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Maiuko, amiga para sempre

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Depois de muitos festivais e prémios, depois de muitos reconhecimentos, depois de muita musica a acontecer na sua alma luso-africana, Maiuko, saiu de Folkstone para vir a Londres aceitar o convite da Academia do Bacalhau. Estava na hora de acontecer magia num palco cheio de notas e aplausos.
A viver no Reino Unido, não raras vezes, a intérprete acontece em eventos da Comunidade de Língua Portuguesa, ora porque se fala de Portugal, ora porque se fala de Moçambique, ora porque é o Mundo inteiro a acontecer.
Fomos ao encontro da intéprete no Lost Theatre no Sul de Londres.
"Mais um regresso à comunidade com muito gosto. Estou positivamente ansiosa porque faz muitos anos que não canto com o Luis Represas" - começa por dizer ao nosso reporter.
Depois de tantos anos a cantar, a ansiedade contiua a ser uma constante antes da entrada em cena. "Frio na barriga. Isso nunca vai embora. É uma sensação de respeito pelo público. É um sentimento muito forte de responsabilidade" - diz a poucos minutos de abrir a cortina do palco.
Na plateia, várias personalidades a marcar a presença para ouvir as grandes vozes para o concerto da noite. Carlos Santos, Embaixador de Moçambique, José Galaz da Embaixada de Portugal e Carlos Freitas, Conselheiro Permanente da Comunidade Madeirense em Londres, marcavam o primeira fila da plateia que quase encheu por completo. Para Maiuko, era a noite perfeita para recordar tempos passados. "Estou muito satisfeita por estar neste evento que reune a Língua" - afirma.
Visita frequente a Portugal, no entanto, Portugal pouco sabe da carreira internacional que Maiuko tem desenvolvido nos ultimos anos. As ultimas notícias, aconteceram porém, faz pouco tempo. "Participei num programa de televisão da Helena Ramos no ano passado onde tive oportunidade de falar do que tenho feito" - anuncia.
- Foi um programa com muias horas!!
- Foram 20 anos de horas em que pude explicar tudo o que tenho feito neste tempo em que passei a viver no Reino Unido" diz a cantora que está a preparar o lançamento de mais um trabalho. "Espero poder promover este novo disco em Portugal - diz a intérprete que em 2013 está a fechar a sua terceira tourné que no entanto não incluiu Portugal.
"Portugal está a passar uma fase dificil em que convidar artistas de fora tem uma malha mais apertada e neste ano eu não entrei nessa seleção" - revela para acrescentar - "A minha trourné é internacional e não e apenas Inglaterra - diz a cantora que se tem dividido entre a Europa (Alemanha, França e Inglaterra) e os Estados Unidos da América. Espero muito que Portugal esteja no meu percurso no próximo ano" afirma.
- Sentes-te uma artista de fora quando se fala de Portugal?
- Neste momento sinto-me com pouca divulgação em Portugal porque já lá não vou há muitos anos embora eu cante agora em português muito mais do que quando estava em Portugal. Felizmente, tenho tido muita boa aceitação a cantar em português no panorama internacional" - revela.
Sobre as recordações de Portugal que a viu crescer, Maiuko confessa: "No meu coração sinto-me sempre portuguesa e moçambicana. Isso nasceu comigo e vai morrer comigo. Em espírito estou no mesmo lugar" - revela.
Nem sempre os artistas escolhem o país onde vão cantar que geralmente acontece através de convites e agenciamento de produtores. Os desejos de Maiuko, porém, não esquecem Portugal. "Por vezes, consigo participar na escolha dos lugares onde vou. É assim que vou estar no Festival de Jazz de Moçambique e quero muito cantar em Portugal. vou tentar ir a Portugal no próximo ano" diz.
Como é que acontece na tua carreira uma viragem para o Jazz?
- Não houve uma viragem própriamente dita. Eu cresci no meio do Jazz com a principal influência do meu pai que não sendo um profissional era um musico apaixonado. O que aconteceu é que nos anos 80 gravei em Portugal uma musica pop e tive um grande êxito com isso. Aí sim, houve um desvio musical mas depois que vim viver para Inglaterra regressei ao Jazz e ao blues e ás minhas influêcias da África Portuguesa. Tenho agora muito mais temas cantados em português misturado com os dialetos de Moçambique ou da Suazilândia. Quando estava em Portugal, cantava muito mais em inglês do que hoje.
- A que se deve isso?
- Essencialmente à maturidade que adquiri como artista e áquilo que sou numa mistura de sangues que vai de Portugal a Moçambique e passa também por Inglaterra - revela.
No dia a dia, por força da sua residência no Reino Unido, Maiuko acaba por falar muito mais inglês que português mas "na minha miscuicalidade sinto a fusão de tudo o que acabo de falar. A terra que me viu nascer e a terra que me viu crescer acabam por ser uma influência a que não escapo. No palco, trabalho com musicos de todas as nacionalidades e corre sempre tudo numa simbiose perfeita. Não interessa qual a Língua".
- Sem essa universalidade, a musica correria o risco de ser outra?
- Correria em função do meu desevolvimento como artista. Tive apenas um êxito na musica pop e quando tive oportunidade, voltei ao meu universo num regresso ás raízes. Agora estou a ter mais influência das minhas raízes africanas e o afro jazz ou o blues seguem como um cunho da minha própria herança.
Conhecida também pela sua atividade como artista plástica, partimos à descoberta de outras vertentes.
- Qual é a artista que sobrevive com mais facilidade. Cantora ou plástica?
- A minha arte expressa não visa um público imediato. A musica, é um instante que eu faço e transmito diretamente. Quando a escrevo e a componho, penso também como artista plástica. Estou a construir uma peça com materiais e linguagem diferentes. Na musica, os musicos com quem trabalho também são uma influência no meu trabalho e por isso a musica passa por ter mais mistura do que a arte plástica. Como artista plástica, tenho menos interferência externa e por isso estou espiritualmete mais próxima desse trabalho manual. São coisas diferentes.
- A intérprete e a artista plástica cruzam-se num percurso comum?
- Completam-se. Uma vai com a outra.
- Cantas quando estás a esculpir?
- Acontece muito quando estou a trabalhar com as mãos acontecer a inspiração para a musica.
Outra das formações da intéprete, acontece nesta conversa já quase a ouvir os primeiros acordes no palco.
- Onde fica a psicóloga no meio de tudo isto?
- A psicóloga fica com a artista nas formas de me encontrar a mim própria. Fica envolvida no meio de tudo.
- Continuas a exercer psicologia?
- Agora de uma forma mais discreta. Estou mais envolvida com a terapia criativa mais do que a psicologia analista.
Ansiedade para o concerto desta noite com Luis Represas e Alexandra Dória.
Sala cheia, bom ambiente para grandes musicas.
Foi de facto uma noite de muita magia.
Maiuko, não volta porque está sempre presente a encher as memórias musicais de uma geração atrás de outra. Seja em Português ou para o Mundo inteiro.
 

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