas expectativas. Foi uma experiência fantástica e absolutamente inesquecível” – refere ao repórter. “Ficará para sempre na minha memória quer a nível pessoal quer a nível profissional” – diz para acrescentar “Ainda cá estou e já tenho saudades de Londres mas estarei perto e já muitos amigos me prometeram abrigo se eu quiser visitar Londres o que farei com toda a certeza bastantes vezes” – disse para acrescentar – “Se eu não fosse portista seria sportinguista por força do verde de Inglaterra” – ironiza.

Ao longo dos sete anos que conviveu com a Comunidade Portuguesa no Reino Unido, José Carvalho deixa um rastro de bons amigos. “Tenho convites para visitar Londres e que tenciono aproveitar em reconhecimento à forma como fui acolhido” – revela.

Das grandes diferenças entre Portugal e o Reino Unido, José Carvalho aponta a condução automóvel como uma das principais. “Nunca tive um acidente” – recorda pelo que terá passado com distinção na prova de conduzir no Reino Unido. Sobre multas, não perguntamos.

Abordamos a frequência dos típicos pubs ingleses a que José Carvalho diz estar absolutamente rendido. “Muito simples. Levo a ideia de recriar algo em Portugal para o fim da minha carreira o que conheci dos pubs ingleses. Um típico pub inglês. Em termos de arquitectura e de ambiente, acho os pubs das coisas mais deliciosas de Londres”. Pela negativa, José Carvalho dá nota negativa ao facto de estes espaços servirem mais para beber e nem tanto para comer e que as pessoas falam demasiado alto. “Tem a ver com a cultura deles aqui mas eu gostaria de replicar este ambiente na minha terra no Norte de Portugal” – atira para referir o Waxy O’Connor’s em Piccadilly no centro de Londres e que José Carvalho refere como sendo fantástico.

Também as flores fazem parte da sentença que José Carvalho entende destacar quando fala dos pubs britânicos.

Habituado a ter que se movimentar por toda a cidade, José Carvalho refere os transportes públicos como “fenomenal” para acrescentar. Londres, se não tivesse a rede de transportes públicos que tem, seria impossível receber o volume de visitantes. Os transportes são caros mas funcionam” – diz.

Já sobre a Comunidade Portuguesa, o gestor bancário refere-a também como sendo “fantástica embora reconheça que como qualquer comunidade há sempre pessoas que nos são mais ou menos simpáticas. De uma forma geral porque não devo particularizar, posso dizer que fui muito bem aceite e integrei-me rapidamente e não tive qualquer tipo de problema com ninguém”. No tempo que permaneceu em Londres, refere não ter sido surpreendido “porque conheço a natureza humana. Trabalhei 25 anos em Portugal sendo 14 como gerente bancário e nos lugares por onde passei em Fafe, Vizela ou Vila-das-Aves encontrei comunidades que não diferem muito da que encontrei no Reino Unido”. A grande nota vai para o facto de ter detectado que “as pessoas se dividem um pouco pelas zonas geográficas do país mas não percebi que houvesse grandes problemas entre as diversas comunidades regionais portuguesas no Reino Unido”.

Sobre as divisões aparentes que José Carvalho refere, aparece a crítica ao facto de o Movimento Associativo não estar mais próximo sobretudo àquilo a que chama “dor de cotovelo. Podiam-se integrar um pouco mais e haver mais entreajuda. A Comunidade sairia beneficiada se não andassem tanto de costas voltadas mas isso acontece em todas as restantes comunidades” – afirma.

Dos fenómenos que mais se revelam no Movimento Associativo português no Reino Unido, o sentimento de posse será talvez dos mais gritantes. “Haverá pontualmente alguma sede de protagonismo mas sem motivos para exageros. Pode ter havido quem diga que eu penso ser o dono da CGD mas todos sabem que na verdade não sou”.

No tempo que passou em Londres, José Carvalho foi também um dos directores do Centro Comunitário a Sul da cidade no município de Lambeth. “O que me motivou foram duas coisas. A Direcção e a pessoa que me convidou é uma pessoa de quem gosto muito e de quem sou muito amigo e o sentido de alguma forma poder ajudar a Comunidade”. Acabaria por sair desta Direcção no final de dois anos. “Achei que tinha esgotado o que lá estava a fazer e não estando a contribuir acabei por me demitir quando entendi que era o momento” – afirma para acrescentar: “O meu foco aqui foi trabalhar para a CGD”.

Uma das curiosidades sobre José Carvalho que o grande público desconhece é a sua paixão pela viola. Quisemos saber se a guitarra teve um bom desempenho ao longo destes sete anos e a resposta não se fez esperar. “Em casa a guitarra trabalhou bastante e em alguns momentos com amigos também tive oportunidade de exercitar o gosto. Não toquei mais porque na verdade eu não sou guitarrista e não tenho Formação Musical pelo que a guitarra é para momentos de maior intimidade sempre como hobbie”.

Alimentação sem Glúten 100%

Um dos eventos a que a CGD esteve sempre presente, foi no Dia de Portugal que todos os anos acontecia em Londres. Enquanto Sponsor é da minha natureza dizer o que correu bem. Podia ter-se feito mais e melhor se de facto houvesse um pouco mais de entreajuda e união no que se refere às associações. Por aquilo que foi dado saber ao longo do tempo, algumas coisas não correram bem e outras cansadas por as coisas não correram bem também não se «chegam à frente». Acho que nos anos em que o evento aconteceu as pessoas fizeram um esforço enorme. Eu mesmo não fazendo parte da Organização tive oportunidade de ajudar na montagem e desmontagem do evento fora das minhas funções profissionais ou como Sponsor. Acho que o evento aconteceu ao longo dos anos com uma boa vontade pura das pessoas envolvidas. Umas vezes porque as coisas não correram muito bem, outras por força do clima típico de Londres que se mostra complicado e lembro-me de pelo menos em dois anos em que o clima foi particularmente agressivo e destaco o último evento que acabou por não acontecer por força do clima. Tenho pena que as pessoas tenham desistido e que não haja pessoas que não continuem a organizar um evento que prestigia Portugal, os portugueses e que unia a Comunidade.

Não sei que tipo de festa é a melhor ou a ideal pelo que penso que deveria haver uma festa que nos identifique. Veja-se o exemplo de França que tem uma grande festa para o Dia de Portugal como noutros países do Mundo e o Reino Unido tem todas as condições para um grande evento. Existe uma massa humana suficiente e acho que a Comunidade sente a falta da comemoração do Dia de Portugal” – conclui e acrescenta que “o evento tem também como função a união do Movimento Associativo”.

A CGD será talvez das instituições mais próximas do Movimento Associativo já que ao longo do ano serão muitas as solicitações para apoios aos diversos eventos organizados um pouco por todo o lado e também um pouco por todo o ano. “Há uma relação muito próxima entre a CGD e as associações e eu saio com a consciência tranquila e com o sentimento que consegui criar essa relação entre a CGD e as associações com as quais eu tive o privilégio de interagir. Haverá outras que porque não as conheço ou porque não se aproximaram essa relação não terá sido criada mas com aquelas que estão mais próximas de Londres, foi criada de facto uma boa relação que espero tenha continuidade com o meu sucessor”.

Saídas semanais para Portugal

Em termos profissionais, José Carvalho assume ter ultrapassado todos os objectivos. “Cheguei cá com dois objectivos. Tornar a marca Caixa conhecida no Reino Unido nomeadamente onde existe Comunidade Portuguesa já que é para portugueses que trabalhamos. Não consegui chegar a todo o lado nomeadamente na zona de East Anglia mas espero que quem me vem substituir possa abarcar essas localidades a que eu não consegui chegar. Acho que foi conseguido colocar a marca Caixa no mapa dos bancos portugueses no Reino Unido. Quando cheguei, havia pessoas surpreendidas pelo facto de a CGD estar em Londres, hoje em dia, a pergunta é se a CGD vai fechar o que mostra a preocupação das pessoas sobre a marca – diz para afirmar que a “Caixa não vai fechar”.

O outro dos objectivos que José Carvalho trouxe na sua vinda para Londres, foi o proveito financeiro. “Nós estamos aqui para ter resultados financeiros. Conseguir mais clientes, foi outro dos desafios e ano após ano consegui ultrapassar os objectivos que me foram propondo“.

Afro Português Restaurante em Barking

Na hora da despedida, o bancário assume sair com todos os objectivos profissionais cumpridos e com uma experiência pessoal a todos os títulos inesquecível. “A Caixa paga-me para trabalhar não para receber aplausos e foi isso que fiz no dia-a-dia de todos os dias. Provavelmente eu poderia ter feito menos mas talvez pudesse também ter feito mais e melhor. É relativo. Sinto que a minha Direcção está satisfeita com o meu desempenho”.

Aos 55 anos, José Carvalho pensa já no seu regresso a Fafe no Norte de Portugal. “Quando acabar a minha carreira estou decidido a regressar a Portugal”.

– Fafe? – perguntamos.

– Não sei. A minha infância foi passada em Moçambique e o meu corpo ainda pede climas quentes isto apesar de ter vindo para Londres e de agora ir para uma cidade supostamente mais fria. A minha natureza pede calor e se não for Fafe será mais abaixo mas seguramente em Portugal – sentencia.

Sobre a sua vida pessoal em Genéve, José Carvalho pode apenas prometer que vai aprender a esquiar. “No mínimo quero aprender a estar em cima dos esquis e não cair para o lado”.

Café Restaurante (SE27)

Nós por cá, em nome das muitas pessoas que nos demonstram amizade e carinho pelo bancário que agora nos deixa, deixa-mos apenas um recado.

– Caro José Carvalho, obrigado e divirta-se.

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