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Home Comunidade Sao Tomé e Príncipe AMISTEP de Londres a S. Tomé e Príncipe

AMISTEP de Londres a S. Tomé e Príncipe

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Adalberto Cravid é o dirigente que os Santomenses no Reino Unido elegeram para gerir os destinos de uma associação que tem cumprido a missão de unir e representar a comunidade santomense no Reino Unido. Aglotinados num grupo coeso, é hábito ver a AMISTEP comparecer nos mais diversos eventos da Comunidade Lusofona e muitos se lembrarão da presença desta associação no Dia de Portugal.
o Presidente Adalberto Cravid, a terminar os seus estudos em Londres, foi desta feita convidado pelo Governo de S. Tomé e Prínicpe a visitar a terra natal para um fórum que observou fundamentalmente a diáspora. É no rescaldo desta viagem que acontece a primeira grande entrevista de Adalberto Cravid ao PaLOP News.
Há 6 meses a AMISTEP tinha em registo 215 associados filiados. Com uma população residente de 165 mil santomenses e cerca de 40 mil na diáspora, a AMISTEP tem desenvolvido um trabalho profícuo em função das suas gentes no Reino Unido que procura agora chegar à terra mãe.
Portugal, Angola, Gabão, Guiné Equatorial, França e outros países, são o "ninho" que muitos santomenses escolheram para imigrar com Portugal à cabeça dos numeros.
O convite para participar neste fórum, foi feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros na orientação do Director das Comunidades Luis Bastos. Presentes, várias associações de diversos pontos do Mundo (Reino Unido, Moçambique, Portugal, Cabo Verde, etc.) que foram participar com ideias e opiniões nos "traços" do futuro da Ilha Verde do Equador.
Segundo Adalberto Cravid, "foram discutidos um conjunto de ideias para se ver até que ponto o Governo de S. Tomé e Príncipe pode apoiar a sua diáspora. Falou-se num conjunto de iniciativas e ideias viradas para o exterior. O Governo está com a atenção voltada para os seus imigrantes."
- O que pretende o Governo receber da diáspora?
- A diáspora tem um papel activo no desenvolvimento económico de um país e isso também acontece com S. Tomé e Príncipe.
Remessas, conhecimentos e valores do ponto de vista do conhecimento estratégico que os filhos de S. Tomé e Príncipe adquiriram no exterior nomedamente ao nível da Formação e que na eventualidade de um regresso poderão ser úteis ao desenvolvimento do país. Há por parte do Governo uma especial atenção a esse património internacional.
- Que esperança tem um santomense de regresso?
- A esperança é grande. A minha análise depois desta viagem, é a de um país onde tudo está por fazer. É um país novo com muitas oportunidades.
- Que género de oportunidades?
- A nível de emprego fundamentalmente. Ao longo da sua curta existência, S. Tomé e Príncipe teve algumas orientações que não foram bem acertadas mas a diáspora estará em condições de contribuir nessa linha de orientação da economia de S. Tomé e Príncipe.
O país está com um déficit em termos de quadros o que potencia as oportunidades. Com o potencial que existe na diáspora, facilmente os santomenses que regressem se poderão integrar na sociedade local. Por outro lado, S. Tomé e Príncipe tem riquezas naturais de que se destaca o petróleo.
- Que não está na mão dos santomenses.
- Não me posso pronunciar sobre esta matéria porque não li os dossiers e não tenho informação total que me permita uma opinião válida mas na prática, o petróleo está nas nossas águas.
- Está nas águas santomenses mas não em benefício directo dos santomenses.
- Como lhe disse antes, não li os dossiers e não me posso pronunciar sobre assuntos que desconheço, todavia, o Presidente Pinto da Costa tem-se pronunciado sobre essas matérias e existe a possibilidade de se fazerem algumas revisões que estão a ser discutidas. O Governo saberá encontrar uma solução de forma a que os 165 mil santomenses possam beneficiar das riquezas que S. Tomé e Príncipe possui.
- Renegociar os contratos de exploração?
- Acredito que os santomenses saberão abordar a questão de forma a potenciar o benefício das populações.
- Haverá vontade de renegociar por parte das empresas que estão a explorar o "ouro negro"?
- Tudo passa pela pela diplomacia e pela negociação que é um processo e dentro de um processo, tudo é possível. Eu acredito que os santomenses na sua máxima consciência saberão discutir os acordos de acordo com o seu próprio interesse.
- 15 anos sem ir a S. Tomé e Príncipe. Diferenças?
- Muitas coisas mudaram. Do ponto de vista político principalmente. Quando saí de S. Tomé e Príncipe, 22 anos atrás, havia um regime monopartidário. Hoje existe uma democracia plural e participativa e hoje a perspectiva é outra e as ideias passaram a ser ouvidas e os santomenses vivem hoje em liberdade com oportunidade para se expressarem e isso pode criar uma dimensão que pode fazer a diferença em S. Tomé e Príncipe.
- Além das riquezas naturais, o turismo. Que apostas é que S. Tomé e Príncipe está a fazer?
- Essa foi outra das matérias abordadas no fórum. Existe um grande resort da cadeia Pestana e S. Tomé e Príncipe tem participado em grandes feiras de turismo mundial. Holanda, Alemanha e Portugal são apenas alguns exemplos das feiras onde o turismo santomense tem marcado a sua presença e este ano estamos com ideias novas.
O ano passado estivemos na feira de Exel em Londres e vimos as experiências positivas de outros países como Cabo Verde e nós, AMISTEP, enquanto associação de santomenses, estamos já no terreno com vista à participação de S. Tomé e Príncipe na próxima edição de 2012.
Falamos com algumas autoridades governamentais e tudo indica que poderemos estar presentes em Exel em 2012 a promover S. Tomé e Príncipe como destino turístico. De resto, o Governo está a apostar fortemente no potencial do turismo. Nós estamos numa zona priveligiada da costa africana e acredito que podemos oferecer um turismo de qualidade acima da média para os países africanos."
No pensamento de Adalberto Cravid, equaciona-se o salário mínimo em S. Tomé e Príncipe que se pauta pelo valor aproximado de £50.00 o que deixa perceber a intensidade de vida que um turista europeu pode desfrutar num dos locais mais paradísiacos do Mundo.
- Em S. Tomé e Príncipe vive-se muito o espírito de ajuda. Por essa razão, ter o salário mínimo em S. Tomé e Príncipe pode não dar para uma vida ao nível da qualidade de vida superior mas garante a sobrevivência. É também por esta razão que o Governo está preocupado em criar condições que permitam elevar o nível de vida das populações. Em Portugal ou mesmo no Reino Unido, quem aufere apenas o salário mínimo também não tem uma grande qualidade de vida. S. Tomé e Príncipe não foge desta realidade.
Neste fórum que reuniu as principais referências da diáspora santomense, as conclusões refletiram sobre o grande numero de santomenses que está fora e essa comunidade está empenhada em participar na vida de S. Tomé e Príncipe. "Criou-se um conselho consultivo com as associações. Os bancos empenharam-se também nesta dinâmica devido à importância das remessas e o Banco Equador abriu um conjunto de benefícios para os santomenses que pretendam enviar as suas remessas ao mesmo tempo que está a investir numa rede de contactos a nível de negócios abrindo inclusivamente uma linha de crédito para a diáspora. Foram discutidas um conjunto de coisas que terão tratamento futuro e que que visam contribuir para um melhor S. Tomé e Príncipe com a ajuda da sua diáspora."
Para o líder associativo, uma das coisas mais importantes que foi discutida no fórum, foi a possibilidade de os santomenses poderem vir a votar nas próximas eleições legislativas e isso é também uma forma de a diáspora participar activamente na vida de S. Tomé e Príncipe.
- Isso é já uma garantia?
- Isto é uma vontade política transversal que vai do Presidente da República até todos aqueles que estiveram no fórum e que fecharam este assunto de forma unânime. Agora é preciso passar as ideias à prática.
- Sem uma diplomacia presente na maioria ds países, como espera S. Tomé e Prínicipe gerir o espaço eleitoral?
- Depois do fórum, houve reuniões sobre a política externa com os embaixadores que estão no activo e os representantes da diáspora no sentido de se encontrarem soluções e o próprio Presidente da República está empenhado em que sejam encontradas soluções para que esta realidade se materialize.
- Como é que a comunidade santomense no Reino Unido está a reagir a este regresso com toda esta informação?
- A comunidade está entusiasmada e querem saber mais. Na associação tivemos já duas reuniões para preparar uma reunião alargada com a comunidade que será tão breve quanto possível e o nosso executivo está a planear as reuniões em Londres, Leeds, Birmingham, Ipswich, Manchester, etc., para difundir a informação e fazer passar a mensagem sobre o que foi discutido no fórum e sobre o que o Governo pensa  e de que forma a diáspora pode colaborar para se fazer alguma coisa por S. Tomé e Príncipe.
- Há tranquilidade política para desenvolvimento de projectos de investimento em S. Tomé e Príncipe?
- O Grupo Pestana está em S. Tomé e muitas outras empresas estão lá instaladas. Em S. Tomé e Príncipe há estabilidade. Não temos problemas graves e segundo aquilo que pude observar há uma atmosfera muito boa. Acredito que S. Tomé e Príncipe é um país em que Portugal deveria apostar até porque o Golfo da Guiné é um ponto estratégico que pode oferecer muito em termos de política internacional. Recordo-me que na legislatura de José Sócrates havia uma linha do Magalhães para ser operado em S. Tomé para dar resposta áquela costa africana.
S. Tomé e Príncipe tem potencialidades e é muito forte em termos de recursos e estratégias.
- Como estão as relações com o Brasil?
- Muito boas. O tempo que permaneci no território não foi suficiente para perceber os investimentos todos que estão a operar no país mas a relação sob o ponto de vista cultural por exemplo é excelente. Pouco tempo atrás, o Brasil criou mesmo um fundo para potenciar os negócios entre as duas nações e isso demonstra as boas relações entre ambos os estados. Este primeiro fundo, foi também uma primeira experiência que garante que numa próxima oportunidade haverá também melhor orientação. Também, neste contexto, a diáspora santomense será fundamental pela visão que tem do Mundo ao passar a mensagem aos interlocutores que estejam empenhados no futuro de S. Tomé e Príncipe e na melhoria da qualidade de vida dos santomenses.
- A diáspora tem vontade de regressar?
- Muita vontade. O mar, o calor, o peixe e todo um conjunto de coisas qua a natureza nos deu desperta em qualquer santomense o desejo de regresso. A outra vertente, é o facto de as pessoas já terem criado raízes nos países onde estão. Filhos, profissões e toda uma panóplia de situações que prendem as pessoas aos lugares onde estão mas sempre com a vontade de um dia regressar embora isso não se possa fazer de um dia para o outro. A vontade é ir embora mesmo que nem sempre isso seja possível.
- Nos próximos 20 anos, prevê mais santomenses a sair de S. Tomé e Príncipe ou mais santomenses a regressar a "casa"?
- Dada a conjuntura internacional e a crise que se vive, penso que daqui a 20 anos os santomenses serão menos a sair de S. Tomé e Príncipe. A avaliar pela exploração petrolífera e pelo potencial do turismo entre outras coisas, haverá concerteza mais condições para que os santomenses permaneçam na sua terra natal.
Sobre o artesanato santomense, Adalberto Cravid reforça a "importância deste sector como uma grande valia porque os santomenses são bons a produzir artesanato. O que falta é desenvolver o turismo para criar condições de escoamento desse mesmo artesanato. O turismo é a ligação com a diversidade cultural que irá permitir levar o artesanato santomense a todo o Mundo.
Quase a terminar, pedimos a Adalberto Cravid para deixar um recado aos santomenses na diáspora. "O recado para os santomenses na diáspora é unidade. Ver que somos todos da Ilha Verde do Equador e que S. Tomé e Príncipe tem grande potencial de desenvolvimento."
A fechar, testamos o nosso entrevistado sobre áreas chave da sociedade com apenas três opções de resposta: bom, médio e mau.
Saúde - mau
Justiça - mau
Educação - médio
Segurança - médio
Estabilidade - médio
Corrupção - Esta realidade é um facto em todas as paragens do Mundo e eu não tenho conhecimento que possa responder a essa questão.
A finalizar, perguntamos a Adalberto Cravid o que está bom em S. Tomé e Príncipe.
- S. Tomé e Príncipe está bom - foi a resposta.
 

Comentários  

 
+1 #1 Acacio Dos Santos 17-01-2012 22:49
Louvo e parabenizo ao Adalberto Cravid pelo leque de informações divulgadas nesta entrevista, o que servira para dar uma ligeira ideia da realidade santomense, actualmente, aos membros da Diáspora em geral e particularmente a aqueles que se encontram ausentes há longos anos.
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