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Moçambique festejou 40 anos no Reino Unido

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A Comunidade Moçambicana radicada no Reino Unido assinalou o 40º aniversário da independência através de manifestações culturais a envolver diversos artistas e manifestações.
O ponto certo para o Palop News, foi a entrevista que aqui reproduzimos com Carlos Santos, Embaixador de Moçambique para o Reino Unido que afirma ser este, um dia de grande festa.
- Como está Moçambique? - Começamos por perguntar.
- Como uma pessoa adulta. Com 40 anos é já um uma Nação madura e o balanço destes 40 anos é positivo.
Crescemos como um Estado, como Nação, e continuamos a criar aquilo que é a unidade nacional que na prática, é a unidade entre todos os moçambicanos procurando e encontrando soluções através do diálogo, mesmo quando em alguns momentos tivemos a violência armada depois da independência. No entanto, o diálogo sempre prevaleceu e foi isso que nos levou a desenvolver o país para os níveis que estamos a atingir e que são encorajadores para Moçambique.
Apesar de termos partido de uma base relativamente baixa, estamos a ter um desenvolvimento sustentado de 7.5%/ano nos últimos 15 anos. Estamos numa fase em que a economia pode começar a depender menos da ajuda externa. As poupanças internas e a produtividade começam a criar uma economia robusta.
Estas perspectivas aumentam na medida em que confirmamos substanciais reservas  de recursos naturais valiosos como os minerais sólidos, hidrocarbonetos, e o gás natural de que muito se fala hoje, e que tornou Moçambique uma fonte de gás natural das dez maiores do Mundo. 
Para além destes recursos, destaco ainda o carvão de grande qualidade exportado para todo o Mundo, e que está a trazer uma nova dinâmica à economia de Moçambique. 
Saliento ainda que Moçambique, nestes 40 anos, a economia tem estado a crescer sem contar com estes recursos e que até aqui, os grande argumentos, têm sido a agricultura, transportes e comunicações, infraestruturas que têm estado  a fazer a economia crescer e vamos continuar a ter preocupações de crescimento também com esses segmentos.
- Significa que o crescimento esperado num futuro a breve prazo, passa pelo desenvolvimento de áreas tradicionais como tem acontecido até hoje a que se devem acrescentar a exploração de riquezas naturais?
- Exactamente.
- Quem não tenha visitado Moçambique nos últimos 40 anos e que hoje regresse, o que é que encontra de diferente?
- A primeira impressão, creio que seja o encontro de cidades maiores do que eram naquela época. As cidades, cresceram quer em termos de infra-estruturas quer mesmo em termos de densidade populacional. As zonas urbanas têm agora mais aglomerados populacionais com muito desenvolvimento. Creio que este possa ser o primeiro grande impacto. A salientar a diferença entre Lourenço Marques e Maputo. Também a Beira já não é a mesma daqueles anos. São cidades que estão a crescer muito.
Por outro lado, vão também encontrar uma constante que é a simpatia dos moçambicanos que gostam de viver, conviver e acolher bem quem os visita. É uma terra onde os estrangeiros se sentem bem e isso não mudou.
- Qual a importância que o Turismo tem na economia do Moçambique?
- Bastante. É um setor vital para o crescimento da economia e é também um setor que tem vindo a crescer ao longo dos anos. Note-se que nos primeiros anos, Moçambique não tinha infraestruturas para acolher turistas e não tínhamos esta paz duradoura que vem desde 1992. Por força desta evolução, o turismo tem vindo a registar um grande crescimento sendo mesmo uma grande fonte de emprego dadas as áreas que este setor abarca. É um setor vital para a economia de Moçambique e promete continuar a crescer.
- Quantos moçambicanos vivem fora de Moçambique?
- Não existem dados confirmados cientificamente sobre essa questão. Onde temos embaixadas, fazemos o registo consular mas isto não reflete o número exato da população. Há sempre uma diferença muito grande entre o número real e aquele que é o número oficial. Fazemos cálculos médios e alguns países, eles próprios, fazem esse género de estatística como é o caso do Reino Unido.
- Existe um número para o Reino Unido?
- Sim temos um número aproximado de mil moçambicanos a residir no Reino Unido. 40 porcento destes, são estudantes que se encontram a fazer os seus mestrados ou doutoramentos e que depois regressam a Moçambique. É um número em constante mutação cíclica.
- É uma comunidade muito pequena quando comparada com outras comunidades a residir no Reino Unido.
- É. É muito pequena e nós estamos a trabalhar com essa comunidade para nos assegurarmos de que estaremos mais unidos. Por ser pequena, tem outras capacidades de fazer coisas muito boas porque praticamente todas as pessoas se conhecem umas às outras. Em comunidade, temos tentado festejar juntos as datas mais significativas a incluir o Dia Nacional ou o Dia da Mulher, onde acabamos sempre por encontrar mais um moçambicano que antes não conhecíamos. Todos os anos fazemos alguma coisa para lá da festa. Temos palestras, refeições e convívio sobre essas datas e qual o seu significado para os moçambicanos.
- Há muitos brasileiros e africanos a residir no Reino Unido com passaporte português. Isto também se repete com a comunidade moçambicana?
- Sim. Na verdade uma grande parte dos moçambicanos a residir no Reino Unido têm passaporte português porque vieram de Portugal. No entanto, identificam-se como moçambicanos e sabemos que são moçambicanos.
- Destes moçambicanos espalhados pelo Reino Unido, quantos estão em Londres?
- Não existe uma estatística certa mas é o maior aglomerado. Calculam-se cerca de quinhentos.
- Não será dificil reunir a comunidade?
- Sim, é relativamente fácil por sermos poucos e temos vindo a trabalhar com a comunidade sempre que esta se reúne.
- Existe alguma estrutura associativa da Comunidade Moçambicana no Reino Unido?
- Duas principalmente e uma cultural. A Casa de Moçambique que existe faz vários anos e que atravessou períodos mais calmos mas que agora estamos a revitalizar. Estamos a trabalhar com a nova direção e existe agora um maior dinamismo que estamos a sentir. Os jovens e os empresários, estão a contribuir para uma maior capacidade de organização dentro da Casa de Moçambique no Reino Unido e têm projectos para desenvolver.
A Comunidade conta ainda com a Organização das Mulheres Moçambicanas no Reino Unido que também trabalha no âmbito da Casa de Moçambique.
Depois temos um grupo de canto e dança da cultura moçambicana que é um dos grupos que consideramos mais representativo na vertente da cultura do nosso País. Existem depois outros grupos mais pequenos mas este é o mais emblemático.
- Empresariado moçambicano no Reino Unido. Como vê esta estatística?
- Estive com vários deles e devo dizer que são empresários que estão a começar a sua actividade. Formaram-se empresas e quase todas elas são de facilitação de negócios entre Moçambique e o Reino Unido. É isso o que estes empresários querem fazer e estão a procurar envolver-se em vários negócios.
Este roteiro, tem sobretudo a ver com Formação e alguma empresas têm esse enfoque. Outros estão a preferir entrar no segmento do petróleo e gás ou a área mineira que são novos segmentos na economia de Moçambique. Outros, procuram oportunidades em setores como o Turismo ou a Agricultura ou a agro-indústria mas como dizia são sobretudo novos empresários.
- Quantos ingleses é que vivem em Moçambique?
- Essa é outra estatístca que não está feita nem em Moçambique nem no Reino Unido. Em breve, vou-me encontrar com a Alta Comissária do Reino Unido para Moçambique e vou levantar a questão. Temos muitas empresas britânicas em Moçambique que acabam por levar muita gente que acabam por ficar algum tempo e outros que fixam lá a sua residência.
- Como resultado desta dinâmica, como define a balança de transações entre os dois países?
- É excelente. Temos um programa entre os dois governos que se chama Cooperação para o Desenvolvimento e o Reino Unido através do programa de desenvolvimento internacional, dá apoio direto ao nosso Orçamento de Estado com cerca de 50 milhões de euros por ano e com tendência a crescer. O Reino Unido, como país desenvolvido, decidiu viabilizar 0.7% do seu PIB para a ajuda aos países em desenvolvimento.
O mais interessante, é que o Reino Unido, decidiu eleger cinco países africanos com os quais desenvolve ações especiais e Moçambique é um desses casos. Com estes países, bilateralmente discutem-se os setores onde há mais trabalho a fazer. No nosso caso, escolhemos as áreas da agricultura, indústria extrativa, serviços financeiros, ambientes de negócios e uma área transversal que é Educação e Formação de quadros para capacitação das instituições moçambicanas, e capacitação humana dos moçambicanos.
Ao mesmo tempo, a preocupação de promover a participação de maiores investimentos de empresas britânicas em Moçambique o que nos tem permitido uma cooperação cada vez mais estreita ao nível ministerial. Temos um grupo de trabalho que inclui os altos comissários dos dois países e os directores nacionais das várias instituições envolvidas.
Na vertente comercial e de investimentos, temos desenvolvido algum trabalho tanto em Moçambique como no Reino Unido para promovermos conjuntamente oportunidades de negócio para os dois países não só para os segmentos de atividade mais recentes mas também para os segmentos mais tradicionais.
- Tem ideia de quais os produtos que Moçambique mais vende para o Reino Unido?
- Neste momento, os produtos a destacar são sobretudo os agrículas que os ingleses produzem em Moçambique, e que exportam para o Reino Unido e para o mercado internacional. O chá moçambicano é outra das referências mas quando aparece em Inglaterra já não aparece como moçambicano já que uma vez aqui chegado assume as marcas inglesas.
- E no sentido inverso?
- Importamos sobretudo equipamentos para a indústria, carros até pelo facto de em ambos os países os carros terem o volante do mesmo lado mas principalmente produtos industriais.
- Moçambique pertence a duas geografias políticas absolutamente distintas. Na CPLP com Portugal, ou na Commonwealth com o Reino Unido. Onde é que Moçambique se sente mais confortável?
- Com ambos. São comunidades com valores semelhantes e Moçambique entrou na Commonwealth precisamente porque não havia contradição entre ambos os valores. A nossa relação com Portugal é sobremaneira extraordinária porque é histórica. É para lá que vai o Presidente da República de Moçambique quando faz a sua primeira visita à Europa. Com o Reino Unido, existe também um relacionamento de muitos anos ao nível da cooperação para o desenvolvimento e também ao nível comercial onde também temos alguma história com empresas britânicas que estão em Moçambique há muitos anos.
Em resumo, sentimo-nos bem em ambas as plataformas embora na Commonwealth estejamos ainda a conhecer a instituição de forma mais profunda. Na CPLP somos co-fundadores e as diferenças creio que se resumam a isto.
- Acha que a CPLP está a cumprir os desígnios para a qual foi criada?
- Penso que sim embora também pense que pode fazer melhor. A CPLP é uma congregação de estados que comungam de história, Língua e valores comuns, e que pretendem o desenvolvimento das suas relações a vários níveis.
A nível político, estamos a trabalhar. Se eu visitar qualquer um dos países sinto-me bem porque também eu pertenço à CPLP.
- Falta-nos assegurar a mobilidade?
- Há muitos processos em curso através dos quais poderemos criar uma maior interação entre os povos. Em todas as organizações, há desafios políticos de presente e de futuro. Em todo o caso, o destaque vai para o facto de a relação entre estes países é sã e boa. Pode-se porém criar maior interação económica e comercial e já existem propostas que estão a ser estudadas. A nível cultural, também há muito trabalho que está a ser feito, para lá do trabalho desenvolvido a nível ministerial entre os países. Há vários setores a estudar sobre como maximizar as sinergias entre os países da CPLP.
- Na sua opinião, mantém-se a esperança para a CPLP?
- Absolutamente. Penso que é daquelas organizações condenadas ao êxito.
- Quando apresentou as suas credenciais junto da S. Majestade a Rainha, como é que se sentiu?
- Foi um encontro muito especial como penso que seja para qualquer pessoa que se encontre com a Rainha. É uma personalidade extraordinária mas a parte curiosa, é o  facto de dialogar com a pessoa com muito conhecimento sobre o País. Será verdade que lhe darão algumas informações antes do encontro mas ao mesmo tempo revela um conhecimento pessoal extraordinário e uma memória notável ao recordar a sua visita a Moçambique.
Foi um momento muito especial para mim estar na presença de S. Majestade e transmitir a mensagem que o meu Presidente me confiou. Foi um momento que me irá marcar para toda a vida.
- E para a Comunidade Moçambicana no Reino Unido, tem alguma mensagem?
- Primeiro, felicitar todos os moçambicanos pelos 40 anos de crescimento comum com muita alegria e apelar para uma unidade e solidariedade entre nós como forma de favorecer o orgulho que temos em ser moçambicanos.
Ao mesmo tempo, convidar a Comunidade para refletir sobre o futuro e o desenvolvimento do nosso País.
Parabéns Moçambique.
PN

 

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