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Ruy de Carvalho. O mito esteve em Londres

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Ruy de Carvalho, o actor de referência conhecido como o "Senhor Teatro", esteve em Londres para uma actuação única a convite da produtora TUPS no Leicester Square Theatre, no coração da capital britânica e na zona onde existe a maior concentração de teatros.

Em conversa com o Palop News, Ruy de Carvalho confessa que já não sente arrepios quando sobe as tábuas dos palcos. Ao fim de 75 anos de carreira, o actor entende que sente "respeito. Já não tenho arrepios. Tenho respeito e cada vez tenho mais respeito. O que chamamos de medo ou nervoso, vai-se transformando em respeito. Já sei que não vou embora e não fujo do palco" - diz o actor para continuar - "tenho a noção da responsabilidade de cada vez trabalhar melhor para o que apresentamos às pessoas e essa é que é a angústia; o pensar que às vezes não conseguimos o que gostaríamos de conseguir com o nosso trabalho". Foi também deste respeito que Ruy de Carvalho falou quando subiu ao palco na sua performance ao evocar o respeito por todos os actores que já passaram pelo mesmo palco que agora estava a ser ocupado pelo próprio actor.

Com uma experiência que já ultrapassou sete décadas, o actor confessa que acaba "sempre muito satisfeito com o trabalho que fiz quando realmente posso servir bem. Às vezes, nem tudo acontece como queremos mas às vezes também sou eu que penso que não estive bem. É o público que dá o retorno e que muitas vezes me dá elogios quando na verdade fui eu que não gostei do que fiz ou da forma como o fiz" - assegura. "Às vezes embirro comigo" - confessa para continuar - "O teatro é um trabalho colectivo que depende de todos os que estamos em cena e se os meus colegas gostam de contracenar comigo eu sinto-me honrado".

Sobre a sua retirada dos palcos, Ruy de Carvalho insiste em continuar. "A reforma dura três meses como costumo dizer em tom de brincadeira. As pessoas depois querem regressar ao trabalho. Nunca me passou pela cabeça parar embora eu esteja reformado há mais de 25 anos. As pessoas deveriam poder trabalhar enquanto entendem que podem fazê-lo". 

Apesar de reformado, o actor continua a trabalhar naquilo que gosta e que melhor sabe fazer. "Eu descontei ao longo da vida e tenho a minha reforma que recebo há 25 anos mas tenho que trabalhar porque a reforma é pequena em relação ao custo de vida e à crise que temos vivido no Mundo inteiro e sinto-me feliz" - assegura.
Sobre a forma como vive aos 90 anos de idade, Ruy de Carvalho assegura que vive um dia de cada vez embora se programe de forma semanal, afirma o actor que deixa em família o amor ao teatro. "Eu tenho duas vidas separadas. Sou pai, fui marido e faço o possível para ser um cidadão normal na minha vida «civil».

Tenho uma vida profissional que é a minha militância no teatro e sobretudo aproveito todas as folgas profissionais para estar com a família já que eles também gostam da minha profissão" - diz o actor que tem um filho e um neto na mesma profissão e que ao mesmo tempo teve na mãe uma pianista. "Sempre vivi próximo da arte e na consciência de um cidadão normal" - disse para acrescentar - "O meu pai era militar mas tinha uma paixão muito grande pelo teatro e pela música".

Sobre o espectáculo que trouxe a Londres, Ruy de Carvalho refere tratar-se de "uma lição de vida. É sobretudo um reconforto por saber que temos grandes escritores, poetas, músicos que sabem escrever poesia maravilhosa. Temos poemas muito bonitos e há muitas pessoas a escrever bem em Portugal".
Ruy de Carvalho, confessa que recebe frequentemente trabalhos escritos de pessoas anónimas que lhe enviam os seus poemas e escritos e até livros de edições particulares que lhe são oferecidos. "Às vezes não tenho tempo para responder a todas as pessoas e o futuro imediato será ainda mais dificil já que vou voltar à série do Inspector Max, entre outros trabalhos que tenho agendados e que não me facilitam muito a vida em termos de tempo" - anuncia. "Tenho muitos textos para decorar e estudar mas o Carlos Avilez e a minha filha dizem que eu sou capaz desse desempenho" - afirma.

Ruy de Carvalho tem sido ao longo do tempo, interventivo na relação entre a política e a cultura. "Tudo o que é bom é o enriquecimento da nossa arca do tesouro e a cultura tem aqui um espaço muito importante. Um povo sem cultura não é um povo feliz ao contrário de um povo que tem cultura, é um povo rico porque tem o seu restiro espiritual, tem o prazer da música, do teatro, da leitura, da natureza ou do artesanato e o prazer de gozar as coisas do espírito e é isso que nos preenche a vida e nos faz felizes quando vivemos" - conta o nosso entrevistado.

O actor que atravessou vários momentos hsitóricos da vida da humanidade, passou também a revolução em Portugal de Abril de 1974 e a criação da União Europeia. Neste domínio, Ruy de Carvalho entende que a Europa começou pelo lugar errado. "Se em lugar de se ter construído a Europa sobre os fundamento da economia, se tivesse fundado a Europa pelas razões culturais, hoje teríamos uma grande economia concerteza, se a cultura tivesse sido priveligiada" - afirma o actor que foi louvado na Assembleia da república com todas as bancadas em pé. "Foi uma grande honra para mim. Abrecei-os a todos ao longe porque não distingo portugueses tenham eles a cor política que tiverem. A democracia e a liberdade são os maiores bens que um povo pode ter e é preciso aproveitá-la bem e não apenas em alguns sectores e sobretudo nos espirituais".

Sobre a liberdade dos homens, o actor refere que por vezes, os homens não querem ser livres. "Estamos um pouco presos a muitas coisas antigas. devemos amar-mo-nos mais uns aos outros no Mundo todo. Todos os povos se devem amar porque todos fazemos parte de um colectivo porque todos somos filhos do universo e o nosso pensamento deve estar para aí apontado" - diz Ruy de Carvalho.

Confrontado com 75 anos de carreira, importa saber a leitura que o actor faz do passado. Terá sido muito tempo? Terá passado depressa? "Passou depressa" - diz Ruy de Carvalho que começou a carreira aos 16 anos e que completou 60 anos de carreira em televisão que o tornou popular em todo o Portugal e mesmo noutros países.

Na diversidade de papeis que interpretou e na imensidão de almas que decorou, Ruy de carvalho não se considera mais actor que poeta. "Considero-me mais artista. Um toca a tudo que haja no mundo das artes. Gosto de música, de bailado, de ler seja poesia ou prosa, gosto de coisas feitas pelo povo como o artesanato que temos e que é muito rico, da gastronomia e do nosso povo extraordinário que às vezes não se aproveita a si mesmo. Temos que nos amar mais a exemplo do que fazem os espanhóis que gostam muito deles mesmos e nós temos que gostar mais de nós. Nós somos um grande povo e em nós começaram muitas coisas no Mundo" - finaliza.

Artigo e foto: PN
03/05/2017

 

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