Palop News, Noticias em Portugues no Reino Unido

  • Aumentar fonte
  • Tamanho normal
  • Diminuir fonte
Home Notícias gerais Notícias gerais Empresário português em Londres suspeito de milhões de libras em fraudes

Empresário português em Londres suspeito de milhões de libras em fraudes

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
Diz facturar milhões de libras embora o site da Companies House anuncie um registo “dissolved via compulsory strike-off

De um temperamento que parece variar do simpático ao irascível, fabrica inimizades com a mesma facilidade que cria amigos de ocasião. Várias pessoas que lhe foram próximas falam de um rasto de fraudes com quase duas décadas de história na capital britânica.

 É sobretudo na zona 2 do Norte de Londres que JSG (Joaquim dos Santos Guilherme) é conhecido pela Comunidade de Língua Portuguesa pela alcunha de “Quim das Flores”. O apelido, vem do tempo em que se dedicou ao negócio florista ainda em Portugal. Depois de ter passado pela Austrália e pela Suíça, é em Londres que assenta arraiais e descobre como fabricar uma rede de benefícios sociais que alegadamente lhe terão rendido milhões de libras.

Na sua actividade oficial, JSG assume estar ligado aos segmentos

da imobiliária e limpeza a que acrescenta a área de serviços solicitor(?).

 

Ao longo deste trabalho, descobrimos os testemunhos que identificam a actividade de JSG. O esquema consiste na alegada angariação de «FAMÍLIAS» que fornecem a JSG os seus documentos pessoais. Na posse destes, JSG desenvolve um alegado conjunto de situações de encontro a todo o tipo de benefícios da Segurança Social Britânica e mesmo financiamentos bancários.

Renda de casa, incapacidade para o trabalho, «abono de família» e outros apoios da solidariedade social, são activados sem que os titulares muitas vezes tenham disso conhecimento.

Entrevistamos vária pessoas desde 2012 até 2018 e publicamos o resultado nesta edição.

JSG assume ser uma pessoa com ambição desmedida pelo dinheiro. Na Austrália, confessa ter ganho “fortunas” a trabalhar numa padaria ou numa empresa de construção civil. Na Suíça, assume ter ganho muito dinheiro a trabalhar num hotel mas é em Londres que encontra o seu eldorado. É também em Londres que deixa o lastro de uma investigação que levou o Palop News a Espanha.

Em Londres, começa o seu percurso com Bela Batista (Ex-mulher) a trabalhar num hotel. Depois de Bela Batista ter abandonado o trabalho por via de uma filha, JSG sofre um acidente de trabalho que lhe dá incapacidade para trabalhar (Desability). Será?

É a própria Bela Batista (Ex-mulher) que nos afirma haver duas pessoas que sabem tudo sobre a vida de JSG. Dúlio Alves (Ex-guarda costas) e Márcio Prado (Ex-colaborador).

O primeiro afirma ao Palop News que JSG “conseguiu a disability porque ele quando foi para Londres foi trabalhar para um hotel e caiu abaixo de uma escada com uma bandeja de copos e como já conseguia escrever os papéis, meteu a documentação da disability e foi aceite mas não foi de operação nenhuma. Ouvi falar de o JSG ter entrado no hospital e de ter feito uma operação que nunca fez. É mentira. Ele nunca foi operado” – refere. Não foi isso que nos disse JSG.

O Ex motorista CC, (conhecido músico português que prefere não ser identificado e que já não vive em Londres), afirma conhecer a mesma história. “Ouvi que o JSG simulou uma queda e através de uma operação nunca feita conseguiu a desability para ele” – diz.

Carlos Rey, um espanhol que reside em Londres, afirma mesmo: “Ele não é inválido. Eu vi-o andar a cavalo e a cair do cavalo e a dançar rock and roll. Ele não tem deficiência nenhuma”.

Nada disto faria sentido, se este produto (Desability) não fizesse parte do lote de produtos que JSG alegadamente vende nos seus serviços como veremos mais adiante.

Ao longo dos seis anos que separam a publicação deste trabalho do seu início, o Palop News teve oportunidade de conhecer a «costela» filantrópica do empresário. Em 2013, JSG leva um carregamento de oferta para as ilhas de S. Tomé e Príncipe com material hospitalar e escolar. No final de 2017, é no Biggest Deal, o reality show da TVI que mostra JSG ao mundo da televisão. “Ofereci 15 mil euros para uma corporação de bombeiros” – acabaria por dizer ao Palop News.

No mesmo percurso de tempo fomos tentar saber que tipo de pessoa é JSG e o que faz?

“Ele Começou a roubar a família” – diz Carlos Cruz, amigo de infância e que reside em Londres há 26 anos para adiantar “O JSG passou cheques sem cobertura em nome do pai. Conheço-o desde pequeno. O pai esteve preso por causa dele. Foi sempre um criminoso e filho de boa família. Os pais eram pessoas de bem e trabalhadoras. Sou amigo de infância do irmão dele. Nunca fui amigo dele. É uma pessoa sem qualquer tipo de escrúpulos” – confessa. A mesma informação, seria confirmada por Dúlio Alves “Sim, ouvi falar que o JSG passou cheques sem cobertura em nome do pai que veio a falecer depois de sair da prisão. Sei dessas histórias porque as irmãs do JSG me contaram”.

Bela Batista com quem JSG partilha uma filha, afirmou ao Palop News: “O JSG é rude. É mau. Só quer fazer mal aos outros”. A própria afirma ter sido vítima na compra de uma viatura da marca Volvo efetuado por JSG. “O carro é dele mas a divida ficou comigo. Ele falsificou a minha assinatura” diz para adiantar “Ele tinha uma firma e o carro estava no nome da firma e usou outra pessoa que é a Patrícia Rodrigues – uma mulher que apareceu – veio de Portugal – eles começaram a andar juntos – ela fez-se passar por mim, assinou por mim para poder mudar o carro para o nome dele” – desabafa.

Dúlio Alves recorda um dos maus momentos vividos enquanto trabalhou para JSG. “Eu estava aí com a minha mulher e os meus filhos e ele pôs-me praticamente na rua de uma das casas dele no nº 20 da Alton Close” – afirma.

Bela Batista, afirma desconhecer as actividades do ex-marido. “O JSG fez coisas que eu nunca soube. Só depois da separação soube coisas que me espantaram. Estive 29 anos com um homem que nunca conheci” afirma. A mesma entrevistada, afirmaria ainda desconhecer em absoluto as actividades alegadamente fraudulentas de JSG. Sabe que JSG atendia em casa entre “10 a 15 pessoas por dia” mas desconhecia do que tratavam. É a mesma entrevistada que afirma ao Palop News o seu próprio contraditório ao produzir afirmações que foram prontamente desmentidas.

Na entrevista que nos concedeu, Bela Batista afirma desconhecer as actividades do ex-marido ao mesmo tempo que indica Márcio Prado e Dúlio Alves como pessoas conhecedoras dessas mesmas actividades. “O Dúlio sabe tudo sobre a vida do JSG” afirmou ao Palop News para posteriormente afirmar que Márcio Prado era o «braço-direito» do ex-marido.

Tino confirma que o guarda costa Dúlio Alves tinha conhecimento de toda a actividade. “O Dúlio sabia de tudo o que se passava. O Dúlio estava numa situação complicada. Tinha perdido o trabalho como segurança do Embaixador dos EUA em Lisboa” – refere.

Entrevistamos ambos e ambos assumem que Bela Batista era cúmplice do ex-marido. CC, ex motorista afirma “A Bela estava envolvida. Claro que ela sabia de tudo. Ela participava e sabia de todo o esquema. Tudo era feito na presença dela. Quando houve um confronto por causa do meu caso eu fui abertamente ofendido por ela. Ela saiu em defesa dele. Foi quando da entrega dos processos das «“FAMILIAS»» que angariei. A Bela fazia as coisas por ele. Ela estava tão ligada como ele. Fazia tudo o que era preciso”. Dúlio Alves confirma. “A Bela sabia de tudo. Tudo era feito na presença da Bela no nº 44 onde mora hoje. Conheci muitas pessoas envolvidas na rede. As irmãs, o irmão, a própria Bela também tinha «“FAMILIAS»», a Jéssica (Filha de JSG) tinha «“FAMILIAS»»” – disse. Como desculpa para que a ex-mulher tenha mentido na entrevista gravada, Dúlio Alves dá uma razão. “A Bela está com medo. Ele sempre a tratou mal”.

Há porém outros testemunhos do temperamento de JSG. “Fez coisas intoleráveis à filha de ambos” diz a Ex-mulher. Fomos saber o que dizem as pessoas que lhe foram próximas e que passaram pelos «maus fígados» de JSG. O que descobrimos é sintomático.

Márcio Prado começa por recusar ser nosso entrevistado. “Não quero falar. O meu filho de 12 anos foi agredido. Para me castigar a mim mandou agredir o meu filho” – confessa. A mesma informação, é confirmada por Dúlio Alves. “Quem agrediu o filho do Márcio foram uns ingleses e foi a mando do JSG” – referenciando mesmo o restaurante português em Londres onde o negócio foi acertado.

As histórias de violência não terminam aqui. CC, afirma ao Palop News “Eu cheguei a ser agredido por pessoas mandadas por ele. Não sei quem eram as pessoas. Foram mais que um. Foi em Wembley depois de eu ter parado com as coisas e de o ter confrontado. Levei uns sarrafos. Eu sabia o que aquilo era e por isso não fiz nada” – diz ao nosso jornal.

Para além de ter visto o filho agredido, Márcio Prado teve ainda a visita de JSG na sua agência imobiliária. “O Dúlio participou nessa visita” – revela. A mesma informação é confirmada pelo próprio Dúlio. “Estive sim senhor presente quando o JSG invadiu a agência do Márcio com ameaças. Entramos os dois e não foi só na agência. Foi também em casa porque a casa era do JSG. A coisa correu mal e se o Márcio for verdadeiro sabe bem que eu nunca lhe bati. O JSG nessa noite agrediu o Márcio quer verbal quer fisicamente mas não fui eu” – afirma.

 

Dúlio Alves vai mais longe nas questões de violência. “Ele pediu-me muitas vezes para agredir outras pessoas. «Para que é que eu te pago? Se eu te mando bater é para tu bateres. Não tenhas problemas que a FAMÍLIA está garantida. Ele dizia que era cooperante da polícia inglesa. Sempre me disse isso a mim. Sempre me disse para não ter problemas porque ele era cooperante da polícia mas eu nunca o vi falar com ninguém da polícia. Eu trazia as pessoas na presença dele e ele fazia o que entendia” – revela.

Tendo na sua presença as pessoas que requisitava através do guarda costas Dúlio Alves e escudado por este, JSG fazia como entendia. “Eu nunca agredi ninguém mas ele agredia ao pontapé e á chapada” – revela. E adianta: “O JSG pediu-me muitas vezes para agredir outras pessoas. A última foi num restaurante. Um baixinho, forte com pouco cabelo … um que vende frangos” – afirma e continua – “Obrigou-me a ir busca-lo lá dentro e a bater-lhe cá fora. Não o agredi. Puxei-o cá para fora mas não lhe bati. Quem lhe deu duas chapadas á minha frente foi o JSG” – recorda para acrescentar “Nunca agredi ninguém mas várias vezes fui buscar as pessoas a cafés e a restaurantes tanto em Londres como em Espanha. Eu nunca agredi ninguém mas ele agredia” – revela para adiantar. “As pessoas não se viravam a ele mas ele agredia as pessoas. Assisti várias vezes a isso. As pessoas ficavam intimidadas com a minha presença e não reagiam. Uma das minhas funções era intimidar as pessoas” – termina.

Já Tino confirma o ambiente. “O JSG ameaçou a minha mulher e o meu filho quando tivemos aqui uma discussão” e o próprio Carlos Rey confessa ao Palop News. “Ele disse ao Juany, amigo da minha noiva Mercedes em Espanha e o Juany transmitiu que se eu não pagar os 95 mil euros que o JSG me vai matar. Fiquei com medo” – lembra e acrescenta: “Recebi o recado de que haveria dois corsegos para me esperar em Espanha para me matarem” – termina.

Todas estas pessoas conhecem bem o «modus-operandi» da actividade de JSG. Uma vez na posse dos documentos do núcleo de negócio a que chamam «FAMÍLIA», trata-se agora de ludibriar o sistema que é pago com os impostos de todos. “Sei que há muitas histórias mas só o direi na altura certa” – diz CC. Importa agora saber quanto rende uma «FAMÍLIA» e quantas «FAMILIAS»» podem estar envolvidas no esquema.

CC tinha mais de “20 «“FAMILIAS»»” – diz Márcio Prado.

“Mais de 82 “FAMILIAS» estavam registadas nos benefícios sem saberem” – confirma CC.

Dúlio Alves, abre um pouco mais a cortina. “O Vitor Silva (Cunhado de JSG) também tinha «FAMILIAS» mas estava a pagar ao governo inglês situações anteriores. O Piconalho e o Gazali tinham «FAMILIAS». Estamos a falar de muita gente” – afirma para adiantar: “As pessoas sabiam que estavam nesse negócio. O cunhado do Márcio, Leandro e o próprio Márcio tal como a esposa Cristina também tinham «“FAMILIAS»» – revela.

Márcio confirma um dos nomes. “Gazali estava envolvido” – afirma.

Surpreendentemente, o volume de nomes não para de crescer. Dúlio Alves, atira mais uma contribuição. “Estive com o CC no Algarve. Ele também tinha “FAMILIAS» e foi o JSG que o ensinou a fazer a papelada. Toda a gente nega mas toda a gente sabe. O Paulo cabeleireiro também tem muitas “FAMILIAS». Um que dá aulas quase em frente ao (…) numa escola de cabeleireiros. Esse também tem muitas «“FAMILIAS»» – deixa cair.

Tino confirma a mesma informação. “Conheço algumas dessas «“FAMILIAS»» que foram a Inglaterra e que entregaram os documentos ao JSG e que ele ficou com os cartões bancários das pessoas dizendo depois que afinal o Governo de Inglaterra, recusou a proposta. As pessoas acabam por não receber nada e fica ele a receber” – atira. Márcio Prado afirma que eram criadas novas “15 «FAMILIAS» por semana”.

Sobre as pessoas que vinham de Portugal a Londres, CC afirma: “Essas pessoas faziam o que tinham a fazer e eram metidas outra vez no avião e depois teriam que receber algo pelo acordo feito com o JSG. As pessoas iam lá para fazer contratos de trabalho. As empresas, eram ao calhas” a confirmar a extracção de empresas a partir das Páginas Portuguesas.

Estas «FAMILIAS», acabam por receber algum dinheiro pelo facto de conhecerem JSG. “O JSG mandava dinheiro para Portugal. 200 a 300 libras para cada família” – informa.

Estas «“FAMILIAS»» acabavam por ser objecto de transação comercial num sistema de compra e venda. “JSG vendia as “«FAMILIAS» a outros parceiros” – revela Márcio Prado para denunciar, que o trabalho de angariação de «FAMILIAS» também era compensado. “A Anita de Lisboa recebia 1.000 libras por cada «FAMÍLIA» angariada” – diz. Como funciona a alegada máquina que recruta as «FAMILIAS» fora do Reino Unido? Quantas pessoas podem estar envolvidas?

“Muitas das “FAMILIAS» vinham de Portugal. Eu ia buscar 2 a 3 pessoas por semana ao aeroporto. O JSG criava dessas pessoas o núcleo do negócio.” – diz Dúlio Alves. CC confirma. “As viagens ao aeroporto traziam sempre entre duas e seis pessoas e havia dias mais mexidos com duas viagens ao aeroporto”. Tino, revela ao Palop News. “Na investigação consta que há intermediários em Lisboa que lhe enviam as pessoas para Londres. Ele tem agentes em Lisboa que cobram uma comissão sobre isso”. Durante a sua estadia em Londres, o mesmo Tino afirma. “Todos os dias chegava gente de Portugal que ficavam a dormir na sala. Havia uns sofás grandes. As pessoas ficavam dois ou três dias. Saiam com ele para tratar de documentação e depois eram levadas ao aeroporto e iam embora depois de tratarem dos benefícios”. Já CC revela “O que ele me pediu foi para angariar pessoas. Algumas pessoas fui eu que lhas recomendei mas não sabia o que se estava a passar. Algumas dessas pessoas eu conservo o contacto” – diz para continuar. “Muitas «FAMILIAS» estavam registadas. 82 ou mais. Aquilo era um corrupio de gente que vinha e ía de Portugal. Quando eu comecei a perceber havia brasileiros e outros brasileiros, havia portugueses e não sei quanta mais gente metida nesse negócio. Foi quando me apercebi do que se passava e que estava a ser enganado e o que estava a fazer e que aquilo não fazia sentido”.

No transporte dessas «“FAMILIAS»» dos aeroportos de Londres para as instalações de JSG, várias pessoas estiveram envolvidas. CC afirma que outros elementos faziam o transporte de pessoas. “ Quem fazia esse trabalho era eu e chegou a ser o Gazali, o Piconalho, o Márcio” afirma CC.

Márcio afirma que “a Cristina (Ex mulher) também fazia Mini cab. Havia dias de 5 viagens ao aeroporto. Ás vezes ganhava mais dinheiro que eu” -revela.

Piconalho, de sobrenome Cardoso, haveria de ser ventilado pelos nossos entrevistados como sendo alegado gestor de um negócio semelhante ao de JSG. Dúlio Alves, recorda para o nosso jornal. “ O Piconalho foi o JSG que o ensinou a fazer o negócio. Havia uma relação entre eles como havia com o Gazali que tinha 3 ou 4 “FAMILIAS» e a esposa Maria (Rosa é a esposa do Piconalho) e a Maria tinha também umas 3 ou 4 “FAMILIAS»” – afirma.

CC, também confirma a informação. “Com o Piconalho a relação era normal. Ele ía lá tratar de coisas com o JSG num esquema que se não era o mesmo seria parecido. Pelas conversas que ouvi, o Piconalho cresceu nesse negócio devido ao JSG e os comentários que tenho ouvido agora será o JSG que depende do Piconalho” - revela.

Cientes de haver outra personagem na mesma dimensão, decidimos não aprofundar. São demasiados testemunhos coincidentes com argumentos muito precisos sobre pessoas, locais e estratégias.

Todo este cenário, leva-nos a outra curiosidade. Qual o valor deste negócio?

As opiniões divergem no volume mas conferem no conceito de JSG. Sempre muito dinheiro.

“Tratar dos benefícios para um cliente particular ronda entre as 3 mil e as 3 mil e quinhentas libras” – diz Márcio Prado que nos ajuda a fazer as contas. “190 «FAMILIAS» sendo que cada família rende entre 2.800 a 3.500 libras por mês. O «housing» mínimo é de 1.400 libras num total de 598.500 libras por mês em termos médios” diz para afirmar que enquanto trabalhou para JSG terá auferido mais de um milhão de libras. “Ele fatura muito dinheiro. Talvez 100 mil por semana” – atira CC. Para Dúlio Alves, os valores são mais altos e pouco exactos. “Estamos a falar de 200, 300, 400 mil libras por semana. Conforme a semana” – refere. Já Tino eleva os valores: “Nos momentos do auge da situação era homem para facturar 20 milhões de libras ao ano” – denuncia. Já a ex mulher Bela Batista, afirma não saber valores. “nunca vi o dinheiro mas presumo que houvesse muito dinheiro” – diz ao Palop News.

No atendimento, entre as “FAMILIAS» que se deslocam de Portugal e as que são residentes em Londres, os valores também variam. “Não sei quantas pessoas ele atendia por dia. Ele começava às 8 da manhã. Havia pessoas que esperavam das oito da manhã ás 6 da tarde para serem atendidos.” refere CC que diz que “em média seria meia hora para atender uma pessoa”. Já Dúlio Alves fala em atendimento de “cerca de 30 pessoas por dia”.

Márcio Prado refere vários tipos de apoios sociais. “Housing, Child Tax Credit, Work Tax credit mais as rendas dos quartos” são alguns dos exemplos. Tino refere ao Palop News que “Segundo as declarações que estão no processo da polícia aqui (Espanha), são 18 anos de actividade. Fala-se de milhões de euros”.

Este volume de dinheiro, resulta, segundo os nossos entrevistados, do esquema mencionado acima. “Todas as pessoas que ele trouxe para cá, pegava nos documentos e fazia  «claims» em nome dessas pessoas” diz Carlos Cruz. “Ele aluga os quartos e recebe os benefícios em nome das pessoas e não lhes pagava” – diz Carlos Rey. Também Bela Batista confessa saber que “muitas pessoas iam lá a casa tratar de benefícios entre os quais o housing bennefit e as desabilityes” – afirma.

Comecemos pelo housing benefit que consiste no apoio do Council para a renda que pode ficar próximo da totalidade do valor. JSG aprendeu o caminho para esta burocracia por experiência própria. Na entrevista concedida em 2012, é o próprio JSG que afirma que foi com esta descoberta que “começou a vida.” CC, confirma ainda ter conhecimento “dos benefícios para Francisco Maciel e a casa em Colindale” – um conhecido produtor de espectáculos que alegadamente não teria direito a estes apoios uma vez que não viveu no Reino Unido o tempo suficiente para deles beneficiar. Também Tino recorda episódios neste segmento de actividade. “O JSG ia depois acompanhar as pessoas ás reuniões para traduzir nos bancos, no Brent Council – eu estive duas vezes no Brent Council ao lado do Arena Wembley no edifício envidraçado e ele foi lá com uma senhora por causa de uma casa” - refere.

É também o próprio JSG que em 2012 assume ter “mais de 100 propriedades com 300 inquilinos”. Já Dúlio Alves, informa: “Quando eu fui para Londres ele tinha 85 casas. Nenhuma em nome dele”. Para Bela Batista, os números são mais modestos. “Conheci meia dúzia de casas do JSG”. Uma delas despertou a atenção da ex mulher. “Ele tinha casas que eu não sabia. Até casas de prostituição. Soube isso mais tarde. Tinha lá meninas e homossexuais no 156 em Willesden Green junto a um café português” – recorda. Tino, confirma a informação em termos gerais. “Ele falava das “FAMILIAS». Quando apareceu cá (Espanha) e dizia que tinha 80 casas em Londres” - adianta.

Estas, serão alegadamente as casas que estavam registadas em nome das “FAMILIAS» que não residem no Reino Unido. Para o efeito, era necessário que cada titular tivesse emprego e aqui, a informação é também confirmada. CC, afirma ao Palop News “Ele abria as Páginas Portuguesas e escolhia uma empresa. Depois fazia o contrato em nome dessa empresa. As empresas provavelmente não sabem. Inicialmente eu pensava que ele arranjava o trabalho para as pessoas. Depois fui percebendo o que se estava a passar. O que me foi dado a entender é que ele arranjava emprego para as pessoas mas afinal não era isso. Ele arranjava situações ilícitas como se elas estivessem a trabalhar” – lembra o ex motorista.

Também Márcio Prado confirma. “Os empregos eram encontrados através das Páginas Portuguesas” – diz ao Palop News. Sandra Pranto, empresária portuguesa no segmento da restauração, confirma. “Por mais que uma vez me pediu para eu admitir pessoas no meu quadro de pessoal sem custos. Sempre disse que não. Mesmo assim recebi algumas cartas a falar de empregados que nunca vi. Se é por isso ou não, não sei mas que aconteceu…, aconteceu” – diz para acrescentar: - “tenho suspeitas de que pudesse haver experiências com a gerência anterior à nossa”.

Para contornar os obstáculos, JSG tinha como estratégia as prendas para os funcionários públicos. Márcio Prado diz “conhecer os empregados do Council que recebem as prendas” enquanto que JSG assume ao Palop News trabalhar “com todos os municípios da Great London”.

Para fazer funcionar o sistema de Segurança Social, torna-se facilitador haver o estatuto de disability (incapacidade para o trabalho). Também aqui, JSG tem as suas ferramentas. A principal delas, será alegadamente um médico de nome Nagarajan. “Fui com o JSG que foi tratar de uma desability para um senhor de Viseu que lhe pagou diante de mim 2.500 libras, para ele o acompanhar. Esse senhor entrou na clinica de bengala, todo retorcido, de chinelos, numa clinica mas depois andava direito” – afirma Tino.

Dúlio Alves, afirma ter conhecido o dr. Nagarajan e a forma como funcionava o atendimento das «FAMÍLIAS» de JSG. “O médico já sabia para que era. Não se estava muito tempo na sala de espera. Passava á frente daquela gente toda e depois era o que o médico pedia pelas consultas e éramos logo atendidos. A consulta era entre 60 a 80 libras cada. Era muita gente que o JSG lá levava” – diz. Márcio Prado e confirma “foram centenas de pessoas levadas ao dr. Nagarajan”. CC adianta: “Ele arranjava a «disability» para as pessoas e eu tenho conhecimento de casos desses” – afirma. Segundo CC, “as consultas eram feitas num Centro de Saúde em Queens Park”, logo num lugar onde as consultas não podem ser pagas ao médico.

“O JSG ofereceu-me a disability” – diz Vitor Silva, cunhado de JSG. Tino, confirma. “As «FAMILIAS» iam ao dr. Nagarajan para abrir a fixa no GP e depois ao banco onde JSG dava a sua própria direcção para poder receber os cartões bancários e o pin para poder movimentar a conta”.

Na verdade, para se receberem os benefícios sociais, todas as pessoas tinham que possuir uma conta bancária e é aqui que detetamos mais uma frente de suspeitas.

“No Barklays na Preston Road era uma mulher chamada Shumila(?) – diz Márcio Prado para adiantar que no “Loyds de Baker Street o contacto era Mr Jaba(?)”. Para a abertura das contas nos bancos, tornava-se necessário ter uma prova de endereço. Nada que atrapalhe a estratégia de JSG. “À noite, iam pelas caixas de correio tirar cartas com facturas da luz e scaneavam” – refere Tino para adiantar – “Abria as contas no Loyds e no Barklays e pelo que me apercebi havia directores de sucursais que cobravam comissões para que as coisas pudessem funcionar”. Tino, vai mais longe: “O JSG disse-me que ao nível dos empréstimos os gerentes bancários cobravam comissões. Faz-se um seguro para esses empréstimos e depois uns médicos amigos passam uma declaração em como estás com stress laboral”. Dúlio Alves, refere ainda “o Santander e o Barklays. Todas as semanas íamos aos  bancos” – afirma para adiantar: “Ele fez empréstimos para as pessoas através de um funcionário do Loyds Bank numa esquina em Willesden Green mas fica com o dinheiro”. O caricato, é a afirmação seguinte de Dúlio Alves. “Eram feitos financiamentos bancários a pessoas que desconheciam o facto. Era alguém no banco que lhe assinava os papéis dos empréstimos. Esse homem também era remunerado e ía de férias para Espanha Réus (Miami) - Barcelona” – diz.

Tino, dono de um restaurante em Réus, junto à praia, confessa: “Vi esse empregado do banco muitas vezes a passar férias aqui. O JSG dizia para ele ir lá almoçar e jantar ao restaurante e que o JSG pagaria tudo mas nunca pagou. Eu penso que há alguém no banco que lucra com tudo isto” e adianta: “Sim, assisti a falsificação de assinaturas para abrir uma conta. Fiquei a saber que para abrir uma conta, é preciso ter uma direcção boa como eles dizem. Então o que faziam? Durante a noite, iam pelas caixas de correio dos vizinhos tirar cartas com facturas da luz e scaneavam, tiravam o nome do vizinho, punham o nome que queriam e a morada do JSG” – finaliza. O mesmo Tino denuncia as parcerias. “Era a Patrícia e o Paulo cabeleireiro que faziam os scans. Precisavam de uma fatura da luz para abrir a conta. Havia qualquer coisa referente ao número do registo das mitras ou não sei quê. Assisti três vezes a fazerem os scans. Depois o JSG assinava com o nome da pessoa que estava no jogo. Ou era a Patrícia, ou o Paulo ou o Dúlio que iam entregar isso não sei se ao correio ou a outro lugar. Faziam isso na sala de jantar numa mesa de vidro e faziam isso á minha frente” - firma Tino.

A pérola porém, é quando se descobre que alegadamente, JSG fez um empréstimo em nome de alguém que já tinha morrido. “Sei de um empréstimo em nome filha do Santana de cerca de 30 mil libras depois desta morrer” – Diz Márcio Prado. Dúlio Alves confirma. “Sim, ouvi falar de um empréstimo feito em nome de uma jovem que já tinha morrido antes do empréstimo ser aprovado”. Também Tino confirma a informação. “Ouvi dizer que ele pediu um empréstimo em nome de uma rapariga portuguesa e cujo banco está a reclamar o empréstimo ao pai” – afirma. Boato ou demasiados testemunhos de pessoas próximas para ser mentira?

Uma vez na posse dos cartões bancários, torna-se necessário o levantamento do dinheiro. Tino, dono do restaurante El Fuerno de Hospitalete em Réus (Espanha), conta ao Palop News. “Conheço algumas dessas “FAMILIAS» que foram a Inglaterra e que entregaram os documentos e que ele ficou com os cartões das pessoas. Sim. Vi e falei com as pessoas. Sou testemunha” – confirma para disparar um dos maiores testemunhos do que acontece com os cartões bancários. “O JSG quis fazer aqui (Espanha) uma festa com fado. Eu entendi que era uma oportunidade de promover o fado onde nunca tinha acontecido. Tinha tudo aprovado pelo Alcaide e pela Polícia. O JSG trouxe para essa festa cantores e músicos. Foi quando conheci a Valéria e o Barra Lopes. Estavam 22 pessoas que vieram de Londres e de Portugal. Estava cá o falecido Faná” – revela para continuar: “Os de Londres não cobraram cachet. Vim a saber por um dos músicos que havia um acordo com pelo menos alguns deles. Estava em causa um acordo que não me quiseram revelar.

Tino adianta. “Alguns deles trouxeram cartões bancários. Eu próprio os vi. Nesta povoação só existem três caixas ATM e o JSG ia e vinha dessas caixas. Acho que esses cartões são de pessoas de Esp+anha que recebem os benefícios no UK e que ele levanta em nome dessas pessoas. O JSG não poderia andar com tantos cartões a passar fronteiras sob pena de ser apanhado e não ter explicação para o lote de cartões”.

Em Espanha, JSG não deixou os seus créditos por mãos alheias. Alugou apartamentos, um chalé e um armazém além de um negócio com Carlos Rey, um apartamento junto à praia. É o próprio que fala ao Palop News. “Foi quando o denunciei e quando me chamaram (Inspector Tito da Polícia Judicial de Espanha). Eu estava ameaçado de várias formas. Quando o Inspetor Tito foi lá e descobrimos como o JSG é perigoso. O Inspector Tito é que me deu informação sobre ele”.

Tino afirmou ainda. “Ele alugou aqui um apartamento encostado ao Pub «O Bull», outro apartamento em frente ao porto desportivo, e um chalé com pompa e circunstância na costa Zefirmiano. Mais tarde um armazém aqui ao lado do restaurante” – disse e adianta. “O resultado é que não pagou nada e deixou as pessoas todas mal. Inclusivé no apartamento do porto desportivo desapareceu a televisão, a máquina de café, as colchas das camas, as cortinas, tudo”.

Fomos a Réus e tentamos entrevistar Alexandra, a dona da Agência Imobiliária com quem JSG negociou. Recusou gravar. Mais tarde, saberíamos que JSG não terá alegadamente pago as rendas informando os senhorios que pagou mas que terá sido Alexandra a ficar com o dinheiro. Quanto ao armazém, Tino, o dono do restaurante ao lado informa. “O dono do armazém, José Maria, esteve aqui e disse que já entregou tudo ao advogado porque ele já deve 8 meses de renda. A polícia tem fotos de tudo o que está lá dentro. Quanto a um dos apartamentos, o dono que eu não conhecia veio aqui. É funcionário do Governo da Catalunha. Chama-se Martin e veio aqui desesperado. Se o apanhava naquele momento a coisa ia ficar mal” – diz.

Ainda no Tribunal em Réus (Barcelona), JSG vai acompanhado de guarda costas. “Eu conheço esses guarda costas de vista. Um deles foi arrastado pela polícia no tribunal. Quando o JSG se apresentou em tribunal com o guarda-costas e este foi detido pela polícia” diz Carlos Rey e confirmado por Tino.

De resto, as idas a Tribunal em Espanha, parecem já ter entrado na rotina de JSG. Apesar de afirmar ao Palop News que fala cinco línguas (Português/Francês/Inglês/Espanhol/Alemão), o Palop News apurou que no Tribunal de Espanha, JSG terá alegadamente solicitado um intérprete. “No Tribunal fazia de deficiente, depois que saiu do Tribunal começou andar direito” – diz Carlos Rey.

Quanto à polícia, JSG parece fazer questão. “Ele diz que era cooperante da polícia mas eu nunca o vi falar com a polícia. A actividade dura á 19 anos e a polícia nunca fez nada. Presumo que deva haver cooperantes da polícia” – diz Dúlio Alves. Também Márcio Prado confirma. “Ele diz que colabora com a polícia”. Não nos foi possível apurar desta relação de JSG com a polícia britânica. Foi possível contudo apurar o alegado destino de algum do dinheiro.

“Existe uma conta onde estão uns milhões largos no Panamá. Que eu saiba é lá que o dinheiro está. Eu estive no Panamá com o JSG e o Márcio Prado também esteve e ele sabe que esse dinheiro existe. O JSG dizia que estavam lá entre 3 a 4 milhões de libras. Sei o nome do banco mas não me recordo do nome da cidade. Tenho isso escrito. O Márcio Prado também lá esteve e ele sabe qual a cidade. Não sai se o Márcio também tem lá dinheiro mas acho que não, mas sei que o Márcio o acompanhou a esse banco” – diz Dúlio Alves. A suspeita é confirmada por CC. “O Márcio Prado era ligado ao negócio com o JSG. Fazia os esquemas todos das casas e dos benefícios”.

Em Espanha, o Palop News reuniu sem agenda com o Inspector Tito e com o Comissário Carlos Yubero Rodrígues. Por meias palavras, foi-nos ventilado não escrever esta reportagem antes de terminadas as investigações. Por fonte do Palop News, sabemos que a investigação terminou e publicamos o artigo. A mesma fonte, informa que a o processo foi transitado para a polícia inglesa. Sabemos porém que uma das pessoas mencionadas neste trabalho esteve na Polícia em Réus e terá tido alegado acesso a informação confidencial do Palop News.

“Aqui existe uma investigação em curso que está terminada. A polícia Judiciária espanhola e a Europol fizeram os deveres de casa e a polícia inglesa, passa-se olimpicamente do correio e das informações que recebem a respeito do assunto. Seria preciso abrir a luz verde em Londres” diz uma fonte em Barcelona. Tino revela – “Vieram pessoas de Portugal e de Londres. As pessoas pagaram viagens e estadias para colaborar com a investigação e a polícia fez um trabalho magnífico que competia agora á polícia em Londres fazer o que não o fizeram” – diz para continuar. “Se a polícia inglesa quiser fazer o favor de um dia puxar o fio da cortina, será um mega julgamento. Terão que alugar o Arena – ironiza - A polícia aqui fez os deveres de casa e a polícia inglesa não se mexe. Em Espanha, o processo está concluído. Basta a polícia no UK pegar na informação que foi enviada a partir daqui” – diz.

Carlos Rey, por seu turno afirma. “Mandaram-me à Interpol em Vauxhall. 13 pessoas vieram falar comigo e disseram-me que a informação de Reus não poderia vir directamente para Londres porque teria que passar por Madrid”.

JSG, em Espanha, tenta virar as coisas a seu favor e alegadamente denuncia antigos “comparsas” apresentando denúncia na polícia sobre actividades que ele próprio alegadamente desenvolve. “O mesmo dossier foi enviado pelo JSG à polícia espanhola a denunciar que essas pessoas estavam a cobrar benefícios em Inglaterra e que tinham «FAMILIAS» que na altura eu não sabia o que era isso mas afinal as «FAMILIAS» era aquilo que ele faz. Levava as pessoas a Londres para estarem acreditadas para receberem os benefícios e depois era ele que ficava a cobrar” – diz Tino. “Como motorista ouvi muitas coisas. Sei alguns nomes mas não me lembro de todos. Tentei esquecer tudo isso para tentar uma vida normal. Houve uma altura que eu estive muito preocupado com a minha vida e a da minha família. Cheguei a pensar em fazer uma denúncia. Acabar com ele seria o meu fim. Ele tem uma imunidade que eu não consigo compreender” – diz CC ao Palop News.

Ao nosso jornal, JSG confessa de onde lhe vem a alegada sorte. “Numa favela do Brasil, na presença de uma Mãe de Santo em Salvador da Baía, JSG vem convertido a falar com um português a viver em Colindale (Norte de Londres) sobre as questões da espiritualidade. É nesta «consulta» que JSG desabafa os azares que tem sentido na vida. O português Manuel, de Colindale, deixa-lhe uma «herança» sem retorno financeiro. “Andava com uma bola de cristal e dizia que era bruxo e tinha visões” – diz Carlos Cruz. Dúlio Alves confirma. “Sei sobre as bruxarias. Fui com ele ao norte ao bruxo de Fafe duas vezes. O Tino também foi uma vez connosco. Sei de uma pessoa a quem ele chamava irmão em Odivelas que também faz essas coisas e lhe dá os chás e as ervas e essas coisas todas. O corno que usa no peito é para espantar os maus olhares”.

Carlos Cruz, conhecido desde a infância, não tem dúvidas. “Ele andou a vender ouro maluco (ouro dos pobres). Foi sempre um criminoso. O JSG começou a carreira dele desde a escola sempre no crime, sempre a enganar pessoas”. Como? O mesmo entrevistado adianta. “Ele escapa-se bem. É daquele tipo de pessoa que é capaz de enganar outras sem que elas percebam”. Já Carlos Rey, confessa. “Ficou a dever-me um relógio em ouro Christian Dior”

Outra experiência comercial de JSG, foram os casacos de couro de Marrocos para Portugal. “Cheguei a pagar multas de um milhão de pesetas” – diz JSG.

O ex-motorista CC, adianta. “Provavelmente resolvo contar tudo o que sei - Resolvi parar e regressar a Portugal depois de ter sido agredido”. Já Dúlio Alves não tem dúvidas. “O cerco ao JSG já devia estar apertado. Se for preciso eu vou a Londres falar com as autoridades. Quero essa pessoa no lugar que ela merece” diz depois de se ter deslocado desde o Dubai até Barcelona para depor em Tribunal.

Extenso, este é o trabalho possível de recolha de testemunhos. Muitos outros recusam. Uns, por medo. Outros por alegada cumplicidade e benefício de um homem que em 2012 confessou estar a viver na Austrália sendo proprietário de um restaurante e mesmo assim assumidamente em situação ilegal.

É assim que muitas pessoas que precisam de apoio social não o conseguem. É assim que alguns, vivem de forma milionária com o esforço fiscal de todos nós.

JSG, aceitou dar uma última entrevista antes da publicação deste trabalho mas nunca a confirmou. Fechamos este trabalho, da mesma forma que o fizemos em 2012. Com uma pergunta.

- Pensa voltar a Portugal?

- Gostava de morrer em Portugal – diz para acrescentar: “Embora em Portugal a Justiça não funcione” – E adianta: “No Reino Unido a Justiça funciona” – finaliza JSG.

Será que sim?

Veja este trabalho publicado com fotos a partir da página 14 aqui.

 

Comentar


Código de segurança
Actualizar


Page Peel Banner

Tradutor

Portuguese English French German Italian Spanish
Faixa publicitária
Faixa publicitária

JoomCategories for JoomGallery