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O rescaldo do Brexit

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Enquanto português a viver em Londres, posso agora, passados estes dias, comentar o que tenho visto e lamentar não ter nada melhor para escrever.

Ao longo dos dias em que o referendo ainda não tinha acontecido até aos dias em que já era passado, pude observar uma quantidade de pessoas a dar entrevistas para tudo que é imprensa. RTP, SIC, TVI, TSF outras rádios e jornais. Vários foram os portugueses que se atreveram a debitar a sua opinião para os microfones de quem os encontrou. 

Foi recolhida a opinião pública mas esta não foi tranquilizada. Poucos foram os especialistas entrevistados pela imprensa que aportou em Londres a disparar microfones para tudo o que mexe em português na capital britânica. Curiosamente, nenhum destes meios foi visto a trabalhar na província que foi quem decidiu este referendo. Os portugueses a viver fora de Londres, passaram completamente ao lado destes microfones onde se faz sentir um maior clima nacionalista por parte dos cidadãos britânicos.

Já em Londres, consegui ouvir todo o tipo de comentários, excepto aqueles que seria útil ouvir. Em Lisboa, o Ministro dos Negócios Estrangeiros recomenda que se faça o cartão de residente, o Secretário de Estado recomenda que os portugueses optem pela dupla nacionalidade. Só Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu dizer que Portugal estará presente para qualquer dificuldade que os portugueses possam ter que enfrentar.

Curioso que a generalidade dos entrevistados para a imprensa portuguesa que invadiu Londres, não comentam a questão da Escócia ou da Irlanda mas assume, o que eu nunca vi apesar de andar nas ruas londrinas diariamente, que possa haver migrantes vítimas de violência por parte dos ingleses fruto do resultado do Brexit. Londres, é uma cidade onde a polícia emite patrulhas várias vezes ao dia com o código de homicídio mesmo antes do Brexit. 

A lembrar, duas mulheres muçulmanas que foram agredidas por razões xenófobas e muitos outros episódios com pessoas de várias nacionalidades que têm vindo a sofrer na pele xenofobia de alguns britânicos. Esta prática, não se deve porém ao resultado do Brexit uma vez que se trata de uma prática regular anterior ao referendo.

Um vereador português a Sul de Londres, refere mesmo a política do medo numa das suas entrevistas e nas publicações nas redes sociais deixando toda uma comunidade em estado de desespero ao contrário do que seria de esperar, que pudesse contribuir para um clima de paz e tranquilidade. Este mesmo vereador vai mesmo ao ponto de prestar informação sobre o futuro que a política britânica ainda não decidiu.

Sem que saibam o que significa uma pauta aduaneira, um sistema cambial ou as razões de paz que deram origem à União Europeia do Aço, as pessoas entrevistadas (com algumas excepções), limitaram-se a debitar para o microfones o que ouvem e repetem sem a preocupação de pensarem ou fazerem contas ao significado do resultado do referendo. Os portugueses em Londres, perante tão disparatados discursos, entraram em pânico sem qualquer razão aparente imediata.

Valeram alguns políticos britânicos, incluindo os que defenderam o Brexit, virem a terreiro trazer alguma tranquilidade para o futuro imediato. A própria gravação de atendimento telefónico do Home Office, acaba por ser mais tranquilizador do que os discursos vertidos para os microfones. Quanto aos portugueses (alguns) com a ânsia do protagonismo, lá foram debitando todo o tipo de patacoadas a que poucas perguntas bastariam para desmontar.

Para se perceber a importância do resultado deste referendo, é necessário perceber as suas motivações e a verdade, é que a Europa deveria ter aprendido com a decisão dos britânicos e cambiar a forma como a União é pensada, aproximando mais a União das pessoas. A união financeira e económica precisa daquilo que não tem que é, uma união cultural.

Há um ditado português que diz que “um doutor, é um burro com livros”. Outro, diz que “doutor, é árbitro de futebol”. Para mim, continua a ser quem fez doutoramento. Há muitos portugueses que saíram de Portugal mas continuam mentalmente portugueses sem que Inglaterra tenha contribuído para a desejada mudança de mentalidades, ou, a dar razão a Carlos Tê com música de Rui Veloso quando diz “és tu que fechas a porta e não deixas ninguém entrar” (Morena de Azul).
Por: Manuel Gomes

 

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