Eastbourne no mapa dos portugueses
Thursday, November 15, 2018.

Era hora de almoço de Sábado quando a redação do PaLOP News decidiu “adiantar” o calendário. Estava prevista uma visita a Eastbourne para o dia seguinte e a metereologia anunciava que nesse mesmo fim de semana estaria um tempo magnífico para a visita anunciada. Não esperamos pelo Domingo e partimos nesse mesmo momento para a estação de Vitória em Londres.
30 libras e 90 minutos depois, estavamos na estação de comboios de Eastbourne depois de termos desfrutado de uma paisagem de que Inglaterra se pode orgulhar.
Com os pés já na rua, uma comitiva de gaivotas veio dar as boas vindas aos jornalistas de serviço. Minutos depois, o nosso contacto Amilcar Reis chegava acompanhado do filho para nos recolher e mostrar as maravilhas de uma terra onde vivem muitos portugueses. Tentamos saber quantos e fomos fazendo perguntas. “Entre dois e 14 mil foi a primeira informação mas a que mais colheu foi de sete mil portugueses a viver numa pequena cidade esbarrada com o mar.
Café Confeitaria BN21 3BB

Fomos à descoberta do mar para matar as saudade de quem, em Londres, nunca vê a água com ondas. Um mar calmo visto a dezenas de metros de altura foi o primeiro show para os olhos verem.

No cimo da ravina, aqui e ali, flores e crucifixos de madeira a assinalar as pessoas que tinham escolhido aquele local cheio de serenidade para o suicídio. O lugar é bonito mas a prática não é recomendável. Com uma terra tão linda assim por conhecer, ninguém merece morrer.
Depois de um extenso passeio a pé, decidimos voltar à pacata cidade e estacionar o carro. Assim que o conseguimos, bastou espreitar para o fundo da rua e identificar uma pequena esplanada com as cores da cerveja Sagres. Por cima, um letreiro anuncia: O Farol – Portuguese Restaurant & Cafe. Estavamos a chegar na hora de um petisco regado com Sagres e acompanhado por deliciosos caracóis. Na gestão deste Farol, Maria de Jesus que cerca de 40 anos antes abandonou Tomar e veio para Londres onde viveu até decidir comprar uma casa na praia. Vez após vez, foi visitando a propriedade para depois por lá se radicar. “Já quase não visito Londres” confessa ao nosso reporter.
Cabeleireiro NW10

Na ementa, borrego, bacalhau, feijoada transmontana e arroz de marisco que no dia seguinte nos obrigou a lamber os dedos. Ficou decidido. No dia seguinte, seria no O Farol que teríamos o repasto ao almoço. Acabados os caracóis, um pão torrado para o molho que fazia de espelho no fundo do prato.

O pão, soubemos depois, é confecionado por uma portuguesa que reside na cidade e que na ausência de emprego decidiu cozer pão e vendê-lo aos restaurantes. Pão feito à mão e por isso, abençoada padeira, que nunca lhe doam as mãos.
Foi pois de barriga cheia que abandonamos o local para uma noite de sono merecido. No dia seguinte, seria dia de trabalho duro. Muito duro.
Começamos por visitar a marina onde os barcos atracados servem de paisagem aos edifícios de habitação e onde as lojas dão o charme da vida em cima do mar. Pela marina, pequenos cursos de água fazem um xadrez que nos enche os olhos de um ambiente de barcos a entrar e a sair mesmo na boca do mar. De máquina fotográfica em punho, fotografamos os peixes visíveis a passear na água da marina que serve de vizinha a um mar de cor verde que nos arrasta a saudade.
Ourivesaria Portugal – Londres SW8

Só a falta de areia nos impedia de molhar os pés numa água deserta mas num recinto com muitos banhos de sol.

Regressamos à cidade num desfilar de hoteis que maioritáriamente anunciavam lotação esgotada. A multidão, rua abaixo e rua acima, desfrutava de um sol que entrava nos carros (muitos) descapotáveis numa marcha lenta própria de zonas marinhas com excesso de trânsito. Tal como qualquer outro animal, os humanos são chamados pelo sol e o espaço enchia-se de gente e movimento colorido para onde quer que desviem os olhos. A tarde, ameaçava ser de encanto.
Regressamos ás ruas da cidade e ouvimos falar português. Naquele mesmo local, um Fish and Chips tipicamente inglês na mão de um português.
Tony, nascido em Moçambique e filho de madeirenses está à porta a cumprimentar as muitas pessoas que conhece e que por ali passam. Paramos à conversa no Holliday Inn Fish and Chips.
Saídas semanais para Portugal

“Não temos comida portuguesa” – diz-nos Tony que tem nos ingleses o grosso dos seus clientes. “Os teatros trazem muita gente ao Fish and Chips” diz António que tem nos seus empregados 6 distintas nacionalidades.

Depois de um cappucino que estava um simples espectáculo, partimos de novo à orla marítima. Uma feira de muitas tendas dava ao rebentamento das ondas um encanto de um jardim multicolorido que os ingleses orgulhosamente ostentam um pouco por todo o Reino Unido. Passamos ao largo pelas iguarías que tentavam o estômago. Estava na hora do almoço e por isso voltamos ao O Farol.
Acabada a refeição, era já meio da tarde, momento de regressar a Londres para gravar uma entrevista a decorrer em Hendon.
A promessa de voltar ficou feita mas não sabemos se vamos resistir muito tempo. Combinado, ficou também abrir a oportunidade a outros lusofalantes em Londres para visitar a simpática cidade de Eastbourne.
Importador e distribuidor de produtos portugueses

Por visitar ficaram outros estabelecimentos de portugueses na cidade. Fizemos o registo e quando o comboio partiu para Vitória, deixamos no ar uma frase breve.

– Até breve. Muito breve.
Agradecimentos
O PaLOP News agradece a gentileza de Amilcar Reis que foi inexcedível no acompanhamento da equipa do PaLOP News.
PN

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