E agora Portugal?
Thursday, September 20, 2018.

Depois de o Governo português ter assinado compromissos com a Europa, depois de o Governo de José Sócrates ter desenhado o plano de viagem económica para contornar mais uma curva da crise, a oposição deicidiu chumbar o PEC 4 e levar o Governo à demissão e consequente dissolução do Parlamento. No resultado da operação, Portugal volta a eleições.
Passos Coelho, conseguiu sem esforço acertar no próprio pé e fez um disparo que só pode resultar na subida de Paulo Portas que enche o peito de ambição e ganância política. Não esqueço a forma como Paulo Portas chegou à presidência do partido a seguir a Manuel Monteiro, como não esqueço as primeiras páginas do jornal Independente quando o jovem Portas era o seu director. Um advogado que confessou não saber distinguir o sacado e sacador numa letra bancária. É esta a competência do licenciado em Direito Paulo Portas e foi nas mãos deste conceituado técnico de Direito que Portugal entregou a missão da compra de dois submarinos. Estou esclarecido.
Quando numa situação de divórcio, os juízes recebem Formação para cuidar dos superiores interesses da criança. Não importa o que vai acontecer aos pais, contando que os seus “rebentos” estejam acautelados.
Na política, quando algum interesse está em causa, serão necessáriamente os interesses do povo mas não foi isso que aconteceu com a decisão do Parlamento Português.
Antes de tomarem decisões, os políticos portugueses deveriam ter perguntado o que iria acontecer ao povo com a decisão tomada. Deveriam ter questionado sobre o futuro a curto, médio e longo prazo da população já de si fustigada pelo alto nível de vida, pelos altos juros que os bancos cobram, pelo aumento do custo dos bens essênciais e pelo custo de associar uma crise económica a uma crise política.
As agências de intervenção mundial desvalorizaram Portugal e deixaram a nação ao nível de um tapete como se fosse um capacho a violar o orgulho de todo um país. Abaixo do nível em que Portugal se encontra, encontram-se apenas os vigaristas autores de incobráveis e um povo inteiro com “falta de ar”.
Passos Coelho e Paulo Portas, perderam a calma e pensaram ser a hora certa para fazerem o seu “assalto ao poder” na esperança de que o povo fosse a correr aclamar o salvador da Pátria. Desiludidos porque afinal não é assim que o povo pensa, ambos estão agora empenhados em reparar prejuízos com um prazo de validade que dura até ás próximas eleições.
Os portugueses, preparam-se agora para conhecer um ano que não estava previsto, com dificuldades que qualquer português com menos de 30 anos não conhece. Mas vai ficar a conhecer.
Os bancos vão vender menos dinheiro porque vão ter o “stock em baixo”, o investimento público vai estacionar, o emprego vai descer fruto da falta de investimento e confiança nos mercados e as únicas coisas que os portugueses vão ver subir é a taxa de juro, a conta do supermercado, da luz, da água e dos combustíveis com tudo o que isso implica.
Imagine-se uma empresa em crise financeira cujo gestor decidiu criar um plano de sobrevivência. Serviu-se da sua experiência e do seu bom nome para criar esse plano e um dia antes de assinar as soluções foi assassinado. Mal comparado, foi mais ou menos isto que aconteceu com o chumbo que o PSD e o CDS/PP fizeram quando chumbaram por “homícidio” político o PEC 4.
Não restam dúvidas que já vão sendo demasiados PEC’s e que o povo vai perdendo a paciência para tanto PEC/ado mas daí a optar pelo sucídio vai uma grande diferença.
Os militantes do PSD que elegeram Passos Coelho e os militantes do CDS/PP que elegeram Paulo Portas, são os responsáveis pela crise que se está a abater em Portugal e desta vez, não se pense que vai ser uma crise qualquer. Longe das crises habituais, os portugueses, vão sentir o valor das facturas dos consumos generalizados e nós imigrantes mais não podemos fazer do que lamentar e rezar para que Portugal consiga fazer a curva com o mínimo de esforço possível.
Não se pense que a crise vai ser sentida apenas pelos portugueses que vivem em Portugal porque os que vivem no estrangeiro, vão sentir a mesma crise de várias formas; a mais violenta, é por saberem que em Portugal estão a sofrer os familiares e amigos. Afinal, o sangue do nosso sangue porque é a Língua e os sotaques que nos sangram neste momento.
Não se entende que os nossos parlamentares não revejam a Constituição de forma a que este género de situações não se repitam. Se é verdade que a Constituição tal como está só interessa ao PS e ao PSD, também é verdade que deveriam ser estes a fomentar a revisão desse regulamento de “condomínio” de forma a acautelar os superiore interesses da “criança” que é o povo que todos somos.
Ao não pensarem nas consequências, os nossos parlamentares, afinal, não são parlamentares mas são “para lamentares”.

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