PM britânico defende pena mínima para terroristas e é acusado de estar a usar atentado
Sunday, December 8, 2019.

O primeiro-ministro britânico defendeu penas mínimas de 14 anos para crimes terroristas, dois dias após um ataque que matou duas pessoas na Ponte de Londres, tendo sido acusado de usar o atentado com fins políticos.

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“As condenações por crimes terroristas devem ser alvo de uma sentença mínima obrigatória de 14 anos e alguns [dos condenados] não devem sair nunca mais”, disse Boris Johnson, referindo-se ao facto de o responsável pelo ataque realizado na Ponte de Londres, na sexta-feira, ter sido condenado em 2012 por terrorismo e libertado automaticamente seis anos depois.
Boris Johnson já tinha afirmado no sábado que ia rever o regime da liberdade condicional no Reino Unido, na sequência do ataque de um ex-detido condenado por terrorismo.
O grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo ataque do britânico Usman Khan, de 28 anos, que provocou dois mortos e três feridos, tendo sido morto a tiro pelas forças policiais.
Usman Khan foi condenado a um período indeterminado de prisão em 2012, mas um recurso interposto em 2013 reduziu a sua pena para 16 anos de prisão.
O homem iniciou o ataque de sexta-feira numa conferência sobre a reabilitação de prisioneiros, organizada pela Universidade de Cambridge, num edifício perto da London Bridge, e na qual participou.

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“Este sistema [de liberdade condicional automática depois de cumprida parte da pena de prisão] tem de acabar – repito, tem de acabar”, disse Boris Johnson, que é também candidato à sua reeleição, no dia 12.
“Todos os crimes terroristas e extremistas devem ter cumprimento integral da sentença proferida pelo juiz: esses criminosos devem cumprir todos os dias da sua sentença, sem exceção”, afirmou o líder conservador, acusando o Partido Trabalhista de estar na origem da lei que permitiu a libertação automática de Usman Khan.
Estas medidas teriam impedido o ataque sangrento reivindicado pelo grupo ‘jihadista’ do Estado Islâmico, assegurou o primeiro-ministro.
“Deem-me uma maioria e eu proteger-vos-ei do terrorismo”, garantiu.
As propostas avançadas pelo primeiro-ministro não constam do programa de Governo apresentado pelos conservadores para as eleições de 12 de dezembro, o que está a provocar acusações de uso do atentado como forma de obter ganhos políticos.
Uma das vozes críticas é a do pai de uma das vítimas, Jack Merritt, cujo nome foi citado pela comunicação social, mas cuja morte não foi oficialmente confirmada.

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Jack Merritt, de 25 anos, fazia parte do Instituto de Criminologia de Cambridge e foi coordenador do programa “Learning Together”, que reúne académicos e prisioneiros para trocarem conhecimento, tendo sido um dos organizadores do evento de sexta-feira.
“Os serviços responsáveis pela [liberdade] condicional e reabilitação dos condenados deveriam vigiar os prisioneiros após a sua libertação”, escreveu David Merritt na rede social Twitter.
“Desde 2010, quando os conservadores chegaram ao poder, esses serviços foram drasticamente cortados, o que reduz a nossa segurança”, apontou.
Também o vice-presidente do partido Liberal-Democrata, Ed Davey, criticou as declarações de Boris Johnson, defendendo que “mesmo no meio de uma eleição, não se deve capitalizar politicamente uma tragédia”.
“É isso que ele [Boris Johnson] está a fazer e de uma maneira que visa enganar as pessoas”, acusou, em declarações à Sky News.
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, também contestou a posição de Boris Johnson, defendendo que não é necessário deitar fora a chave da prisão dos condenados por terrorismo.
“Depende das circunstâncias”, afirmou à Sky News.
“Nenhum Governo consegue impedir todos os ataques”, mas “pode tomar medidas para tornar esses atos terroristas menos prováveis”, argumentou, acrescentando que “o foco deve estar na polícia e nos serviços sociais”.
O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, tentou, por seu lado, minimizar as críticas aos conservadores, afirmando que “ninguém pode achar que tomar as medidas necessárias para proteger o público constitui, de alguma forma, um uso político da situação”.

PN/Lusa

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