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Preso no Reino Unido

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A viver num país estranho, sem falar a língua local e ser apanhado nas malhas da justiça, é uma situação que arrasta episódios diferentes do que quando o cidadão é detido no seu próprio país. As diferenças legislativas britânicas em relação à generalidade dos restantes países europeus, facilita o confronto da justiça inglesa com os imigrantes que uma vez mantidos na "sombra" da justiça inglesa se confrontam com dificuldades de diversa ordem.
Entrevistamos dois cidadãos de Língua Portuguesa que estiveram detidos para saber como se vive dentro de uma cadeia no Reino Unido. O trabalho desenvolvido assenta apenas nas cadeias da "Comarca" de Londres não abrangendo cadeias de outras "comarcas" do Reino Unido. Os nomes são falsos uma vez que os entrevistados ainda não estão completamente livres dos casos em que estão envolvidos.
"No meu caso, estive livre por um período de tempo até ao dia em que decidiram prender-me em julgamento com a acusação de que sou um cidadão perigoso" - diz-nos Mário (nome falso) que esteve preso por agressão física e à data da entrevista ainda se encontrava em liberdade condicional. "Não entendo como estive tanto tempo livre sem qualquer incidente e de repente passei a criminoso perigoso e sou mandado para a cadeia com dois anos de privação de liberdade".
Ambos os entrevistados têm a opinião unânime de que no momento da detenção a atitude da polícia não tem nada de simpático. "Chegaram e levaram-me dizendo apenas para os acompanhar e já fui algemado mesmo sem saber de que estava acusado" - refere Mauro (nome falso) um cidadão brasileiro com passaporte português.
No caso de Mário, a situação foi ainda mais dolorosa. "Como tenho os braços curtos tive dificuldade em meter os braços atrás das costas para meter as algemas e a polícia não teve contemplações. Forçou a magoaram-me bastante sem hesitar e sem que eu tenha oferecido resistância. Foi uma entrada à "matador" e nem sequer me cumprimentaram antes de me algemarem. Algemaram-me primeiro e cumprimentaram depois" - refere - " e nem sequer me leram os direitos ou me informaram a razão pela qual eu estava detido embora eu soubesse o motivo" - diz Mário.
Quanto à recepção dos outros presos à entrada de novas caras, o registo é de "normalidade", diz Mário. Já Mauro, não esquece que teve que partilhar a cela com pessoas estranhas. "Tive um companheiro de cela absolutamente doido" - diz Mauro. "Um dos companheiros que me caiu em sorte cantava o tempo todo. Não conseguia ler ou dormir quando ele estava acordado e apesar dos meus pedidos não houve direito a trocas" afirma.
"Os outros presos reagem normalmente. Os momentos em que vamos buscar a comida é que regista alguns abusos com alguns presos a não respeitarem a fila e a passarem à frente de quem está sem qualquer rebuço. Não é que faça diferença mas não deixa de ser um registo de falta de respeito pelos outros. Isto não deveria ter importância mas naquele ambiente tem" diz Mário que nos informa que os presos vão buscar a comida a um balcão de self service e depois recolhem à cela onde comem. "A cela é o único lugar onde é permitido comer" diz Mário. "A distribuição da comida é feita por outros presos numa espécie de bar" revela.
Os talheres, são todos de plástico a exemplo do que acontece na maioria das cadeias em todo o Mundo para evitar que os presos afiem os cabos dos talheres de metal nas paredes de cimento. "Isso não resolve o problema" diz Mário. "As lâminas de barbear que são distribuidas servem para aplicar um cabo de madeira e o resultado é o mesmo" diz o nosso entrevistado. "Existem várias manobras para fabricar objectos de corte para utilização nas brigas".
Quanto ao ginásio da cadeia, "é só para os grandes criminosos. Os detidos de pequenos delitos, geralmente pessoas pacificas não chegam a ter acesso ao ginásio. O mínimo de ginásio que é permitido são duas horas a ouvir uma musica absolutamente conotada com o ambiente de grande barulho da musica punk. Uma pessoa com um pouco mais de idade não tolera aquele tipo de musica e no meu caso preferia nem sequer ir ao ginásio enquanto outros detidos vão ao ginásio para ouvir musica ou simplesmente ver televisão apesar de haver televisão nas celas. Os grandes criminosos fazem os possíveis para manter o ritmo de preparação física para o momento em que sairem estarem em forma" diz Mário. "muitos ocupam as máquinas a ver televisão impedindo outros de treinar. Não justifica ir ao ginásio naquele ambiente. Já Mauro, nunca teve acesso a frequentar o ginásio.
"O simples facto de se telefonar para a família obriga a marcação de agenda" diz Mauro. Já para Mário, que conheceu mais do que um estabelecimento prisional, "os telemóveis são proibidos mas existem em abundância dentro das cadeias. Muitos detidos têm telemovel" - refere.
Quanto ás televisões, "existe uma em cada cela mas descontam uma verba no nosso dinheiro para a manutenção datelevisão" - diz Mário.
Os detidos, recebem uma pequena verba semanal cujo valor não foi comentado nesta entrevista mas que é aplidado de ridículo. "Dá para um maço de tabaco" refere Mário.
Para os detidos, é o brigatório ter uma actividade que pode ser a trabalhar ou a estudar. Mauro, não teve tempo para esses "luxos" uma vez que a sua detenção ocorreu ainda antes do julgamento. Já Mário, aproveitou para "estudar inglês embora não tenha feito grandes progressos, seja pela minha idade, seja pelo facto de naquela situação não haver motivação".
Na opinião de ambos os entrevistados, o racismo é uma constante dentro das cadeias com os detidos negros a ocuparem o top da lista das histórias contadas. "Só se pode fumar dentro da cela e uma vez uma guarda prisional só porque me viu fumar na porta da cela veio ter comigo para apagar o cigarro. Minutos depois estava com outro detido de raça negra a fumar no corredor" diz Mário. Já Mauro, recorda situações de favorecimento adiantando que "os guardas ingleses não cedem a pressões racistas e tratam todos por igual". Para um dos nossos entrevistados, uma outra forma de secreção racial acontece noutro âmbito e disso falaremos mais à frente.
Para a população presidiária, a opinião unânime dos nossos entrevistados que existem mais negros do que outras raças. "Se houver guardas negros então tudo se torna mais difícil" diz Mário que recorda histórias de quando "detidos de raça negra ficavam à conversa no corredor depois de todas as celas terem sido fechadas se de serviço estivesse uma guarda negra."
Outra das pedradas que fica neste "charco" e que é diferente doque se passa noutros países adEuropa, consiste no facto de numa cadeia masculina haver guardas do sexos feminino. Desconhecemos se o inverso também seja verdadeiro.
"Um guarda prisional foi agredido por um detido negro e nada aconteceu. ninguém soube o que se passou ou como se passou" - conta Mário. Já para Mauro, "por muito «quente» que o ambiente esteja em determinados momentos, os guardas não davam tempo para situações de violência física" - refere.
As questões racistas, levam muitas vezes a situações de "bulling". "Se queremos jogar ping pong ou pool, é difícil porque existem sempre aqueles que se agrupam e dominam e controlam todas as situações nas costas dos guardas" - diz Mário.
Outra das novidades, consiste no facto de não haver distinção de espaços em função da tipologia do crime. Detidos de pequenos ou grandes delitos são misturados num mesmo espaço. "É tudo igual" - dizem os nossos entrevistados. "Crimes de homicídio ou económicos, sejam jovens pós adolescentes ou idosos, são misturados" - diz Mário.
Quanto ao apoio das autoridades diplomáticas, nada a registar. Nenhum apoio foi dado a nenhum dos detidos. "Ainda contactei a embaixada mas responderam evasivamente que não poderiam intervir" - lembra Mário.
No topo das necessidades, um advogado que falasse português e nem pagando isso se consegue. Mário, tentou de várias formas mas não conseguiu que a sua defesa fosse feita por um advogado português. Os advogados ingleses são muito caros. Mário, pagou 300 libras a um advogado asiático apenas por uma visita na cadeia. "A resposta foi imediata. O meu caso era um caso perdido da mesma forma que perdi as 300 libras" - diz Mário.
Quanto a visitas, para ambos os nossos entrevistados, apenas a família. "Nem religiões nem voluntários nos visitaram" o que deixou estes cidadãos entregues a si mesmos num ambiente de hostilidade a todosos níveis.
Outra das diferenças, consiste no facto de a família não poder levar comida para dentro das cadeias. "Podemos comprar o que quisermos através do preenchimento de um formulário mas a família não pode levar nada para a cadeia." diz Mário. Já a comida, é tendencialmente oriental ou asiática com "excessos de molhos e picante que nem inglesa é. Em algumas das prisões, nem sequer existe pequeno almoço e numa das cadeias existe apenas uma refeição por dia a que se junta um saco com cereais que tem que durar até ao dia seguinte. Quanto a bebidas, "água da torneira é a unica disponível e os sumos podem ser comprados na cantina" pelo processo já antes descrito. Em todo o caso, existe um limite de compras e "todos os produtos são mais caros dentro da cadeia do que na rua. Algumas coisas podem ter um valor até 3 vezes acima do preço de mercado mesmo sendo comprado na cantina da cadeia, especialmnete o tabaco". Bom negócio.
Em algumas cadeias, existe a opção de se ter uma cela individual e foi a opção de Mário. "Partilhar uma cela com os hábitos de higiene muçulmanos é complicado para nós ocidentais" diz Mário que refere um lavatório para higiene pessoal e lavagem de loiça.
Quanto a drogas, elas existem dentro das cadeias. Nenhum dos nossos entrevistados é ou foi consumidor nem detido por questões relacionadas com droga mas ambos afirmam que "existem". "A mim, chegou a ser-me oferecida" diz Mário.
"Quando não há fabricam-na" diz Mauro referindo que "tratam e fumam os fios das cascas de banana e não faltam bananas".
Quanto aos métodos de entrada da droga nas cadeias, Mário refere a "introdução vaginal ou na boca e acabam por a passar apesar da apertada revista feita ás visitas". Para ambos, as principais suspeitas caiem no corpo da guarda prisional alegando que não seria possível fazer circular tanta quantidade de droga apenas pelo canal das visitas. Neste caso, Inglaterra como no resto dos países europeus, as suspeitas são as mesmas. "Contam-se muitas histórias dentro da cadeia" - diz Mário que leva a questão das drogas ao mesmo esquema dos telemóveis. "Numa das cadeias onde estive as bananas entravam e nas outras nem as bananas nem qualquer outra fruta" diz Mário.
No jogo, os chineses são a principal referência e para jogar, qualquer coisa serve de moeda de troca. "Tabaco, rádios, fruta, play stations, tudo serve de moeda de troca embora todos os pertences sejam registados em nome do proprietário" - refere Mário.
Curioso, é o facto de ser possível fazer compras na Argos através do catálogo fazendo de cada cadeia um balcão da marca. "Comprei várias coisas que dão entrada depois de visionadas pelos serviços prisionais. Aquilo que se compra na Argos, não pode ser levado pela família e também aqui há limites de compras. Os primários, nas primeiras semanas, não podem gastar mais de 4 libras por semana" - lembra Mário ao PaLOP News.
Os presos, têm direito a uma hora de recreio por dia (exercise) onde é possível ver o sol mas não se pode fumar. Dentro das alas também é possível passar algum tempo mas quem não trabalha nem estuda passa 23 horas por dia na cela. "Também é possível comprar jornais mas raramente aparecem e dos de Língua Portuguesa, não aparece nenhum embora haja muitos presos a falar português com especial incidência para os brasileiros e madeirenses" - refere Mário.
Procuramos saber a estimativa dos cidadão presos de Língua Portuguesa e Mário refere os brasileiros em primeiro lugar, angolanos em segundo, portugueses da Ilha da Madeira em terceiro e depois os portugueses continentais. No geral, a maioria dos detidos são orientais e asiáticos. "Muçulmanos, chineses e indianos são o grosso da coluna" diz Mário que esteve detido num estabelecimento prisional onde não havia ingleses detidos. "Apenas estrangeiros num total de cerca de 400 detidos" - informa.
Numa dessas cadeias, as histórias de banhos em tempos controlados e apenas de 3 em 3 dias.
"Os ingleses não são beneficiados nem descriminados" diz -nos. Quanto à cadeia só para estrangeiros, terá sido o pior estabelecimento por onde passou Mário. "Quando há mistura com detidos ingleses a qualidade de vida na cadeia aumenta" e na cadeia só para estrangeiros todos os guardas são ingleses o que favorece um ambiente de maior equilíbrio.
Na malha da justiça inglesa, a língua é apenas um dos obstáculos. A figura do "barrister" é o maior de todos eles. Mário falou com o seu "barrister" meia hora antes do julgamento e está convencido de que é nesse espaço de tempo que o "barrister" toma conhecimento de todo o processo. "A tradução e passagem para o «solicitor» e posteriormente para o «barrister» faz perder muita informação. Quando chega ao Juíz já a informação está distorcida" - diz Mário que acrescenta: "O «barrister» não tem tempo para analisar o processo e parecem temer o juíz" - diz Mário. "No meu caso, na ultima da hora trocaram-me o «barrister» e chamaram uma testemunha que estava ausente e por quem o Tribunal esperou mais de duas horas".
Procuramos saber se os mesmos casos fossem julgados em Portugal, os resultados teriam sido diferentes. "No meu caso eu nunca seria preso" - diz Mário enquanto que Mauro confia que "Só seria preso depois de confirmada a minha culpa em tribunal".
Já no estabelecimento prisional, alguns guardas têm atitudes de prepotência em relação aos detidos segundo os nossos entrevistados mas isso só aproxima os guardas prisionais ingleses dos restantes colegas europeus. Quanto a motins, não há perdões. Sempreque acontece uma situação de violência, fechacham-se todas as pessoas e acaba o "exercise" de uma forma muito rápida.
Para o mote deste trabalho, dar a conhecer o ambiente dentro das cadeias inglesas para quem não fala a língua inglesa. A nota negativa, essa vai sem dúvida para as associações de voluntariado e as confissões religiosas de quem se desconhecem ações de acompanhamento a quem está preso e fala português.
Neste caso, a fé, sem obras está morta.
 

Comentários  

 
0 #2 Nota Redação 09-04-2013 10:29
Enquanto jornal, apenas podemos recomendar que consulte um advogado. Lamentamos mas nada mais podemos fazer do que denunciar as situações boas ou más.
Boa sorte
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0 #1 rosa ferreira 05-04-2013 18:28
tenhum um caso identico, so q ele ja cumprio a pena e continua preso pela imigracao a 7 meses sem nada decedirem e ja pedi auxilio a nossa embaixada, e ela nada fez, pois eu n entendo como isso e possivel pois prendem cidadoes portugueses q n falam a lingua inglesa e portugal nada faz isso e revoltante pois mtos sao inucentes neste caso pelo menos n existe nada apenas o n falar a lingua e um crime e ha nossa embaixada e so faixada nada mais gostaria q me podessem dizer o q fazer pra poder livrar o meu marido disso tudo pois ja esta la ha 1 ano e 4 meses e n sei quantos mais restao pois q sua pena ja foi cumprida a 6 meses atraz sem mais obrigada
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