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Moçambique/40 anos: Retrato da imprensa moçambicana no momento da independência

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A República de Moçambique nasceu numa noite chuvosa, perante 70 mil pessoas, muitas lágrimas e a promessa do fim da exploração do Homem e também do início da primazia do partido sobre o Governo.
“Moçambique independente”, escreve em manchete o jornal Notícias, ainda hoje o maior diário moçambicano, de 25 de junho de 1975, reproduzindo uma imagem do primeiro Presidente da República, Samora Machel, lendo a proclamação de independência.
Em quase todas as páginas do jornal, pode ler-se “o país inteiro gritou liberdade”, uma parangona reforçada por uma nota de redação, descrevendo “palmas gritos, abraços, buzinas soando estridentemente, lágrimas em muitos milhões de olhos, dizem, ou melhor, poderão dar ideia do que se tornou impossível descrever, já que passar a porta que conduz ao caminho da liberdade não tem descrição”.
O registo festivo e emocional naquele dia singular continua a ser assumido pelo jornal quando observa que “nem a chuva, que terá querido experimentar a determinação do povo (como se dez anos de luta armada não tivessem sido suficientes), foi capaz de afastar o convívio no Estádio da Machava e vivido em Moçambique inteiro como evidente demonstração de unidade que existe do Rovuma ao Maputo”.
Segundo o Notícias, a menos de uma hora da cerimónia, ainda tremulava a bandeira portuguesa a 30 metros da tribuna presidencial, que haveria de ser arriada por homens dos três ramos das forças armadas da antiga potência colonial, que se fez representar na Machava por figuras eminentes do novíssimo regime democrático, como Mário Soares, Melo Antunes, Vítor Crespo e também Álvaro Cunhal. Num dos destaques do jornal lê-se aliás uma mensagem do então primeiro-ministro português, Vasco Gonçalves: “Nós também fomos colonizados por Salazar e Caetano.”
À meia-noite, relata o diário, o relógio do estádio iluminou-se e exibiu um dístico com a inscrição “25 Junho de 1975 - República Popular de Moçambique”, a que seguiu a resposta da assistência, entoando o novo hino “Viva, viva a Frelimo” e “Nós somos filhos de Moçambique”.
Começavam então a acorrer ao estádio as numerosas delegações estrangeiras presentes em Maputo e os dirigentes do novo país, como o primeiro-ministro no governo de transição, Joaquim Chissano, e, a partir daquela madrugada, ministro dos Negócios Estrangeiros, de uniforme militar, mais 700 homens das Forças Populares de Libertação de Moçambique, e finalmente, o “camarada Presidente” Samora Machel.
Na edição de 25 de junho, o Notícias publica a primeira Constituição e também a mensagem de proclamação da independência, que começa por reproduzir o apelo à insurreição armada, proferido pela Frelimo em 1964, que promete não cessar o combate “senão com a liquidação total e completa do colonialismo português”.
“A nossa República Popular nasce do sangue do povo. A sua consolidação e desenvolvimento é uma divida de honra para cada moçambicano, patriota e revolucionário”, começou por declarar Samora Machel, na proclamação da independência, que conferia à Frelimo a direção do povo “na nova fase de luta pela construção do estado democrático popular, pela reconstrução nacional, pela liquidação da exploração do homem pelo homem” e ainda “primazia das decisões, em todos os níveis, do partido sobre as do governo”.
Num Moçambique independente, prosseguiu o “camarada Presidente”, o controlo dos recursos naturais tem como destino as classes populares, o elitismo será liquidado, tal como a discriminação educacional e da doença, “uma das faces do colonialismo e do subdesenvolvimento” e o oceano Índico será transformado numa “zona de paz”.
A bandeira nacional, erguida pelo primeiro ministro da Defesa, Alberto Chipande, conhecido como “o homem do primeiro tiro”, demorou 27 segundos a subir, tantos quantos leva um país a nascer, entre descrições de 70 mil pessoas em lágrimas, balas tracejantes no ar e barcos a apitar.
“Foi então que a capital e o país estremeceram. Acordando para uma nova fase de luta e o tempo assumiu uma nova dimensão”, escreve o Notícias, numa edição histórica em que até a publicidade aponta para um novo ciclo: “ Porque “a roda é o símbolo do progresso”, anuncia a Famol – Fábrica de Automóveis de Moçambique.
PN/Lusa
 

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