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Luis Represas voltou a Londres

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Uma das mais conhecidas vozes do panorama musical português, voltou a Londres para um concerto único, a convite da mais prestigiada associação portuguesa internacional.
A Academia do Bacalhau de Londres, convidou para o seu espetáculo de angariação de fundos, a voz que ficou conhecida como o rosto dos Trovante, uma das mais emblemáticas bandas musicais de sempre em Portugal.
Na entrevista que concedeu, Luis Represas recusa ser considerado um "dinossauro" da música. "Os dinossauros estão extintos" diz o músico que leva 37 anos de carreira musical. "Estou muito feliz. Trabalho naquilo que gosto e estou a auto-inovar-me" - refere ao nosso repórter.
Sobre a responsabilidade da continuação do seu trabalho, Represas assume que corre "os mesmos riscos de sempre com outros recursos e outras consequências. Têm sido 37 anos muito preenchidos e com muito boas recordações" - confirma.
Nos palcos ou fora deles, Luis Represas deixa pasar uma intensidade de vida a que o público não fica alheio. "Tenho a capacidade de apagar aquilo de que não gostei. Muitas das coisas de que não gostei, têm que ver com o meu maior defeito que é acreditar nas pessoas. As pessoas têm sido a minha maior desilusão mas têm também sido a minha maior compensação" - afirma a referir uma balança em que "sem dúvida nenhuma, o que as pessoas me trouxeram de bom é muito mais do que aquilo que me trouxeram de pior".
Terá Luis Represas aprendido a conhecer melhor as pessoas através deste movimento de vida? Não foge à questão. "Continuo a ser o mesmo "bobalhão". Entrego-me e acredito muito nas pessoas mas com a experiência, vamos vendo se há ou não razões para investir mais ou menos nestas ou naquelas pessoas - atira para continuar - As pessoas são a parte mais importante da nossa vida".
Apesar de muitas desilusões, Luis Represas prefere olhar o lado positivo. "Se nos tornarmos pessoas amargas, a nossa vida começa a ter cada vez menos sentido".
- Investindo menos nas pessoas, traria mais infelicidade pessoal?
- Estaria a investir menos em mim próprio - afirma.
Recusando o epíteto de dinossauro, quisemos saber se nesta fase da vida, Represas se sentia na hora do lobo, nome de um dos seus temas mais conhecidos.
- A hora do lobo é uma coisa constante. A hora em que nos desafiamos e em que dizemos aqui estou eu com tudo o que eu tenho para dar e essa hora é permanente. É um estado de espírito" - diz.
Num ritmo de vida característico dos criativos, Luis Represas defende o investimento nas emoções. "Nós que vivemos de criar emoções nas pessoas, antes de o fazermos, criamos emoções em nós próprios. Os músicos, os artistas, pela sua vertente criativa, andam sempre numa montanha russa. Tão depressa estamos lá em cima como cá em baixo. É fundamental que nos conheçamos para termos uma vida saudável a viver connosco próprios. Não faz sentido combater coisas que não fazem sentido ser combatidas" - afirma num conceito filosófico.
A deixar na conversa o que não vale a pena combater, importaria perceber, o que vale a pena combater afinal!?
"Faz todo o sentido combater por coisas em que acreditamos mesmo quando não vencemos o combate. O meu pai contava sobre um amigo que pertencia sempre ao clube que ganhava. Ele, o meu pai, pensava que isso era um péssimo princípio de vida por estarmos só do lado que ganha. Investir no euromilhões é diferente de investir dando o peito às convicções e àquilo em que acreditamos mesmo quando as coisas correm mal. Mesmo quando essas coisas são atraiçoadas pelas pessoas que nós pensavamos ser as melhores pessoas" - diz o músico.
Represas, deixa cair na entrevista um profundo sentimento de desilusão com algumas pessoas elevando aquilo que de facto importa. "Fundamentalmente, o que temos que nunca deixar de fazer é agir de acordo com as convicções que temos".
Partimos na conversa atrás das convicções do intérprete e recordamos Timor que deu nome a outro dos grandes temas dos Trovante na voz de Luis Represas. 
"Timor, foi uma coisa que nos caiu em cima de repente. Foi um abalo enorme de consciência, de história e humanidade ao qual todos nós respondemos com o que tinhamos para dar. O João Gil e o João Mocho trabalharam o tema a que os Trovante deram corpo e eu depois entendi continuar o tema para que a canção continuase viva e depois a canção caiu na rua. Foi uma canção de que as pessoas se apropriaram e que serviu de instrumento de combate pelos timorenses e por Timor" - lembra.
No seu percurso profissional, o musico português atravessou fronteiras e correu Mundo, pelo que decidimos espreitar esse "passaporte" das canções. "Muitas pessoas passam um pouco por cima disso mas esse percurso é importantissímo. Andamos a correr os festivais da canção política pelos países do bloco do Leste e fomos priveligiados por ter conhecido um abraço ao Equador. Do Chile ao Vietename passando por todo o lado com nomes que são registos da música popular de todo o Mundo" recorda o músico a lembrar outro grande nome com quem se cruzou. "Falar de música com Sérgio Ortega é qualquer coisa de marcante e inesquecível" - afirma.
Esse contexto de viagens, acabaria por se espelhar nao apenas na música que veio a ser produzida ao longo dos anos mas também no artista enquanto pessoa. "Este percurso, reflete-se em mim como pessoa, como músico e como artista. Reflete-se em tudo. O que eu faço não só na música mas como pessoa também. É um mundo que se ganha e  o Mundo não se ganha só a viajar, também se ganha Mundo dentro de uma sala dependendo das pessoas com quem estás" - diz.
Pelo meio da carreira musical que inspirou toda uma geração, Luis Represas acabou por ser nomeado pelo antigo Presidente da República Jorge Sampaio, para receber uma Comenda. Como se sente o músico comendador?
"Cada um sente como sente mas não é um reconhecimento político. É um reconhecimeto cívico. É quase uma garantia de que muitos dos passos que eu dei estavam certos" diz Represas.
A música, acaba no entanto por não ter espaço suficiente para um músico que se entrega a causas. "A Ajuda de Berço ou a Fundação do Gil, aconteceram pela vida fora. Toda a minha vida, sempre me dispus a dar o meu contributo. Por vezes, basta a imagem para que essas coisas sejam mais conhecidas - refere o cantor que se deslocou a Londres gratuitamente para o espetáculo de angarialção de fundos da Academia do Bacalhau. "Faz parte do nosso ADN" - remata o assunto.
A fama porém, haveria de lhe trazer dissabores e nem tudo foram rosas. Na sua incursão pela vida empresarial, a tentativa de manchar o nome do músico, aparace na internet e rápidamente se transforma em assunto público. "A imprensa merece o meu elogio por não ter dado ouvidos a atos de terrorismo que tentaram mas não conseguiram. As pessoas escondem-se por detrás de uma coisa tão nobre como a internet e netes momentos eu acho que temos que fazer um apelo à nossa paciência. É daquelas pessoas que não merecem comentários. Quem não se sente não é filho de boa gente e vamos aguardar que a justiça fale sobre o assunto".
Dos grandes palcos portugueses, Represas transporta a recordação dos maiores. "Coliseu dos Recreios, Pavilhão do Atlântico, Campo Pequeno e muitos outros concertos que são uma memória coletiva" - diz o músico que em Londres, veio para catar num concerto íntimo com 200 lugares. "Ás vezes é mais complicado. Quando estamos sózinhos no palco com uma guitarra, temos mais essência. O que vou cantar são canções que vêm do papel, caneta e uma guitarra e serão cantadas da mesma forma que nasceram" - revela ao nosso jornal.
Para Londres, o palco haveria no entanto, de ser partilhado com outro grande nome da música portuguesa e agora mais vocacionada para o mercado internacional. "A satisfação de reencontrar Maiuko. Somos amigos há mais de 30 anos e arrepio-me de a ouvir cantar um tema meu" - confessa.
Fomos no rastro dos principais temas da carreira de Luis Represas e recordamos Florbela Espanca. Perguntamos sem tempo:
- Ninfomaníaca ou uma mulher muito à frente do seu tempo?
"Foi o João Gil que tropeçou neste poema e o trouxe para dentro dos Trovante. O seu a seu dono mas cada um de nós agarrou esta canção como se fosse sua.
Sinto-me identificado com o trabalho do João Gil e acho que que seja provavelmente dos poemas mais otimistas. Mais coloridos completamente ao contrário de outros com um cariz mais suicidário. Era uma mulher muito à frente. Talvez por isso lhe tenham chamado ninfomaníanca" - explica.
Contudo, sobre a vida íntima dos artistas, Luis Represas, prefere ser como gostaria que os outros fossem. "Pouco me importa que Picasso fosse uma besta. O lado humano não é a parte importante mas sim a parte pessoal de alguém que dá ao Mundo obras. Nós não poderemos de maneira alguma, por ser injusto para a obra que dura para lá de quem a criou, estarmos a esmiuçar o lado humano e as paixões secretas, os vícios e as paranóias  do criador. A obra é muito mais importante" - conclui.
- Achas que vais ficar na história a exemplo de muitos outros músicos que já partiram mas continuam presentes através da sua obra?
"Isso não me tira o sono. Estou a fazer uma coleção de discos para os meus quatro filhos. Não tenho pressa nem vontade de morrer mas guardo isto porque sei que eles vão chegar a uma idade em que vão gostar de os ter. Aquilo que eu dei, está ali para as pessoas usarem como quiserem. Haverá quem os possa perder mas haverá quem os guarde. No que componho e no que escrevo, não flui uma única nota com essa motivação" - afirma para continuar a desfilar memórias e experiências. "Falava-se de Zeca ou Adriano Correia de Oliveira. Depois deixou de se falar e depois vão-se outra vez buscar as tendêcias para o revivalismo" - comenta.
- Gostavas de ter o nome numa rua?
- Há ruas em que eu preferia não ter o meu nome.
O seu mais recente trabalho, Tomara, estará disponível a partir de Fevereiro de 2014, no entanto, o tema de rosto já está disponível nas pataformas digitais. Sobre este trabalho, Luis Represas levanta pontas. "Tomara que as coisas pudessem ser sempre assim como as idealizamos e construimos. Era bom que as coisas pudessem ser sempre assim. É sobretudo uma canção de esperança. Não é um disco conceptual. Aborda várias coisas e vários temas e este é um deles. É uma canção otimista que não se entrega ao fatalismo mas não se arvora em revolucionária. É uma forma de desejar que as coisas sejam boas" - finaliza.
Era hora de voltar a Sintra. O avião estava quase à esquina para levar Luis Represas de volta ao ninho, onde a música acontece na sua forma inventada.
Tomara que voltes Luis. Tomara.
 

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