De olho no Brexit
Thursday, February 21, 2019.

São muitas as pessoas que por diversos meios se dirigem a mim com perguntas sobre o Brexit.  “Como vai ser?” ” O que vai acontecer” ? ” Vamos ficar?”  “Temos que ir embora ?” “O que fazer para podermos ficar no Reino Unido ? “Como vai ser se tivermos que ir embora?”

Advogados internacionais

A todos, procuro responder com uma paciência que quase não tenho e depois, não sou pago para ser consultor ao contrário de algumas pessoas que sendo pagas, têm ainda menos informação que eu.

Será interessante ter empresas no Reino Unido e continuar a trabalhar? Será que os ingleses vão continuar a ter o poder de compra para continuarem a ser turistas na Europa? Justifica-se que haja investimento em corredores especiais nos aeroportos de Faro e do Funchal exclusivamente vocacionados para os turistas britânicos?

São muitas as perguntas para tão escassas respostas.

Maquilhagem

Se fizermos uma viagem a Junho de 2016 e virmos tudo o que aconteceu a que devemos acrescentar o que não aconteceu e talvez devesse ter acontecido, descobrimos um bailado que dificilmente alguém saberá explicar. Vejamos um detalhe que todos os eusopeus a viver no Reino Unido assistiram impotentes para perceberem como actuar.

No dia seguinte ao referendo, milhares de pessoas acorreram a escritórios de advogados e solicitadores, associações e até alguns oportunistas no sentido de se informarem sobre as condições para permanecerem no Reino Unido. Os preços, variaram em função da empresa ou da estrutura que anunciava estar em condições de garantir um correcto preenchimento do formulário que garatia a certeza de permanência no Reino Unido. Entre as 300 e as 3 mil libras dependendo do técnico consultado. O impresso com cerca de uma centena de páginas, pedia ainda 75 libras para pagamento ao “Home Office”, instituição que administra as candidaturas de quem pretende ficar no Reno Unido e foram milhares as pessoas que pagaram aos técncos e ao Governo Britânico pelo preenchimento do complexo (?) impresso.

Dois anos depois, tudo parece simples e haverá apenas lugar ao preenchimento online de uma candidatura com o pagamento  de 65 libras. Dias depoisTheresa May anuncia que a candidatura para membros da União Europeia será grátis. La lembrança, as pessoas que pagaram centenas e até milhares de libras dois anos antes e que agora descobrem que o dinheiro foi gasto em vão até porque, terão que preencher novo formulário.

Outro cruzamento dificil de descrever, é o facto de haver quem pretenda prolongar o Brexit para um prazo que ultrapassa as eleições europeias. Como será com os eurodeputados britânicos? Tomam posse durante alguns dias ou simplesmente não se candidatam

Theresa May, vê-se entalada entre Bruxelas, a oposição em Westminster e os rebeldes do seu próprio partido. Não desiste e insite que o Brexit tem que acontecer. Tony Blair e muitos outros políticos influentes, apelam a um segundo referendo, Theresa May diz que isso será impossível. Corbyn, íder do Partido Trabalhalhista (Labour Party), apela para eleições antecipadas e é aqui que Theresa May recupera pelo menos os rebeldes que a suportam no Parlamento.

West Norwood – Londres

Bruxelas informa que o Reino Unido pode voltar com a palavra atrás, Cameron, em entrevista, declara que nunca tinha pensado que o Brexit pudesse vencer quando convocou o referendo e os mais de três milhões de europeus a residir no Reino Unido têm todos os dias uma informação diferente e no dia seguinte o seu contrário.

Algumas empresas, deslocam-se para outros países da União Europeia e a praça financeira de Londres treme entre as saídas de alguns activos e os avisos do Banco de Inglaterra. O ambiente político não fornece garantias nem para as empresas nem para os cidadãos sejam eles britânicos ou europeus a viver no Reino Unido.

Recolha de todo o tipo de lixos

Por outro lado, os britânicos a residir nos países da União Europeia, sentem-se também eles inseguros e apreenssivos em relação ao futuro. A classe política não se entende e cada vez mais se fala de uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia. O cenário do “no deal” (sem acordo), é aquele que está mais presente quando estamos a dois meses do dia 29 de Março anunciado como o prazo para a retirada do Reino Unido.

Outra parede se levanta com a questão das irlandas e logo no início de 2019, nova bomba explode com a suspeita de haver um grupo remanescente do IRA.

O Brexit tornou-se uma sopa que um dia está salgada, no dia seguinte está insossa para voltar a salgar no dia seguinte. Qualquer que seja a pergunta sobre o Brexit, a resposta é sempre nenhuma. Da manhã para o fim do dia, depois de mais um debate no Parlamento ou um reunião em Bruxelas, a informação altera-se; muitas vezes em sentidos opostos.

Não cumprir com o Brexit ou propor novo referendo, seria de facto perigoso para a mentalidade democrática dos britânicos pelo que a única saída será mesmo a saída. Importaria que fosse uma saída com um acordo que Bruxelas aceitou mas que o Parlamento em Westminster recusou. De ambos os lados, os comentários são o mesmo: “Está tudo em aberto e tudo é possível”. Nos discursos políticos, a saída desordenada é aquela que aparece com mais probabilidades de acontecer.

Para quem não tem voz activa no assunto, fica a incerteza e essa é a unica certeza.

Sobre o Brexit, perguntem depois de 2020. Talvez nessa altura já seja possível ter algumas certezas sobre o que vai acontecer até lá.

Manuel Gomes

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