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Home Cronistas Manuel Gomes Os pedreiros levantam-se às 7

Os pedreiros levantam-se às 7

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Para quem pensa exercitar o pensamento nunca é demais. Só os mentalmente preguiçosos se recusam ao exercício de pensar, desconhecendo que o pensamento, faz ao cérebro o mesmo que o ginásio faz aos músculos.
Hoje, apetece-me ser trolha, não sei se por me apetecer andar à trolha, ou, porque nas estações do ano em Inglaterra, me sinta desenhado com o moreno dos trolhas.
A maioria das pessoas, reage à profissão de jornalista com algum espanto, ás vezes com uma relação de ódio e quase sempre sem opinião formada (fundamentada) sobre o exercício da profissão. O mundo islâmico, limita-se a degolar os profissionais da informação, enquanto o resto da população, olha para estes como amplificadores de voz. Uma pequena minoria dedicada à política e à politiquice, olha-os como meras ferramentas. Eu, prefiro levantar-me às sete.
Na profissão de trolha, experimentei em tempos, "chapar massa" numa parede de forma a depois poder passar a régua a alisar a esquadria das esquinas. Qual quê?
A mistura de cimento, areia e água, esparramava-se na parede em amontoados estranhos a fazer lembrar uma terra de serras; ora cheia de cimento em altura, ora coisa nenhuma cheia do laranja do tijolo. Muitas tentativas depois, decidi deixar de experimentar até sempre.
Descobri porém, que no vocabulário dos trolhas, existem palavras que nos misturam numa multidão de momentos que só a "trolhice", na sua imensa mistura de cultura, nos poderia unir.
A massa (cimento - dinheiro), é transportada em gamelas (onde comem os porcos) para ser distribuída em colheres (política) e isto não deixa de me intrigar neste exercício de pensamento filosófico.
Descobri porém, que os trolhas são também um espaço de poesia onde as paredes são "afagadas" e decidi assistir. Confirmei. As paredes, são literalmente afagadas com uma esponja repetidamente molhada num balde de água até que a massa fina fique alisada e transmita esse conforto de alguém que um dia, vai pendurar um quadro ou a atração de uma criança que um dia, vai rabiscar sonhos infantis em lápis de todas as cores.
É neste afago que descubro que até os trolhas, têm uma forma de cultura que urge preservar e descobri isso, quando depois de chegar a Inglaterra, descobri que "quando tiramos o papel de parede o prédio cai".
Algures nas memórias deste texto, lembro-me de um trolha de nome Fortuna, residente na Madalena (Gaia) que um dia, tirado do nada, me deu permissão para ouvir da sua boca, uma das maiores frases poéticas que algum dia escutei. "Colega (era assim que me tratava), quando a minha mãe morreu, a Madalena engoliu uma Rainha".
Nesse momento, lembrei-me do grande poeta José Gomes Ferreira que no seu livro "A vida dos outros", deixou cair mais ou menos o seguinte:
Já falei com políticos, artistas, desportistas, gente ilustre e gente maior mas nunca encontrei tanta poesia como nessa Meretriz que a olhar para um aquário desejou ser "Rainha do Fundo do Mar".
PN

 

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