A atração estrangeira pelo mercado imobiliário português
Sunday, August 19, 2018.

Recentemente, o Gabinete de Estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), divulgou dados apontando que um quinto das habitações compradas durante o ano passado em Portugal foi adquirido por estrangeiros.

Segundo os dados da APEMIP, o investimento estrangeiro para compra de habitação em Portugal teve em 2017 uma representatividade na ordem dos 20%, mantendo-se a nacionalidade francesa no lugar cimeiro dos estrangeiros que mais investem em Portugal, seguindo-se os brasileiros, ingleses, chineses e angolanos.

Mais do que um importante indicador da fase de crescimento da economia portuguesa, a dinâmica do mercado imobiliário português impulsionada pelo investimento estrangeiro é fundamental para o desenvolvimento sustentado do país, e assume-se como uma componente atrativa de recursos humanos capazes de contribuírem par

a o equilíbrio da balança  migratória nacional. Como é o caso dos investidores canarinhos, que perante a instabilidade politica, social e económica que o Brasil atravessa, que tem levado à entrada nos últimos tempos em terras lusitanas de milhares de brasileiros, parecem encarar Portugal como uma nova Miami.

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No entanto, esta atração estrangeira pelo mercado imobiliário português coloca concomitantemente grandes desafios aos agentes e decisores nacionais. Desde logo, porque este investimento estrangeiro tem-se concentrado essencialmente nas regiões de Lisboa Porto e Algarve, o que é revelador das assimetrias no desenvolvimento do litoral e do interior, e da necessidade imperiosa de se assumir uma estratégia concertada para promover o país do interior, através da valorização da natureza, do património, da cultura, da gastronomia e dos produtos locais.

Essa estratégia de valorização do interior, capaz de alavancar o desenvolvimento dos territórios, e conter o fenómeno dramático do despovoamento, pode e deve beneficiar da dinâmica estrangeira no mercado imobiliário português, tanto que as perspetivas da APEMIP para o presente ano é que os investidores possam apostar na compra de casas fora das zonas tradicionais, prevendo-se uma possível aposta em regiões do país que disponham, por exemplo, de condições de excelência para a prática do turismo rural.

Por: Daniel Bastos

PN

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