Duas das famílias portuguesas afectadas por corona vírus em Londres
Saturday, July 4, 2020.

Quase a atingir os três milhões de casos detectados em todo o Mundo e quase duzentos mil óbitos, o Reino Unido regista quase 150 mil casos confirmados com a ameaça de ultrapassar em breve os vinte mil óbitos com um total superior a meio milhão de testes efectuados.

A zona mais fustigada do Reino Unido é Londres com uma população estimada em quase dez milhões de habitantes e onde residem várias dezenas de milhares de portugueses e falantes de Português de outros países como o Brasil ou os PALOP’s.

Temos conhecimento de quatro óbitos de portugueses e uma quantidade indefinida de contagiados não havendo no Reino Unido informação segmentada por nacionalidade.

Transportes internacionais

Preocupante os infectados que vivem no Reino Unido em situação de indocumentados por não não terem acesso a qualquer tipo de apoios da Segurança Social e por terem medo, ainda que de forma injustificada, de recorrerem aos serviços de saúde do NHS.

Em Londres, escolhemos dois registos de duas famílias que vivem uma a Norte da cidade e outra a Sul do rio Thames que divide a cidade em duas partes. Entretanto, temos vindo a consultar o website da BBC que oferece os valores por “post code” (código postal) embora não havendo dados para toda a Grande Londres (Great London) da mesma forma que diariamente consultamos os valores a nível mundial

A Sul da cidade, falamos com Margarida Martins que teve dois filhos e outra criança a residir conjuntamente infectados em casa tendo o filho mais velho dado entrada nas urgências de um hospital londrino.

“Lamento o tratamento que os serviços de saúde me ofereceram e embora tenham salvo a vida do meu filho foi preciso pressionar de forma quase violenta” – refere a portuguesa a residir em Norwood a Norte da cidade.

Segundo a nossa entrevistada, os tempos de espera para o atendimento na urgência do hospital foram excessivos chegando a várias horas de espera associando a esta situação uma “saturação dos corredores com um excedente de pessoas em sofrimento”.

Segundo a mesma entrevistada, o filho terá vindo do hospital com medicação e absolutamente traumatizado. “Viu pessoas, algumas com alguma idade caídas no chão e estando impossibilitado de tocar viu-se também impossibilitado e impotente para ajudar”.

Consultoria

Para esta portuguesa que permanece em quarentena por mais de 45 dias, o período tem sido desgastante. As avaliações têm estado a ser feitas por telefone” – referiu a nossa entrevistada o que levanta outra questão sobre o volume de portugueses que a residir no Reino Unido não fala Inglês.

Margarida Martins refere ainda o esforço de durante toda a quarentena ter estado a dar assistência aos três quartos onde estavam os três infectados. “Faço trabalho de enfermaria e todos os dias tenho que distribuir refeições, recolher roupa suja e entregar roupa lavada a uma cadência diária” – refere esta portuguesa que por ausência de sintomas teme ser assintomática. “è difícil imaginar como é que com três pessoas infectadas em casa eu e o meu marido não tenhamos qualquer sintoma de contágio” – refere.

No momento em que escrevemos este trabalho, todos estão já recuperados embora ainda com resquícios dos últimos dias. “Estou exausta mas tenho que continuar. Embora o meu filho mais velho esteja a recuperar está muito debilitado” – diz a nossa entrevistada.

A outra família vive a Norte de Londres e também nesta casa o covid apareceu sob a forma de contágio. Aproveitaram a quarentena para fazer pão e de tal forma o fizeram que começaram a oferecer a quem dele precisava.

A família Neves, entende que é a ajudar outros que se passa a melhor quarentena. Em contacto com o nosso jornal, Vitor Neves assume que toda a sua família foi diagnosticada e entrou em quarentena recolhendo a casa. Perante o tédio decidiram fazer pão para o “Food Bank” (Banco Alimentar e à Terça-Feira entregam 50 pães.

Para conseguir levar em frente esta acção, a família neves tem contado com o apoio do Tamariz, mercearia portuguesa em Harllesden a Norte de Londres e onde vive uma extensa comunidade de Língua Portuguesa.

Wellfare Advisors – Segurança Social

Nesta mercearia, “70% da margem de lucro dos vegetais vai para o Banco Alimentar” – Revela Amândio Cardoso gestor do estabelecimento que acrescenta neste ramalhete a contribuição das flores que também vende na Delicatessen (Mercearia).

Acontece que numa das noites em que a família neves estava a confecionar o pão (19 de Março) era também dia de aniversário do jovem Kevin, filho do casal. À noite desse mesmo dia, um conjunto de viaturas da polícia e diversos agentes decidiram visitar a residência da família Neves com algum alarido.

“Fiquei um pouco assustado quando vi o aparato policial” – Diz Vítor Neves. Quando a porta se abriu para a polícia, uma agente perguntou se aquela era a residência do jovem Kevin de 12 anos. Perante a confirmação, os agentes da polícia informaram que estavam ali para presentear o aniversariante com chocolates e para lhe desejar um Feliz Aniversário (Vídeo).

PN/Londres

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