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Um Makkas que vem de longe

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Tornou-se um dos rostos mais conhecidos da música portuguesa como rapper com os Black Company e o seu tema de referência chama-se "Nadar" que acabou por se traduzir no primeiro grande tema do hip-hop português.
Marcamos encontro com Makkas em Red Lodge, cerca de 70 milhas a Norte de Londres.
Se no calão angolano, a palavra Maka, significa problema, no caso deste intérprete podemos considerar "um problema a dobrar".
Para o rapper, quando as pessoas são mais que um problema, podemos pensar em considerá-lo um inadaptado, sentimento que de certa forma o artista encarna.
- A maior parte das vezes sinto-me um inadaptado, sim - confessa.
- É o Mundo que não encaixa em ti ou tu que não encaixas no Mundo?
- Essa é a minha questão. De uma forma ou de outra, o assunto é igual. Sei que não sou perfeito mas sei que as outras pessoas também não o são. Faz lembrar a questão do ovo e da galinha o que significa que é uma grande "maka" revela.
O artista que confessa que ainda não aprendeu a nadar, fruto da proteção que teve em Angola durante a sua infância.
- Vou à praia e dou mergulhos mas ainda não aprendi a nadar mas não se perdeu tudo. Sei andar de bicileta.
Makkas recorda quando escreveu o tema "Nadar" com os Black Company nos anos 80 no Miratejo: "nós íamos à praia e os outros tomavam banho mas nunca ia à água. Um dia, no regresso a casa fui confrontado com o facto de não saber nadar com um estilo musical. A partir daí, brincamos com o assunto e nasceu a música. O beato, era o nome do tasco onde eu me recolhia quando os outros tomavam banho.
Hip Hop, ou o salto da anca, haveria de ser a rampa de lançamento para um mundo de palcos e discos gravados.
- Hip Hop é uma cultura que nasceu nos bairros periféricos de Nova York feita por negros. Começou com o break dance no Bronx - explica Makkas que desfolha a história até aos MC e ao nascimento do rap.
- O hip hop é mais rico que o rap. Nós podemos rapar em qualquer ritmo certo.
O artista defende que a música é importante mas não dispensa a mensagem. "As letras são muito importantes para a música como o contrário também é verdadeiro.
- Eu tenho necessidade de atirar os meus sentimentos para fora sem precisar de provar seja o que for mas no sentido de me expressar.
- Passar sentimento para o público é mais fácil com a letra ou com a  música?
- Com a música. Eu penso que a letra, apesar de importante, é a segunda parte da música e não o contrário. É a música que leva à dança independentemente da letra. Há músicas que são boas para fazer ginásio.
- O hip-hop é de intervenção?
- Já foi mais.
- O Período que Portugal atravessa pode ser uma oportunidade para o Hip hop?
- Creio que sim mas as pessoas não gostam de ouvir as verdades. Eu tenho um vídeoclip chamado "Dia de merda" onde falo da situação económica em Portugal vista por uma perspectiva de um miúdo de 10 a 15 anos.
- O que achas que um jovem dessa idade pensa hoje em relação ao que se passa na política em Portugal?
- Não pensa nada. Ele sente e aqui a letra assume mais importância do que a música.
- Na sociedade de hoje, o que te preocupa mais?
- A ausência de futuro. Eu não posso viver só da música e tenho que recorrer a outras actividades. Eu encaro a música como um trabalho mas também um prazer enorme em trabalhar com ela. Nos dias que correm hoje em Portugal, parece pecado trabalhar naquilo que gostamos.
O artista defende que os jovens têm demasiados dias de merda e que é urgente mudar as coisas para que os jovens sintam um futuro.
Uma das questões que se impunha para um angolano a viver em Portugal, prende-se com o racismo e nós não fugimos a ele.
- Os portugueses são racistas?
- Acho que toda a gente é racista. Eu próprio me assumo como tribalista. Somos racistas quando não aceitamos a diferença seja ela qual for. Ao princípio pensei que os portugueses eram racistas mas depois também percebi que muitos portugueses foram combater em África contra a sua própria vontade.
Makkas, assume que exista vida depois da morte mas não acredita que nessa vida haja sexo. O artista que foi acólito, não acredita em virgens no céu nem em virgens grávidas embora acredite em Deus.
Para lá da música, Makkas jogou futebol que deixou de jogar embora assuma a sua paixão sportinguista.
O último disco lançado pela editora Farol, haveria de deixar um amargo de boca no artista. "Não ficamos contentes com a promoção que a editora fez do último disco.Trata-se de um disco com temas que referem a actualidade como o "Somos malucos". Não sei o que se passou.
- Qual foi a resposta da Farol?
- A mesma resposta que deram ao meu álbum.
- Há imcumprimento por parte da editora?
- Acredito que eles não fizeram o esforço necessário para que as coisas fossem em frente aliada a uma certa má vontade por parte das rádios. As pessoas deviam preservar a memória e perceber que nós fomos importantes neste processo do hip hop em Portugal. No meu caso, assinei um contrtao de distribuição com a Farol e eles não distribuiram. Disseram que se não houvessem pedidos das lojas não fariam a distribuição. A verdade é que não houve divulgação e por isso não poderia haver pedidos das lojas. As editoras não querem ter muito trabalho nem investir no produto que vendem.
Makkas, que viveu um período no Reino Unido, acabaria por voltar a Portugal. "Quando estive no Reino Unido estava doente. Estive afastado da música durante algum tempo. Vim trabalhar e pedir ajuda para o meu problema de saúde depois de ter sofrido um traumatismo craniano" - revela o artista que tem dois filhos a viver no Reino Unido.
Em Portugal, o intérprete é inspector de qualidade numa empresa de cromados e aufere o salário mínimo nacional e não vê por isso, razões para continuar a apostar em Portugal onde leva para casa menos de 600 euros apesar de fazer horas extras, diz com amargura.
Mesmo a sociedade portuguesa de autores, falou ao intérprete em verbas que nunca terá recebido - revelou ao Palop News. "Só o Zé povinho é que não rouba" - diz o artista.
Para o futuro, Makkas pensa voltar ao Reino Unido para estar perto dos filhos mas sem deixar a música. "Vou continuar a cantar em português" - diz para adiantar: "Viver no estrangeiro é um cartaz para vender em Portugal. De certa forma, vence em Portugal quem vence no estrangeiro. Nós portugueses temos esta maneira de ser perante o que é estrangeiro. Os portugueses pensam que quem vive fora é rico" - revela.
Makkas, atravessou muitos palcos. Num desse concertos, contou com a primeira parte do show de Tina Turnner num momento em que tinham cerca de 20 anos. O Super Bock Super Rock, acabaria por trazer outras estrelas de várias partes do  Mundo e com esse convívio aprendeu a ter atitudes.
"Ao lado da Tina Turnner, senti-me pequeno mas também senti a sua humildade. Havia pessoas que não nos falavam mas Tina Turnner veio falar-nos. Tenho memórias de quase todos os músicos que em Portugal foram e são grandes nomes" - recorda.
Makkas, sente que os direitos dos artistas não estão a ser bem defendidos pela SPA. "Pagam adiantado mas depois o que descontam descompensa".
Daqui para a frente, as prioridades do artista têm um pensar predominantemente pessoal. "Quero estar perto dos meus filhos e gostava de investir na música estando em Inglaterra. Mesmo aqui, é possível singrar cantando em português".
Makkas diz ainda que quando avançar com o seu projecto em Inglaterra, será a solo. Admite outras participações mas o projecto será individual para uma tentativa de voltar ao mercado.
Exclusivo PN
 

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