Palop News, Noticias em Portugues no Reino Unido

  • Aumentar fonte
  • Tamanho normal
  • Diminuir fonte
Home Entrevistas Uma nova Núria na mesma Miss

Uma nova Núria na mesma Miss

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
Fomos o primeiro jornal a entrevistar Núria Cardoso quando ganhou a sua primeira tiara como Miss em 2010. Acompanhamos todo o seu percurso de Londres a Lisboa, daqui a Cabo Verde, à China e a Barbados.
Contabilizamos cada grama das mais de 6 toneladas enviadas para as misericórdias de Portugal, a abertura da sua "charity" Abraço imiGrande, o projeto de apadrinhamento de crianças orfãs e muitas outras ideias que desenvolveu.
No momento de devolver a tiara de Miss Hummanity International, fecha-se um ciclo e a Miss Núria, regressa à sua vida normal, deixando para a frente um futuro que está a chegar. A partir de agora, Núria Cardoso vai dedicar-se inteiramente à sua vida profissional deixando para trás as passerelles. Na hora do balanço deste reinado, fomos saber como foram estes dois anos de exposição mediática e a corrida pelos aeroportos na vida de uma Miss que não desiste de o ser. Esta, foi a última entrevista da Miss Hummanity International antes de passar a tiara à nova vencedora.
- Estamos no final de um reinado.
- Sim estamos
- Dois anos atrás, algum dia pensou que o percurso haveria de ser o que foi?
- Não. Nunca pensei. Foi tudo muito rápido mas eu aprendi a gostar. Foi um trabalho que mostra que quando nos empenhamos no que fazemos que sai sempre um bom resultado.
- Que tipo de emoção é que se sente quando no palco, ouvimos o nome como sendo o vencedor?
- Não sei explicar mas sinto alegria por ver a alegria das pessoas que gostam de mim. A família e os amigos a assistir a esse momento. Quando ouvia o meu nome, a sensação era a de procura pelo pai, pela mãe, pelo tio, pela prima, pelos amigos para ver se eles estão orgulhosos pelo meu desempenho. Para mim, a vitória era participar. Só isso já é uma vitória. Acho que chegar ao resultado final foi um desafio para o qual eu não tinha nada pronto. A emoção maior é ver as emoções das pessoas de quem gostamos.
- Que tipo de importância teve a família neste tempo?
- Toda. Se não fosse a família, os princípios, a educação, eu nunca teria chegado aqui. Faz parte da nossa cultura portuguesa esta proximidade com a família e foi de facto o mais importante. Foram o essencial porque é a família que nos dá o melhor e o pior de nós próprios. A família conhece-nos como ninguém e independentemente de gostarmos ou não, a família dá-nos sempre a verdade.
- Sem a família, este percurso teria sido possível?
- Talvez sim. Tenho amigos muito queridos que sempre me incentivaram a fazer este tipo de trabalho.
- Ao fim deste tempo, o seu rosto tornou-se conhecido principalmente da Comunidade Portuguesa em Londres. Foi dificil lidar com essa exposição?
- Não diria dificil. Foi mais um desafio por não sabermos muitas vezes como reagir. As pessoas ganharam uma nova consciência sobre mim como pessoa. De certa forma é bom porque mostramos a pessoa que somos às pessoas que só nos conhecem por fotografia ou vídeo e quando damos a face ao contacto com as pessoas, as pessoas vêem que afinal somos normais e as pessoas ficam contentes com isso. Torna-se difícil  quando estamos noutros ambientes em que temos que manter a postura de Miss. Há sempre uma imagem que é preciso preservar e nem sempre estamos à vontade porque uma Miss tem que manter certos requisitos quando está em público. Pude mostrar que uma Miss não tem que ter o nariz empinado. Tentei mostrar que sou uma jovem normal com a minha idade.
- Houve um contacto muito mais próximo com a imprensa. Foi difícil esta adaptação a esta dinâmica com os jornalistas?
- É um bocado difícil devido ao requisito social que pende numa Miss. Nas primeiras entrevistas foi mais difícil mas as melhores entrevistas que dei foram as mais sinceras, sem preparação e de forma espontâneas.
- Se tivéssemos que recordar o momento mais marcante destes dois anos, qual seria?
- O concurso da China, sem poder contar com qualquer tipo de apoios nas redes sociais. Sem Facebook, sem Twitter, sem contacto com o resto do Mundo, numa cultura diferente, uma gastronomia diferente, tempo diferente, pessoas diferentes. Foi uma experiência inesquecível e estar no top cinco de um concurso Mundial e ver a família na plateia, felizes, no meio de tantas outras culturas e só duas de nós é que tinhamos lá família. Senti-me priveligiada por ter lá o meu pai e o meu irmão. Não é a emoção em si mas, ver ali as pessoas que mais gostam de nós a sentirem o meu sussesso.
- Quando fazemos um percurso destes, existem sempre histórias divertidas. Alguma que mereça uma memória especial que dê vontade de rir?
- Eu nunca tinha usado uma máscara facial e à noite, encontramos o nosso grupo de amigas e então cada grupo junta-se no quarto de uma ou de outra e havia o ritual de beleza que eu nunca tinha visto. Eu nunca tinha usado máscaras no rosto ou pepinos nos olhos. Foi engraçado porque as outras candidatas estavam com dificuldade em acreditar que eu nunca tinha visto uma máscara facial. Geralmente, tomava o meu duche e deitava-me a dormir enquanto as minhas colegas demoravam duas horas com os tratamentos de beleza para se preparararem para o próximo dia. Eu defendia que o melhor tratamento era o descanso. Não temos que saltar frente às coisas. O que tem que acontecer acontece.
- Hoje com uma rede de contactos internacionais. Em quantos países tem amigas?
- Cerca de 70 países com pessoas com quem continuo em contacto. Em Março próximo vou ao casamento da Miss Nova Zelândia.
- No meio disto, existe uma fama de trapaça no meio do ambiente de um concurso de Miss. Existe maldade entre candidatas?
- Tenho muitas dessas memórias. Na China, houve uma ocorrência de porem piri-piri no rímel de outras concorrentes. Na falta de tempo para tudo e mais alguma coisa, aconteceu haver uma concorrente a desfilar com os olhos vermelhos e a chorar. Outras são situações em que vamos defender os nosso patrocínios de vestidos por exemplo, o acordo exige que se use exatamente o que está no perfil do patrocínio e haver sapatos específicos de certas coleções e desaparacer um único sapato. Neste caso, a Miss teve que fazer a passerele com um único sapato porque esse sapato teve que ser mostrado com a posse e um sorriso como se nada fosse. Existem histórias de umas candidatas cortarem os vestidos de outras candidatas ou de cortarem o cabelo enquanto dormem. Um dos primeiros conselhos que recebi na formação, foi para levar fechaduras para todas as malas. Felizmente nunca tive episódios que chegassem a mim mas as histórias que se passavam ao meu lado foram muitas. É uma competição que não faz sentido. Eu consegui chegar lá sem ter que recorrer a estas habilidades.
- Quantas faixas foram ganhas nestes dois anos?
- Algumas. Foram várias. Cerca de dezena e meia. Miss República Portuguesa UK foi a primeira e a última foi como Miss Hummanity International em Barbados.
- Sente-se uma Embaixadora de Portugal?
- Sinto, bastante. Cheguei à China e encontrar pessoas que pensavam que Portugal era um extensão de Espanha e eu sinto-me orgulhosa de ter corrigido esse pensamento ao ter deixado a identificação de uma história e uma cultura únicas.
- Passa-se muita fome no ambiente dos concursos de Miss?
- Passa-se sim. Muita fome em grande esforço mas não é em vão. Eu por exemplo, ganhei feminilidade e gosto no vestuário através desta experiência. Hoje tenho mais gosto na forma como me visto para qualquer tipo de ambiente. Aprendi a gostar mais de mim, da minha aparência e de me maquilhar. Aprendi a sentir-me bem, mais do que antes. Podia ser mais magra, mais gorda mas não tem nada a ver com isso. Tem a ver com o nos sentirmos saudáveis e estarmos bem connosco próprias.
- Quando se vê nas fotografias em Brixton no primeiro concurso e Barbados no último, qual é a conclusão? Sente "pele de galinha"?
- Foi como entrar num túnel sem saber o que estava lá e ter conseguido sair a mesma pessoa. Isso foi o mais importante. Não deixei que subir a montanha me pudesse mudar como pessoa. Como pessoa, acho que não ganhei nem perdi nada. Tudo o que tenho é em termos de experiência mas a minha personalidade não mudou.
- Seis toneladas de material enviado para idosos e crianças em Portugal. Um sistema de apadrinhamento de crianças orfãs em Portugal por portugueses em Londres, quatro crianças que subiram as notas escolares a troco de uma viagem conseguida a Londres, se não fossem as tiaras, isso teria acontecido?
- Infelizmente não. Foi uma coisa que me ajudou bastante para ser vista, para chegar aos apoios, para chegar a pessoas e dizer, isto é real, isto acontece e podemos fazer alguma coisa. Como Núria talvez não o tivesse conseguido mas como Miss isso foi possível.
- A Comunidade Portuguesa em londres, foi muito dificil de convencer a dar apoio às causas?
- Foi, mas não pela razão da comunidade ser mais ou menos mãos largas. Talvez pela falta de confiança gerada por acontecimentos anteriores e tantas pessoas a dizer que ajudam e que acabam por serem apenas oportunistas, isso dificultou. No início, as pessoas olhavam para mim e pensavem que uma Miss com 22 anos não percebia nada da vida e eu tentei mostrar resultados com transparência para ganhar a confiança das pessoas. É triste ter que conseguir a confiança das pessoas primeiro, para depois ajudar quem precisa. Devia ser automático mas não funciona assim.
- Como é que se vai ver daqui a 18 anos?
- Mais velha, com rugas.
- Que memórias vão deste percurso?
- Vai ser engraçado dizer aos meus filhos que fui Miss. Tenho uma tia que já foi Miss e gostamos de nos rir porque não consigo hoje imaginar a minha tia como Miss. Penso que me vai acontecer o mesmo. Já me acontece eu dizer que fui Miss e as pessoas olharem com desconfiança.
- Acha que algum dia deixa de ser miss?
- É como andar de bicicleta. Nunca se esquece. Penso que sou um caso à parte e eu gosto é que as pessoas se lembrem de mim por causa disso.
 - Neste percurso houve oportunidades de carreira na industria da moda?
- Sim, tive várias oportunidades mas depende das pessoas. Não era a minha vocação mas tive colegas minhas que participaram comigo que sonham com isso desde pequenas e eu respeito muito esses sonhos e o facto de tentarem lá chegar. Não é a minha vocação. Eu tive a sorte de me ter empenhado o que me aconteceu mas o meu caminho profissional é outro. No entanto, para as raparigas que queiram encontrar uma porta para o mundo da moda têm aqui várias oportunidades.
- A saber o que sabe hoje, tinha repetido?
- Sim. Várias vezes. Não apenas pela minha experiência mas por muitas misses que agora recorrem a mim. Ser Miss, mostra muito da nossa personalidade e daquilo que somos. Hoje o mundo da moda é muito concorrido e caras bonitas há em todo o lado. O que a indústria procura como confiança, honestidade e transparência são coisas raras. Ser Miss é a grande janela para mostrar como somos diferentes em relação a outras pessoas.
- Qualquer jovem que apareça com condições para ser candidata, tem direito a que recomendação?
- Honestidade e transparência. Não dependemos de maquilhagem para sermos boas pessoas. Temos que mostrar personalidade aliada a uma cara bonita. Não mostrar que somos mais do que aquilo que de facto somos e honestidade, são um dos maiores segredos para sermos tudo na vida, incluindo ser Miss. Tento dar coragem a quem quer entrar porque eu senti-me perdida quando comecei. Na altura, gostava de ter tido alguém como eu para me dar opiniões.
- As raparigas portuguesas a viver no Reino unido se precisarem de uma alida podem falar com a Miss Núria?
- Claro que sim. Tia Núria, prima Núria ou só Núria, estarei cá para ajudar no que puder. Acho que não tenho idade mas tenho expeiência suficiente para ser a "tia Núria".
- Foi muito dificil passar pela Formação?
- Foi bastante. Para mim que não tinha interesse no mundo da moda, foi tudo uma novidade mas como disse, tem tudo a ver com a humildade, o esforço e o apoio da família e dos amigos.
- Este caminho abriu a porta a muitos contactos com gente famosa. Foi um peixe na água?
- Senti-me priveligiada por ter o respeito e a consideração destas pessoas. Tive tudo isso porque fui eu mesma a tentar ser um exemplo para outros jovens. Foi muito importtante sentir o respeito e o carinho dessas pessoas.
- Qual foi o famoso que deu mais gozo conhecer?
- O Fernando Pereira embora também me tenha encantado com o Tozé dos Per7ume. Há a ideia que essas pessoas são muito vaidosas e "não falam com os pobres" e eu pude confirmar que isso é mentira. São pessoas normais como nós e tão ou mais humildes do que nós. Na verdade o que importa, não é que temos mas sim quem temos. Foi a minha maior lição aliada ao facto de aprender a não abusar do que nos é dado por este processo. Não é por conhecer pessoas importantes que nos tornamos importantes. É importante saber que temos esse privilégio sem abusar dele.
- Se aparecer um novo desafio, é para aproveitar?
- Não sei. Talvez.
PN
 

Comentar


Código de segurança
Actualizar


Page Peel Banner

Tradutor

Portuguese English French German Italian Spanish
Faixa publicitária

JoomCategories for JoomGallery