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O sem abrigo

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Durante os meus últimos cinco anos em Portugal, fui religiosamente militante da 5ª Feira.
Era o dia da semana que me competia visitar os sem abrigo onde quer que eles estivessem. Assim o fiz como sendo um credo. Um dia, descobri dois sem abrigo a repousar a meio da noite, na porta interior de um banco com acesso exclusivo às máquinas multibanco. Estavam abrigados do frio num Inverno particularmente rigoroso.
Entrei, pedi para me sentar e ofereci os packs de comida que a Associação Vida e Paz carregava na carrinha e cujos volante e pedais eu tinha que gerir. Aceitaram a comida de forma sorridente.
Ambos tinham menos de trinta anos e o seu aspecto era selvagem; um pouco acima de revoltados.
Confrontados com a ideia de saírem da rua, responderam em debandada. "Mas quem te disse a ti que eu quero sair da rua e deixar de ser um sem abrigo?"
Petrifiquei. Um sem abrigo original. Suficientemente livre para viver na rua.
Uma das primeiras notícias que escrevi quando cheguei a Londres, foi sobre um jornalista milionário que chegou a sem abrigo. "É um descanço" - afirmou o jornalista. "Durmo com um olho aberto e outro fechado mas nenhum banco ou "bailiff" me escreve ou telefona" - disse o jornalista que pedia cartões de crédito para pagar contas de..., cartão de crédito.
Com o passar do tempo, ao fim de algumas visitas, o sem abrigo já está a contar com a minha visita. Algum tempo depois até nos começamos a tratar por tu, e descobrimos um chefe de cozinha de cruzeiros internacionais a dormir na cave de uma rotunda.
Manuel Gomes


 

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