Palop News, Noticias em Portugues no Reino Unido

  • Aumentar fonte
  • Tamanho normal
  • Diminuir fonte
Home Reportagens Reportagens Glamour ao volante do "bus"

Glamour ao volante do "bus"

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
Se um destes dias estiver no Norte de Londres e entrar num autocarro com um charme especial ao volante, saiba que estará na presença de uma lisboeta de gema de nome Rosa Miranda.
Natural de S. Sebastião da Pedreira, Rosa veio para Londres já fez 21 anos.
Licenciada em Ciências Económicas e Financeiras, Rosa Miranda começa por vir a Londres para apanhar a "vida" de uma empresa que ameaçava falir e conseguiu-o. 15 anos depois, o divórcio desmonta a "cabala" que haveria de ditar os destinos da empresa e Rosa desiste do sonho de se manter naquela actividade.
Com a idade (o PaLOP News não revela a idade de Rosa Miranda mas sempre adianta que a aparência chega quase a metade da idade que de facto tem), vê-se impossibilitada de encontrar trabalho em Portugal e em Londres, depois de afastada do curso, está demasiado "velha" para ser economista. Está porém ainda muito jovem para fundar uma nova empresa depois da falência da primeira e decide dedicar-se ao negócio do peixe fresco.
"As encomendas iam sendo feitas durante a semana e todas as quintas-feiras ía ao aeroporto buscar o peixe que vinha da Madeira e depois distribuía-o com a van (Mercedes Sprint) que tinha na altura" revela ao paLOP News.
Os calotes dos clientes vão deixando marcas e o fundo de caixa começa a ser insuficiente.
"Os comerciantes portugueses são muito caloteiteiros? - perguntamos.
"Muito, mas da mesma forma que os ingleses. Também os ingleses o são" - atalha Rosa Miranda para a reportagem.
Rosa, decide assim desistir do mundo dos negócios e opta por uma sugestão de uma colaboradora do ex marido. Segue por uma solução que lhe permita estabilidade e uma segurança de reforma; candidata-se a motorista de autocarros ou como se diz em inglês, "bus driver".
- "E aqui estou eu" - remata Rosa Miranda
Para a candidatura, Rosa precisou de ter carta de ligeiros que já tinha, uma conta como prova de residência (bill) e disponibilidade para receber Formação.
- "A Formação a empresa oferece. Desde que a candidatura entra que passamos a ser empregados da empresa com o salário mínimo que na altura eram £175.00. Depois, todos os dias, entre as 6 da manhã e as 4 da tarde recebi a Formação. Tinhamos três oportunidades para chumbar mas ao fim de três semanas tinha a carta de pesados na mão com a verificação da DVLA" - recorda.
- Espera 30 segundos por um passageiro? - perguntamos.
- 30 segundos ou mais" - revela
- Abre a porta fora das paragens do autocarro?
- Abro sim, mesmo que o regulamento o impeça. Se tivesse que receber uma repreenssão por isso já a teria recebido" - diz Rosa Miranda
O trato com o público arrasta sempre algumas fricções pessoais. Tem chatices com o público?
- Tenho mas não as considero - diz ao nosso reporter.
Para quem trabalha com o público, tudo pode sempre acontecer. "Um dia pediram-me em casamento" revela Rosa Miranda.
- Como acabou essa história? - perguntamos.
- Disse-lhe que era casada e que tinha oito filhos mas o homem não se deixou intimidar. Respondeu que tinha dinheiro suficiente para os meus filhos todos. Tive que me socorrer de um colega para me livrar daquele passageiro que estava extasiado a olhar para mim enquanto eu conduzia.
A fazer os mesmos percursos dia após dia durante anos, Rosa Miranda diz que faz conhecidos muito próximos. "Pessoas que sabem o meu nome e cujo nome eu conheço" diz Rosa Miranda a rever o seu dia a dia. A entrevista decorreu ás 23h30, hora a que Rosa Miranda largou o serviço ainda com o colete reflector.
Rosa Miranda, mãe de um filho a viver em Portugal, vive com a mãe que a acompanha e anima os seus dias com muitas histórias.
Quanto ao futuro, os sonhos passam por uma prioridade e duas sugestões. "A minha prioridade vai para a descoberta da cura da doença do Alzeimer" - revela Rosa Miranda acusando o padecimento da sua própria mãe. "Quero proporcionar um fim de vida digno à minha mãe" - diz a nossa "bus driver".
No futuro seguinte, Rosa sonha em montar o seu próprio negócio em Portugal.
- Peixe? - perguntamos.
- Um ginásio ou um infantário - revela Rosa Miranda numa manifestação de que se as coisas correrem bem, continuará a trabalhar com público. Só não sabemos se crianças, ou todos no geral.
Boa sorte Rosa e as melhoras da sua mãe.
 

Comentar


Código de segurança
Actualizar


Page Peel Banner

Tradutor

Portuguese English French German Italian Spanish
Faixa publicitária
Faixa publicitária

JoomCategories for JoomGallery