A vergonha que não temos
Thursday, November 15, 2018.

Uma câmara municipal londrina ofereceu meio milhão de libras a uma comunidade de imigrantes que residem num dos seus distritos. Lambeth foi a escolhida.
A verba, foi depositada num Fundo Financeiro e essa comunidade tem desde já direito a receber os juros do valor com dois anos de antecedência. Qualquer coisa como entre 20 a 80 mil libras dependendo dos resultados. Não sendo nada, dá para comprar um motor de arranque.
Dois anos volvidos, a comunidade que recebeu o meio milhão de libras sujeita-se a perder tudo apenas porque não apresentou projectos. Até dói.
Se dissermos que esta comunidade é a que fala português, dói até à alma. Enquanto povos de 8 países distintos, insistimos em eleger os políticos errados. Enquanto imigrantes, os líderes trocados.
António Cunha, autor e mentor da ideia de um Centro Comunitário é também a personalidade que conseguiu a verba incluida e acaba de ser destituído do cargo através de um “motim” eleitoral que votou contra a sua manutenção.
O Conselheiro da Comunidade Portuguesa (Cabeça de lista), poderá estar a dar por concluída a sua participação neste projecto comunitário. Em contraponto, o projecto mexe pela primeira vez em termos pragmáticos. Reuniões abertas ao público com informação diversa, cursos de inglês e uma visita a Lisboa a espreitar os apoios já estão no CV.
Para algumas fontes próximas de António Cunha, o conselheiro não vai desistir e vai concerteza fazer “estragos”. O “estrago” principal já está feito pelo facto de Lia Matos ter apresentado queixa crime contra António Cunha. No cerne da questão, o Conselheiro terá exibido documentos pessoais em diversos estabelecimentos numa frente pública. Os documentos incluem, segundo as mesmas fontes, cópia do passaporte e prova de endereço de um dos membros do “board”.
Documentos emitidos pelo Santtander poderão também confundir a opinião pública. “Estão carimbados pelo banco” diz António Cunha.
“Nunca chegaram a ser processados devido a irregularidades” diz fonte do Centro comunitário de Apoio à Comunidade Lusofona.
Por outro lado, existe a possibilidade de o próprio Banco Santtander poder agir judicialmente sobre Lia Matos pelo facto de ter assinado cheques que foram assinados pela própria, sem que os papeis referidos antes tivessem sido processados. Na prática, alguém assinou cheques sem estar mandatado para o fazer e o os cheques foram pagos ao sacador. O Santtander tem porém um documento que procura isentar Lia Matos de responsabilidades.
O banco alega que a conferência de assinaturas é aleatória e que não poderia conferir os milhões de cheques diários. Na verdade os cheques foram pagos mas a informação que Cunha exibe nunca foi processada. A diferença de comportamento dos bancos portugueses e ingleses pode estar a deixar poeira nos olhos da comunidade.
Para os actuais directores do Centro Comunitário de Apoio à Lusofonia que antes se chamava Centro Comunitário Português, o acesso à informação bancária só é dado a directores que já não fazem parte do “board” há muito tempo.
O Santtander pode dar informação a antigos dirigentes que já abandonaram o “barco” há muito tempo mas não pode dar a mesma informação a Lia Matos, actual presidente do centro e que assinou os cheques com que foram pagas as primeiras despesas.
Um prato cheio para as más línguas da comunidade onde nos estamos a sentir quando escrevemos este trabalho.
Pelo caminho, é a comunidade no seu todo que sai a perder por não se organizar, por não ter uma estrutura. Pelo menos 50 mil pessoas poderão estar a ser prejudicadas com este sumário. São aquelas que vivem em Lambeth.
Se os ingleses a viver em Portugal tivessem esta atitude com as autoridades portuguesas, os presidentes de Câmara já teriam mandado os ingleses ás urtigas. Com um “F”.

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