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Anselmo Ralph genuíno - Entrevista

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Numa espreitadela rápida no Facebook, dava para perceber que Anselmo Ralph já se encontrava a fazer o embarque em Lisboa com destino a Londres. A entrevista, estava marcada para as 6 da tarde no Coronet em Elephant & Castle a Sul de Londres. Na hora marcada, estavamos lá. Nós e quase duas mil pessoas com ingresso pronto à bilheteira para assistir ao trabalho do cantor e dos músicos que o acompanharam.
Um telefonema acabaria por atrasar a hora da entrevista que passou para depois do show. Na espera, via-mos crescer a fila de pessoas que pacientemente aguardavam em pé, desde a porta de entrada até à rotunda junto à estação de metro. Querendo ou não, estavamos destinados a assitir ao show.
Quando o palco se anuncia quase pronto para a entrada do intérprete, o público rebenta numa histeria de gritos femininos, característico dos grandes concertos.
Ainda Anselmo Ralph anunciava o fim do concerto, já estavamos sentados no seu camarim para o nosso exclusivo.
O cantor, acabou por entrar seguido do seu agente e de um membro da organização.
- Quem deu autorização para estarem aqui? - perguntou o agente do cantor.
- Deixa estar. As pessoas estão a trabalhar e não temos razões para que se sintam mal - disse Anselmo Ralph enquanto aliviava o peso do cansaço. Sentamo-nos e começamos a entrevista. A primeira pergunta, impunha-se e os risos não tardaram.
- Com tantas mulheres a esperar por si, o que é que você tem que eu não tenho?
- Musica. A questão está na musica - responde.
- Como é que consegue o mesmo "encantamento" com as crianças?
- Eu também me pergunto. As crianças vêm em mim uma criança grande mas dizem que quando as crianças gostam de uma pessoa é porque é boa pessoa e então eu aceito assim.
- Tudo o que as crianças compram está vendido?
- Não sei o que é que as crinaças vêm mas acredito no que me acontece. Às vezes sinto-me um palhaço por as crianças gostarem de mim. As crianças gostam de uma pessoa divertida e meio-palhaço, então penso que para elas, sou engraçado.
- Podemos pensar que o Anselmo Ralph deixou de crescer como pessoa há alguns anos atrás?
- Talvez mesmo.
- Se o seu pai não tivesse sido um diplomata, você nunca teria sido lavador de carros e nunca teria trabalhado na MacDonalds. certo?
- Não, não o teria feito.
- O que teria feito no período de tempo que esteve nos Estados Unidos?
- Não sei. essa é uma pergunta curiosa. Nunca pensei como teriam sido as coisas se não tivesse ido para Nova York apesar de já nessa altura fazer musica e já tinha gravado o meu primeiro album com Eduardo Paim, um musico de grande êxito nos anos 80. Nessa altura eu tinha os meus 14 anos, em 1995.
Depois de termos entrevistado em Londres os cantores angolanos Yuri da Cunha e "Cota" Bonga, Anselmo Ralph era o nosso terceiro troféu angolano.
- Como é a sua relação com estes intérpretes angolanos?
- Acima de tudo de respeito. Acabo a olhar para ambos por fazerem musica da terra. Em Portugal, sou um musico a fazer musica africana, em Angola, sou o angolano a fazer musica estrangeira. É um pouco dificil por vezes.
- O Anselmo Ralph foge do merengue como "o diabo da cruz"?
- Se calhar é mas sei que não. No meu estilo musical, eu faço de tudo um pouco mas faço questão de estar mais padronizado comigo mesmo no soul. Quando comecei em Portugal, tornei-me conhecido como cantor de Kizomba mas depois com os lançamentos dos trabalhos seguintes o público percebeu que o Kizomba era apenas 20% do meu trabalho, ou talvez menos. Respondendo à sua pergunta, sim.
- Ouvi uma frase sua que repete uma frase da Amália. Quando sobe ao palco, sente um frio na barriga. Esse frio, desce?
- Nunca reparei.
- Outra questão que não está clara na informação sobre si. Em alguns links lemos que tem uma gradução nos Estados Unidos e noutros links, que lhe faltam duas cadeiras para terminar a licenciatura em Contabilidade. Você é contabilista?
- Sim, sou mas faltam-me duas cadeiras. Esta é a informação certa.
- Mas é um contabilista que está farto de ganhar prémios!?
- Alguns.
- Quantos?
- Não faço ideia.
- Quando se escreve Anselmo Ralph em google, sabe quantos resultados aparecem sobre si?
- Não imagino.
- 560 mil.
- Isso é bom, é mau..., é bom.
- Você é um homem rico?
- Sou rico em êxitos conseguidos, em amizades e como pessoa mas financeiramente, não penso que seja rico.
- Já algum dia lhe atiraram roupa íntima para o palco?
- As suas perguntas são...
- Das que nunca se fazem porque às outras você já respondeu a outras pessoas.
- Já mas foi muito ao princípio. Depois eu fiz questão de conhecerem o Anselmo Ralph casado. Conhecem a minha esposa e faço questão que saibam que eu respeito o meu casamento e acho que de certa forma as fãs foram entendendo esse meu lado e hoje as coisas estão claras. Há artistas que passam por situações complicadas.
- Temos uma fã sua que pede para lhe perguntarmos como é que a sua mulher sente este assédio feminino que você tem?
- Quer a verdade ou a resposta de diplomata? 
- A verdadeira. A do Anselmo Ralph.
Já foi mais, muito mais complicado. É um trabalho de 24 horas sem parar a tentar fazer com que a minha esposa se sinta segura sabendo que o meu trabalho em nada vai afetar a nossa relação. Mesmo assim, é muito difícil e muito do que consigo deve-se à minha Formação religiosa já que nos Estados Unidos quase fui pastor e isso acaba por me dar um estilo de vida seguro. Não vou a discotecas, não tenho hábitos suspeitos.
- Não tem vícios?
- O meu grande vício é gostar de carros.
- Juan Luis Guerra, ainda é para si uma referência?
- Ainda é.
- Ainda têm contacto frequente?
- Estive com ele o ano passado quando abri o concerto dele em Luanda e quem sabe vamos fazer uma musica juntos.
- Isso é notícia de primeira mão?
- Eu disse quem sabe. Ainda não é uma confirmação.
- Você já tinha muita projeção no mercado português. O The Voice, como é que mexeu no seu mercado?
- Tenho primeiro que agradecer muito à RTP por me ter convidado este ano. De certa forma eu tinha simpatia das pessoas entre os 12 e os 30 anos. As crianças até então não conheciam o Anselmo Ralph e o mercado era mais a navegação da internet e o convívio africano em Portugal nomeadamente nas discotecas. O The Voice deu-me a oportunidade de entrar na casa das pessoas.
- Sentiu-se adoptado pelo mercado português?
- Senti. De certa forma senti. Ainda hoje quando viajo e passo nos serviços de imigração me perguntam como é que eu ainda não sou português.
- A família do meu pai é e a minha esposa também é. Como na época o meu pai era diplomata não podia ter a dupla nacionalidade e assim acabei por ainda não ter tratado do assunto.
- Qual é a importância que a religião tem para si?
- É o meu suporte e a base para a minha família. É muito útil para me ajudar a manter os pés no chão porque o êxito, é uma coisa que sobre e quando bate no teto tem que descer e é também a minha base para respeitar o próximo, para respeitar os fãs e fazer tudo para servir. Serve para quando estou a ficar com a cabeça grande ajudar a diluir.
- Qual foi a razão para oferecer o seu disco de platina ao Presidente "Zédu"?
- Óbvio que sim. A razão mais forte foi o eu pensar que esse prémio foi histórico. Foi o priemiro disco de platina ganho por um angolano em Portugal. Quis fazer disso uma história para que as próximas gerações saibam o que aconteceu e de certa forma, para um musico angolano conquistar Portugal é sempre um marco. O mercado brasileiro por exemplo é muito maior.
- Como está a sua posição no mercado brasileiro?
- De vento em popa mas eu tive um outro convite que não posso ainda revelar...
- Essa é a parte que nos interessava saber agora.
- Esse convite é mesmo o segredo que é a alma do negócio.
- Nem uma ponta?
- Nem a ponta. 
- Como se sente depois de um concerto como o que deu hoje em Londres?
- Sinto-me feliz. Senti que tivemos alguns problemas técnicos, eu senti mas o que importa é a reação da energia do público e considerando a forma como o público aceitou bem um bom concerto. Temos sempre que emendar os erros mas sinto-me bem. Sou muito perfeccionista o que quase me impede de sair do palco e dizer que qualquer concerto tenha sido perfeito.
- Foi um bom show?
- Em relação à energia foi. Como disse, tive alguns problemas técnicos mas fora isso foi bom. Se não fossem as mesas na frente ainda teríamos uma maior energia.
- Há vários cantores que por diferentes razões usam óculos em permanência. Você quantos óculos tem? É mais Pedro Abrunhosa ou Elton John?
- Acho que é mais Pedro Abrunhosa. O Elton John é um caso sério. Eu ainda sou peixe miúdo.
- Fim do mês de Abril, dois concertos no Coliseu de Lisboa.
- Novas musicas, novo guião, nova produção e um novo espectáculo.
Estava terminada a entrevista. A principal nota negativa, vai para o Coronet em Elephant & Castle que já deu provas de saber fazer melhor com diversos trabalhos cobertos pelo Palop News. A decoração do espaço, a distribuição do público e os detalhes técnicos ficaram aquém daquilo a que seria de esperar de uma grande casa de espectáculos de Londres.
O Concerto de Anselmo Ralph e o numeroso público presente merecia mais.
A nota positiva, vai seguramente para a parelha de bailarinos que mostrou um notável esforço a enriquecer o grande show a que o publico assistiu.

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