CPP ou PCC? Não? Sim? Nim.
Monday, July 23, 2018.

Centro Comunitário Português ou Portuguese Community Centre, são os dois nomes de um mesmo projecto que levou o Borough (Distrito) de Lambeth (Sul de Londres) a criar condições financeiras para que a comunidade de Língua Portuguesa pudesse desenvolver projectos de apoio ás populações que habitam na região conhecida por “Little Portugal” a Sul de Londres.
Steve Reed, em Conselho Municipal, fez aprovar a verba de meio milhão de libras para a fase inicial do projecto esperando que isso pudesse ser mobilizador no sentido de que a comunidade pudesse apresentar projectos úteis para a comunidade.
Inicialmente, com o conselheiro da comunidade portuguesa António Cunha a encabeçar o projecto e posteriormente com Lia Matos a gerir os destinos do mesmo projecto, a institução que se encontra registada como “charity” atravessou os ultimos dois anos sem que qualquer ideia de construção pragmática tenha sido elaborada.
No decurso da presidência de António Cunha, nenhum projecto foi elaborado e nenhuma informação foi fornecida à imprensa ou ás populações para que estas pudessem ter conhecimento da utilidade do meio milhão de libras.
Depois da “guerra interna” que opôs António Cunha à sua “delfina” Lia Matos e que deixou esta última na gestão do projecto, assistiu-se a uma esperança de que as coisas pudessem sofrer alterações mas não foi o que aconteceu. A informação à imprensa ou ás populações continua sem ser fornecida e nada transparece sobre o que foi feito, o que está a ser feito ou que projectos existem para o futuro.
O PaLOP News tem conhecimento de que foi efetuado um levantamento das necessidades da população mas os resultados desse estudo permanecem desconhecidos e nem a ajuda dos jornais de Língua Portuguesa fornecida ao PCC (ou CCP) foi aproveitada.
O PaLOP News contactou por diversas vezes o “board” (direcção) do PCC oferecendo a sua disponibilidade para qualquer matéria em que pudesse ser útil mas nunca recebeu resposta da mesma forma que não se conhecem os resultados sobre o recrutamento do voluntariado.
Das 40 mil libras alegadamente já dispendidas, nada se sabe dos resultados e apesar das promessas de Lia Matos, Adelina Pereira e Luis Ventura (executivo do projecto), a verdade é que nenhuma das promessas de divulgação de informação foi dada desde que tomaram posse. Por outras palavras, o resultado de meses de trabalho e de 40 mil libras gastas é igual a zero em termos de informação o que nos leva a questionar as razões para tanto secretismo em torno de um trabalho que vive de dinheiros públicos e que deveria funcionar em prol da comunidade.
Outra das questões que circula nos “mentideros” da comunidade, questiona quem, quando, como e com que autoridade as comissões de direção tomam posse e ao abrigo de que legislação. Sendo certo que a legislação britânica é diferente da legislação dos países lusófonos para as questões associativas, a verdade também é que não havendo resultados fica a dúvida da capacidade de gestão e produção de projectos desta direção e do tempo que permanecerá em funções.
O projecto inicialmente previsto para a comunidade portuguesa degenerou posteriormente para a comunidade de Língua Portuguesa envolvendo todas as restantes comunidades de Língua Portuguesa em Lambeth.
Eu suma, nada se sabe ou se conhece sobre o trabalho desenvolvido por esta ou a anterior direção.
Não é possível questionar o trabalho desenvolvido, simplesmente porque não se conhece qualquer resultado desse trabalho. Em relação à união associativa ou a qualquer outro projecto, os elementos do PCC entram mudos e saiem calados de qualquer questão que aborde o trabalho até então desenvolvido numa clara manifestação de incompetência para gerir a informação a que as populações têm direito já que o meio milhão de libras só terá sido aprovado porque essa comunidade existe. Sem a existência dessa comunidade, não haveria necessidade desse fundo de onde já foi gasta uma parcela significativa para o trabalho que nunca foi apresentado.
A escassos 12 meses dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, também não se conhecem quaisquer iniciativas do “board” do PCC com vista à inclusão da comunidade nas lides olímpicas sabendo o PaLOP News do esforço que o Comité Olímpico tem feito no sentido de aproximar as comunidades do evento. Além da deslocação a Lisboa em comitiva com vista a promover a visita dos atletas portugueses a Lambeth, nenhum esforço é conhecido para promover a integração da comunidade nas olímpiadas em Londres de onde os portugueses estarão definitivamente(?) afastados e onde as outras comunidades estão envolvidas por via da aliança africana para os países PALOP e o Brasil pela via da Aliança Ibero Americana. Só a comunidade portuguesa permanece sem qualquer definição, projecto ou esperança.
Algumas tímidas manifestações no Spriengfield em Stockwell sem qualquer capacidade para arrastar as populações e um projecto anunciado para reunir os empresários portugueses ainda sem qualquer expressão ou ideias apresentadas, são o resultado do trabalho de uma direção que está claramente deficitária de ideias e organização para a mais antiga e maior comunidade imigrante num dos maiores distritos londrinos. De resto a reunião com a classe empresarial parece estar mais talhada para a angariação de ideias do que para apresentação de soluções numa clara evidência que a direcção do PCC nada sabe sobre as dificuldades e frustrações dos empresários portugueses em Lambeth. Nenhum levantamento foi efectuado e não será concerteza por falta de voluntariado sendo previsível que a razão seja pelo ineficiente aproveitamento do voluntariado inscrito e não atendido.
Findo o período de férias, veremos o que esta direção tem para apresentar no contexto das suas atribuições e dos compromissos assumidos com o Council de Lambeth em favor da população de Língua Portuguesa e na ausência dessa informação, a capacidade que esta equipa possa desenvolver para se renovar e reinventar para que os falantes de português possam efectivamente tirar partido do esforço que o Lambeth Council desenvolveu ao destinar as quinhentas mil libras tão pompasamente anunciadas e agora tão discretamente estacionadas.
A informação é um direito das populações e um dever de qualquer direção que venha a ocupar os destinos de um projecto que reverte, ou deveria reverter em benefício das populações.

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